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Escala 6×1 entra na pauta, mas vitória da extrema direita coloca projeto em dúvida

Aliados ao Palácio do Planalto já admitem nos bastidores que o avanço da bancada de extrema direita no Congresso Nacional tornou a aprovação do texto inviável no momento


Da Forum, 5 de outubro 2026
Por: Julinho Bittencourt- 



Mobilização pelo fim da escala 6x1 -
Foto: Letycia Bond/Agência Brasil


AProposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 entra na pauta do Plenário do Senado nesta terça-feira (6), mas o cenário de votação sofreu uma reviravolta política drástica após o resultado do primeiro turno das eleições gerais, realizado neste domingo (4).

Embora o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), tenha pautado três sessões consecutivas de debates para esta semana, parlamentares aliados ao Palácio do Planalto já admitem nos bastidores que o avanço da bancada de direita no Congresso Nacional tornou a aprovação do texto inviável no momento.

Calendário mantém debates, mas votação é incerta

De acordo com o rito legislativo do Senado, são necessárias cinco sessões de discussão em Plenário antes que uma PEC possa ser submetida à votação em primeiro turno. O cronograma oficial prevê debates nas tardes de terça (6), quarta (7) e quinta-feira (8).


A estratégia inicial do governo era concluir essa etapa inicial e pautar a votação definitiva para a semana seguinte, aproveitando o período que antecede o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Contudo, interlocutores do governo avaliam que o desenho das urnas neste domingo alterou profundamente a correlação de forças na Casa, esvaziando o ímpeto governista para forçar a votação agora.

O cálculo político de Alcolumbre e a resistência da direita

Apuração do Painel, da Folha de S.Paulo, aponta que o crescimento expressivo do Partido Liberal (PL) e de outras siglas conservadoras no Legislativo deve forçar um recuo estratégico. Aliados preveem que Davi Alcolumbre, de olho na sua campanha de reeleição à presidência do Senado, deve “tirar o pé do acelerador” para evitar atritos com a oposição e abrir canais de diálogo com o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A PEC 221/2019, que já obteve aval da Câmara dos Deputados e passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, propõe reduzir a jornada máxima de trabalho dos atuais 44 para 40 horas semanais. Na prática, a medida extingue a atual escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1), determinando que o trabalhador tenha direito a dois dias de repouso semanais (escala 5×2).

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