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O inferno tem herdeiros

Do A Terra É Redonda,23 de outubro 2026
Por EMILIO CAFASS
I


Uma família à beira do poder e o cerco à democracia brasileira

1.

O inferno se espalhou. No Brasil, os demônios têm sobrenomes, mas seu avanço abrange um território muito maior do que qualquer família. A liderança de Flávio Bolsonaro e o fortalecimento da extrema direita no Congresso e nos governos estaduais ameaçam nosso futuro. O Brasil pesa demais sobre nossas chances de autonomia, nossas lutas democráticas e as condições materiais de nossa existência para que possamos encarar o ocorrido como meros observadores externos.

Essas posições oferecem uma plataforma para tomar a presidência e subjugar seus mecanismos de controle e equilíbrio. Se essa ofensiva for bem-sucedida ela arrastará muito mais do que apenas um governo. O resultado da eleição presidencial permanece incerto, mas nosso futuro comum já está sendo dizimado.

A cena familiar encapsula uma reviravolta perturbadora: o pai condenado por tentar subverter a ordem democrática; sua esposa e um filho eleitos para o Senado; outro filho, deputado federal; Eduardo Bolsonaro, foragido da justiça vivendo nos Estados Unidos e empenhado em incitar pressão contra seu próprio país; e Flávio Bolsonaro, prestes a assumir a presidência, o que lhe permitiria facilitar a libertação do patriarca.

A sucessão promete transformar a punição pelo golpe em um mero inconveniente temporário para a fortuna da família. Por trás do sobrenome, jazem poderes corporativos, organizações religiosas, redes territoriais e plataformas digitais, além de ressentimentos cultivados, racismo e expectativas que a esquerda não conseguiu converter em sua própria visão. A monstruosidade é construída, financiada e aprende a se apresentar como solução. Ela pode oferecer àqueles que sofrem com a desigualdade a consolação de infligir-la a alguém ainda mais abaixo na escala social.

Há aqui uma dimensão trágica que transcende a dor de uma derrota eleitoral e evoca aquela cena grega em que os protagonistas, por meio de suas ações, contribuem para a própria ruína. O povo desce das arquibancadas e entra em cena: suas decisões fazem parte da trama que pode lhes despojar de seus direitos e diminuir suas chances de sobrevivência.

Promessas de proteção podem armar seus opressores; promessas de liberdade, legitimam novas formas de servidão. O reconhecimento do significado de suas ações pode vir apenas quando o dano for irreparável. Mas o oráculo contemporâneo tem financiadores, agentes e recursos: trabalha para garantir que um equilíbrio de poder historicamente construído adquira a autoridade do destino. Ainda há um segundo turno, mesmo que o horizonte tenha se escurecido a ponto de tornar qualquer outro resultado quase implausível. Essa própria descrença também desempenha um papel na tragédia: a certeza da derrota pode se tornar um dos atos que contribuem para provocá-la.

2.

A ameaça atinge tanto a terra quanto o céu desta história. A Amazônia, os territórios indígenas e as condições climáticas que sustentam a vida transcendem qualquer contagem nacional de vencedores e vencidos. A convergência de autoritarismo, subordinação continental e devastação ambiental transforma a ameaça brasileira em uma preocupação global.

O México e, em menor grau, o Uruguai – com seu governo progressista confuso e morno – oferecem apoio para vislumbrar caminhos alternativos, mas nenhuma resistência pode ser totalmente contida dentro de um mapa de presidências. Ela também persiste em organizações, comunidades e lutas que permanecem sob governos adversos. A tragédia se desenrola, mas seu desfecho ainda está em disputa.

O Senado aprova as nomeações dos membros do Supremo Tribunal Federal e pode julgá-los por crimes de conduta imprópria. Sua composição compromete o poder que sancionou a tentativa de golpe. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, entregou ao presidente do Tribunal uma promessa de não retaliação, acompanhada de um aviso de que o Senado não se declararia impedido de julgar os ministros. A mão estendida revela o instrumento de punição.

Após anunciar que tinha os votos para mudar a Constituição e “redemocratizar” o Brasil, Flávio esclareceu que promoveria emendas parlamentares. Esse esclarecimento mantém o objetivo de restringir os poderes do Supremo Tribunal Federal, limitando decisões individuais e modificando nomeações, juntamente com pedidos de impeachment. O respeito à Constituição pode coexistir com o objetivo de enfraquecer aqueles que devem defendê-la.

Reformá-la exige maioria de três quintos em cada casa, em duas votações: 308 deputados e 49 senadores. O Partido Liberal, a União Progressista e o Novo detêm 218 cadeiras na Câmara dos Deputados e, segundo a composição projetada, 43 cadeiras no Senado. A destituição de um juiz exige uma maioria diferente: 54 senadores. A ameaça ganhou força, mas ainda precisa negociar: os blocos políticos não votam com base em mera afinidade ideológica.

