Do Brasil 247, 26 de outubro de 2026
Por Otávio RossoPublicado em 26 de outubro de 2026
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Celso Amorim Crédito: Vinicius Loures/ Câmara dos Deputados |
247 – O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta segunda-feira (26) que os Estados Unidos não podem se opor ao resultado das eleições brasileiras, que garantiram a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração ocorre diante do silêncio do presidente americano, Donald Trump, que ainda não se pronunciou sobre a vitória do petista no segundo turno, realizado no domingo (25).
Em entrevista ao jornal O Globo, Amorim minimizou a ausência de uma manifestação oficial da Casa Branca e ressaltou que o Brasil pretende preservar as relações diplomáticas com Washington, mas sem aceitar interferências externas ou abrir mão de sua soberania.
“Não existe isso de reconhecimento de governo. A não ser que haja manifestação em contrário, isso não preocupa. O mundo todo já fez manifestação. Os EUA não podem se opor ao resultado eleitoral. O Brasil é um país independente e vai ter boas relações com os EUA, como nós queremos, mas depende também do que eles fizerem”, afirmou Amorim.
A manifestação do ex-chanceler ocorre em um momento de tensões entre Brasília e Washington, especialmente em razão das sanções americanas contra autoridades brasileiras e das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Durante a campanha eleitoral, Trump demonstrou simpatia pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial. Embora não tenha declarado apoio explícito a nenhum dos candidatos desde o primeiro turno, o presidente americano classificou como uma “grande vitória” o desempenho de Flávio na votação de 4 de outubro, quando o parlamentar terminou à frente do petista.
O posicionamento do governo americano sobre o processo eleitoral brasileiro também provocou questionamentos nos Estados Unidos. Parlamentares do Partido Democrata cobraram garantias de que Washington respeitaria o resultado das urnas.
Em resposta, o Departamento de Estado afirmou apoiar eleições livres e justas, mas não assumiu expressamente o compromisso de respeitar o resultado da votação brasileira.
“Não somos colônia”, afirma Amorim
Ao comentar a posição internacional do Brasil após a reeleição de Lula, Amorim reforçou que o país não deve se submeter a pressões de governos estrangeiros.
“Não somos colônia. Somos uma fortaleza da democracia progressista da América Latina, com democracia voltada para justiça social, dignidade e combate ao crime por meios apropriados”, declarou.
A avaliação do assessor especial é que a vitória de Lula fortalece a posição do Brasil como referência democrática na América Latina, especialmente diante das disputas políticas e ideológicas que atravessam a região.
Amorim também indicou que a disposição brasileira para manter boas relações com os Estados Unidos não significa aceitar qualquer postura da administração Trump. Segundo ele, a continuidade de um relacionamento positivo entre os dois países depende também das decisões tomadas por Washington.
Líderes internacionais reconhecem vitória de Lula
Enquanto Trump permanece em silêncio, diversos chefes de Estado já cumprimentaram Lula pela reeleição, incluindo dirigentes de direita que mantêm diferenças políticas com o governo brasileiro.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, telefonou ao petista para parabenizá-lo pelo resultado eleitoral. Apesar de sua proximidade ideológica com a família Bolsonaro, Kast tem buscado construir uma relação pragmática com o governo brasileiro.
Também enviaram congratulações os presidentes Rodrigo Paz, da Bolívia, Santiago Peña, do Paraguai, e José Raúl Mulino, do Panamá, todos identificados com a direita.
Outros líderes internacionais, como o presidente russo, Vladimir Putin, o francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, também cumprimentaram Lula. Representantes da China igualmente se manifestaram após a eleição.
Além de Trump, o presidente argentino Javier Milei ainda não havia se pronunciado sobre o resultado eleitoral no momento da reportagem.
Lula foi reeleito com mais de 64 milhões de votos
O presidente Lula conquistou um novo mandato no domingo (25), ao receber 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, segundo os dados eleitorais divulgados.
A vitória ocorreu após uma disputa polarizada com Flávio Bolsonaro, que havia terminado o primeiro turno à frente do presidente, mas não conseguiu manter a liderança na votação decisiva.
Com a reeleição, Lula terá pela frente o desafio de governar um país politicamente dividido e administrar as relações com governos estrangeiros de diferentes orientações ideológicas.

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