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MPF pede suspensão de licenças de mineradoras de terras raras em MG

Órgão exige laudo radiológico federal para resíduos em projetos que ameaçam comunidades tradicionais no Sul de Minas


Do GGN, 8 de setembro 2026
Por Ana Gabriela Sales



Terras raras - Poços de Caldas

O Ministério Público Federal (MPF) em Poços de Caldas (MG) acionou a Justiça para suspender o licenciamento ambiental de dois grandes projetos de exploração de terras raras no Sul do estado. A medida atinge as mineradoras australianas Viridis e Meteoric, responsáveis, respectivamente, pelos projetos Colossus, em Caldas, e Caldeira, em Poços de Caldas. As informações foram divulgadas pela jornalista Tânia Malheiros em seu blog.

A ação civil pública contesta a condução do processo pelo governo estadual e aponta riscos de contaminação radioativa e impacto social sobre populações tradicionais da região.

Falta de laudo técnico federal e risco radioativo


O ponto central da contestação do MPF é a atuação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). O órgão ministerial exige que a autarquia federal apresente um parecer técnico conclusivo, e não meramente preliminar, sobre a atividade radiológica total dos resíduos e efluentes gerados pelas operações.

Estudos apresentados no processo indicam que o método de lixiviação usado para separar as terras raras manipula minérios com presença de urânio (U-238) e tório (Th-232). Em amostras do projeto da Meteoric, a atividade radiológica registrou até 13,74 Bq/g, valor que ultrapassa o limite nacional de controle estabelecido pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

O MPF criticou a postura da ANSN de abrir mão de sua competência regulatória em prol do sistema ambiental mineiro (Semad). Para o Ministério Público, a autarquia incorre em contradição ao emitir notas que isentam os projetos de controle radiológico estrito ao mesmo tempo em que admite a necessidade de estudos complementares no futuro. Segundo o órgão, essa atitude “transfere indevidamente o risco da atividade nuclear para a coletividade“.

Impacto social e vício de competência


Além dos riscos radiológicos, a ação busca garantir a proteção do Quilombo de Barreirinhos, de famílias ciganas do Povo Calon e de comunidades indígenas da região, assegurando que não ocorram danos ambientais e sociais irreparáveis.

O MPF defende ainda a paralisia do licenciamento por vício de competência. Como os empreendimentos manipulam material radioativo e geram impactos hídricos que podem ultrapassar as divisas estaduais, o órgão entende que a atribuição de licenciar a atividade é exclusiva do Ibama e da União, e não do governo estadual.

A ação foi protocolada em conjunto com diversas entidades da sociedade civil, incluindo o Instituto Guaicuy, a Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (N’Golo), a Aliança em Prol da APA Pedra Branca, a Associação Poços Sustentável, o Planeta Solidário, a Associação Anjos de Focinho de Vargem Grande do Sul e a Bikers Mogiana.

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