O programa inclui a redução da idade de responsabilidade penal e a construção de meio milhão de vagas em presídios: um investimento formidável em encarceramento apresentado como segurança. O golpe fracassado pode ensinar seus herdeiros a conquistar eleitoralmente as instituições que antes tentavam subjugar. Essa ofensiva também se aproveita do descrédito institucional. As acusações no caso Banco Master envolvem figuras de direita que já atuam no Supremo Tribunal Federal, mas a identificação do Tribunal com a resistência ao golpe permite que parte do prejuízo seja transferido para a esquerda.

Defender as condenações não exige a emissão de certificados de probidade para os juízes. Confundir os dois facilita transformar suspeitas sobre juízes em argumentos contra suas decisões. Nenhuma acusação vem com um mecanismo intrínseco que se traduza em perda de votos.

3.

Nem mesmo uma possível reeleição de Lula restauraria a ordem. Segundo a contagem do Bpost, a coalizão de direita detém 292 das 513 cadeiras no Congresso: uma maioria que ainda precisa de aliados para reformar a Constituição, mas que reduz a margem para um governo progressista. A este Congresso somam-se os governos estaduais com recursos, redes territoriais e aparatos de segurança. A proximidade das eleições presidenciais coexiste com maior desigualdade de poder e maiores obstáculos à redistribuição, à proteção ambiental e à defesa da autonomia.

Além disso, há o custo da governança sustentada por concessões que obscurecem as propostas do governo. Quando os acordos tornam uma iniciativa irreconhecível, fica difícil discernir o que a esquerda defende e quem está impedindo sua implementação. As verbas orçamentárias que os legisladores direcionam para seus territórios fortalecem suas próprias redes e reduzem sua dependência do Poder Executivo.

Essa conciliação assume uma dinâmica trágica quando as concessões destinadas a sustentar a capacidade de governar enfraquecem o apoio necessário para exercê-la. Não havia saída sem riscos: a mobilização e o confronto não garantiam vitórias parlamentares e poderiam alimentar a ameaça de impeachment. Mas essa incerteza não torna toda renúncia uma necessidade inegável.

Flávio Bolsonaro poderia usar a presidência para acelerar uma ofensiva já em curso; Lula teria que contê-la em condições mais adversas, revisando uma estratégia que não conseguiu desmantelá-la. O segundo turno das eleições está sendo disputado em um terreno já transformado.

Washington age com instrumentos que vão muito além da mera simpatia por um candidato. Tarifas, sanções e pressão diplomática traduzem a preferência política no custo diário de decisões soberanas. Essa pressão tem seus defensores dentro do país: os apoiadores de Flávio Bolsonaro exigem intervenção estrangeira para fortalecer sua posição e apresentam a tutela dos EUA como libertação nacional. A soberania torna-se um obstáculo que seus supostos guardiões convidam a remover.



4.

Senadores democratas denunciaram a Marco Rubio uma campanha de interferência em precedentes de outros países da região. Sua pergunta é reveladora: Washington se comprometerá a reconhecer os resultados certificados das eleições brasileiras? A vontade popular fica, assim, exposta a uma concessão externa.

O entusiasmo de Javier Milei expressa a dimensão regional dessa trama. Depois de atacar Lula e Alexandre de Moraes, ele comemora o avanço de Flávio Bolsonaro como se fosse seu. O interesse nacional é subordinado à afinidade faccional. Enquanto a esquerda tropeça na construção de um terreno comum, a extrema direita troca apoios, inimigos e legitimidades.

Cada vitória fornece recursos e confiança para essa ofensiva, sem determinar outros resultados nacionais. A internacional reacionária coordena suas estratégias; o povo mantém a tarefa de disputar cada partida.

A defesa americana da liberdade de expressão também tem seus donos e balanços financeiros. O conflito com o sistema judiciário brasileiro envolve plataformas que buscam gerenciar a circulação de mensagens sem controles que possam afetar seus negócios. O escrutínio comercial do Pix, o louvável sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, acrescenta outra dimensão: uma infraestrutura pública que reduz a intermediação financeira pode se tornar alvo de pressão quando desloca interesses estrangeiros.

A dependência também surge quando universidades e órgãos estatais delegam sistemas e dados a grandes corporações. Cada contrato parece uma solução prática; seu acúmulo restringe a capacidade de decidir como instituições inteiras funcionarão. A soberania exige a capacidade de decidir quais tecnologias desenvolver, para quais fins e sob quais controles. Tratar a comunicação como uma fatia do gráfico ministerial deixa uma área estratégica para a organização coletiva à mercê de acordos de curto prazo.

A soberania é contestada em espaços menos cerimoniais do que um ministério das relações exteriores: em quem regula uma plataforma, processa um pagamento, controla os dados e decide as condições de acesso ao discurso público.

A subordinação não precisa causar ruína econômica imediata para ser devastadora. Ela pode coexistir com negócios prósperos, exportações lucrativas e fortunas crescentes, enquanto empregos, serviços públicos e o meio ambiente se deterioram. A riqueza natural pode sustentar lucros, enquanto a dependência sufoca as possibilidades industriais e tecnológicas. A Argentina oferece um espelho de negócios prósperos e vidas empobrecidas.

Para a América Latina, a perda seria dupla: um parceiro de negociação com a capacidade de dialogar com as grandes potências seria enfraquecido, e o alinhamento regional que Washington busca consolidar seria reforçado. O inferno pode oferecer um resultado satisfatório. A questão permanece: para quem, por quanto tempo e a que custo?



5.

Como a extrema direita pode se fortalecer mesmo quando as condições materiais de parte da população melhoram? As identidades políticas podem atribuir as melhorias a outra fonte, minimizar seu alcance ou considerá-las insuficientes. Aqueles que ascendem socialmente podem reconhecer apenas seu esforço individual e repudiar as condições coletivas que o tornaram possível.

Mas nem todo descontentamento provém de uma percepção equivocada ou da falta de gratidão. A renda pode aumentar enquanto a dívida absorve uma proporção maior; o emprego pode crescer sem aliviar as jornadas de trabalho exaustivas; o consumo pode expandir-se enquanto o transporte e a saúde continuam a impor dificuldades. Uma melhoria estatística pode ser real, mas insuficiente para alterar a experiência de exaustão e insegurança.

Os protestos de 2013 expressaram demandas por transformações mais profundas que o Partido dos Trabalhadores (PT) não conseguiu atender, e cujo descontentamento foi, em última análise, contestado pela direita. A ascensão social altera as demandas e os critérios para julgar aqueles que governam. Restaurar o que foi perdido oferece poucas respostas para aqueles que anseiam por uma vida diferente.

O progressismo pode defender um passado que seus adversários transformaram em queixa, ou apresentar como culminação o que sua base vivenciou como apenas um começo. Talvez a anomalia tenha sido a recuperação democrática que celebramos enquanto os reacionários consolidavam sua reivindicação de normalidade. Defender o que foi conquistado exige compreender as forças que buscam destruí-lo e as necessidades que permanecem não atendidas.

Emir Sader oferece um exemplo desse tipo de confiança que merece ser discutido. No jornal Página/12, em setembro de 2025, ele descreveu o bolsonarismo como um movimento em declínio e interpretou a condenação do patriarca como o fim de um período histórico. Um ano depois, no mesmo jornal, reconheceu a força conservadora e defendeu o abandono da bolha do PT. Não se exige que ele tenha previsto corretamente 2025, mas sim que assuma a responsabilidade pela mudança: que explique o que deu errado nessa interpretação e quais premissas precisam ser revistas.

Prender um líder não aprisiona os interesses, as conexões e as identificações que o tornaram poderoso. Tampouco basta atribuir o voto contrário a uma alienação que o impediria de reconhecer os benefícios recebidos. É preciso explicar por que esses benefícios coexistem com o apoio reacionário e o que a direita oferece que a esquerda deixou de oferecer.

6.

O erro torna-se trágico quando a confiança em ter derrotado o adversário leva a negligenciar as condições para sua reprodução. A decisão sancionou uma tentativa de golpe; a leitura complacente acrescentou uma certidão de óbito política que ninguém havia emitido.

A confiança é uma questão completamente diferente quando se enfrenta a adversidade. Um slogan de vitória pode mobilizar eleitores, mas não garante o resultado prometido. No primeiro turno, votos em branco (1,84%) e nulos (2,93%) totalizaram 4,77% dos votos presidenciais. Uma pesquisa realizada de 6 a 8 de outubro indica que 5% votariam em branco ou nulos no segundo turno, mas não revela se essas pessoas de fato votaram dessa forma em 4 de outubro.

Os 33 milhões de eleitores ausentes também não constituem uma base de apoio prontamente disponível: entre os que disseram não ter votado, 19% citaram viagens, 18% problemas de saúde e 13% desinteresse, segundo o Datafolha . Suas razões, lealdades e disposição para participar devem ser compreendidas e debatidas, não presumidas. Uma campanha ativa é essencial, embora não garanta apoio suficiente.

Mesmo quando as chances de reverter o resultado parecem quase nulas, devemos lutar até o fim: não para esconder a desvantagem ou prometer a vitória, mas para contestar cada voto possível e impedir que o prognóstico se transforme em uma rendição prematura. Essa incerteza deve ser dirigida diretamente àqueles que estarão arriscando suas vidas: a necessidade de lutar não depende da certeza da vitória.

A religião desempenha um papel nessa construção, embora a eficácia política de certas igrejas não implique obediência uniforme por parte de seus fiéis. Como mostram Josué Medeiros e Nilza Valeria Zacarias em Le Monde Diplomatique Brasil, por trás do rótulo eleitoral, escondem-se experiências moldadas pelo trabalho, gênero, racismo e necessidades cotidianas.

Um paroquiano pode compartilhar crenças conservadoras e exigir serviços públicos, renda e proteção contra a violência. Viver sob ameaças e extorsão torna a segurança urgente. A promessa autoritária encontra um ponto de entrada quando apresenta a restrição de direitos como o preço da proteção que outros poderes não conseguiram garantir. Mas esses territórios também precisam de proteção contra aqueles que afirmam protegê-los: a insegurança inclui o medo do crime e o medo de se tornar alvo da força estatal.

A violência policial sob governos de diferentes orientações políticas é uma dívida da esquerda. Muitas mulheres buscam ajuda ali para lidar com problemas econômicos e violência doméstica. A congregação oferece conexões, apoio e reconhecimento onde outras organizações se retiraram. Quando um slogan alcança as pessoas por meio dessas conexões, ele carrega uma autoridade que nenhuma negação publicada à distância pode facilmente desmantelar. Para entender essa eficácia, é preciso questionar que tipo de cuidado, presença e experiências de pertencimento a esquerda pode construir.

7.

O jogo digital leva essa narrativa a outro patamar: a esperança transformada em negócio. Na tela, escapar da precariedade assume a forma de ganhos instantâneos; cada perda alimenta a expectativa de recuperá-la jogando novamente. A liberdade de escolha torna-se particularmente lucrativa quando a necessidade restringe as opções. A dívida prolonga a vida daqueles que buscam escapar dela.

Portanto, discutir o jogo e a redução da semana de trabalho de seis dias para um dia de descanso toca em algo mais profundo do que uma promessa eleitoral: quem controla o dinheiro e o tempo. Uma explicação compartilhada para essa desapropriação é urgentemente necessária antes que outra promessa de salvação a domine.

A subordinação internacional também envolverá contradições e negociações. A base econômica de Flávio Bolsonaro mantém laços comerciais com a China, que encontra no Brasil tanto espaço produtivo quanto mercado. Um governo alinhado a Washington poderia preservar esses laços e permanecer no BRICS, ao mesmo tempo que enfraqueceria a autonomia. A dependência permite um pragmatismo vantajoso.

Sua extensão dependerá de quem guia as decisões estratégicas, quais projetos industriais são abandonados e quais concessões são apresentadas como inevitáveis. O comerciante pode continuar vendendo para a China enquanto o governante oferece as chaves da casa aos Estados Unidos.

A tragédia, então, recai sobre aqueles que precisam vivenciá-la e combatê-la. Compartilhar alimentos, cultivar a terra, aprender e praticar a solidariedade transforma aqueles que participam. Nessas experiências, aprende-se a reconhecer uma força comum e a intervir em condições que, isoladamente, parecem imutáveis. O psicólogo Josué Veloz Serrade, na publicação cubana La Tizza, distingue entre resiliência, que se adapta ao fato consumado, e resistência, que o confronta. Quando a adaptação se torna uma obrigação, a injustiça assume a naturalidade da chuva: tudo o que resta é aprender a não se molhar.

A resistência devolve à tempestade os responsáveis e sua história. A sobrevivência muitas vezes exige adaptação; o problema começa quando a capacidade de suportar substitui a vontade coletiva de transformar. A emancipação precisa começar a ser vivida enquanto se luta para mudar o mundo.

A defesa eleitoral de Lula tem uma urgência que nenhuma crítica pode negar, mas tampouco pode depositar em um único líder todo o poder que ainda precisa ser construído. Uma vitória ofereceria tempo e melhores condições; uma derrota tornaria os caminhos mais árduos. A necessidade de reunir o que a precariedade, o medo, o mercado e a competição separaram persistirá.

O oráculo contemporâneo trabalha para fazer com que as pessoas aceitem o atual equilíbrio de poder como seu destino. Essa autoridade deve ser contestada nas urnas e no cotidiano, onde uma necessidade compartilhada pode ser transformada em organização. O inferno se alastrou. Sua eternidade permanece apenas uma alegação de seus administradores.

*Emilio Cafassi é professor sênior de sociologia na Universidade de Buenos Aires. Autor, entre outros livros, de Olla a presion: Cacerolazos, piquetes y asambleas sobre fuego argentino (Libros del Rojas). [https://amzn.to/442vaxw]

Tradução: Artur Scavone.

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