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Fascismo do fim dos tempos

Do A Terra É Redonda, 23 de setembro 2026
Por NAOMI KLEIN & ASTRA TAYLOR*



Imagem: Immo Wegmann
Impulsionado por crises climáticas e inovações tecnológicas desreguladas, o novo extremismo abandona a promessa de prosperidade coletiva para vender a sobrevivência de poucos

1.

Neste verão, à medida que o calor implacável e a seca faziam baixar seus níveis de água, o Danúbio começou a revelar seus segredos. Como se fossem monstros surgindo da lama do tempo, começaram a aparecer destroços afundados da Segunda Guerra Mundial.

Na Sérvia, ao secar, o rio deixou à mostra pelo menos 20 navios nazistas, alguns deles ainda carregados de munição não detonada. Na Hungria, revelou uma motocicleta militar nazista coberta de lama quente, ao lado das medalhas e placas de identificação enferrujadas de dois soldados alemães. Na Eslováquia, um transeunte avistou, no rio quase inexistente, uma enorme bomba de 680 quilos lançada pela Royal Air Force. As autoridades tiveram que transportar com cuidado a arma, que estava submersa há mais de 80 anos, e detoná-la no subsolo, a grande profundidade.

Muitos observadores têm a sensação de que estas aparições fantasmagóricas e ameaçadoras do passado da Europa são, mais do que uma curiosidade histórica, uma metáfora demasiado literal: a maneira que a natureza tem de confirmar a frase de William Faulkner de que “o passado nunca morre. Nem mesmo é passado”.

A impressão de que a história se repete está baseada em muitos fatos. Ao longo de todo o Danúbio, na última década, houve um auge da nostalgia por uma época em que a “civilização europeia” dominava de forma absoluta, e cada nova onda da extrema-direita flerta, com mais descaramento do que a anterior, com políticas e slogans raciais que se supunha terem sido enterrados com o fim do Terceiro Reich.

A magnitude desse renascimento ficou evidente no início de 2025, na Conferência de Segurança de Munique. Lá, o vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, recém-empossado, repreendeu os líderes europeus por manterem uma barreira política que isolava partidos de extrema-direita antes intocáveis. Além disso, ele fez de tudo para reunir-se com o partido alemão Alternativa para a Alemanha (AfD), que divulgou propostas para a “remigração” de grandes quantidades de pessoas e cujo antigo co-líder chegou a dizer que a época nazista não passava de um “cocô de pássaro” na história do país. Em setembro deste ano, o partido obteve um avanço eleitoral histórico na Saxônia-Anhalt, conquistando 43,8% dos votos.

Mais a leste, às margens do Danúbio, o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), fundado em 1956 por um ex-funcionário nazista, goza da maior popularidade de sua história, e Walter Rosenkranz, membro de destaque do partido, ocupa o segundo cargo mais importante do país. No ano passado, o chefe de gabinete de Rosenkranz teve que renunciar quando se soube que uma investigação oficial sobre os “Separatistas Saxões”, de extrema-direita, tinha descoberto um estoque de munição e parafernália nazista numa propriedade ligada a ele, embora ele tenha negado morar lá.

2.

Por coincidência, o grupo que está no centro da polêmica tem as iniciais “SS”, assim como por coincidência Elon Musk, defensor ferrenho da AfD e de outros grupos da extrema-direita europeia, expressou sua gratidão aos eleitores de Donald Trump em janeiro de 2025 com um gesto que muitos interpretaram como uma saudação nazista. (Elon Musk minimizou as críticas e publicou em sua plataforma X: “Francamente, vocês precisam de truques melhores. A crítica de que ‘todo mundo é Hitler’ está muuuito batida”).

Assim como os navios de guerra naufragados que estão vindo à tona à medida que o nível do Danúbio baixa, o fascismo parece estar ressurgindo na Europa, nos Estados Unidos e em outros países. No entanto, depois de termos acabado de escrever um livro sobre as características distintivas do fascismo contemporâneo, não nos agradam muito as comparações históricas lineares. Pelo contrário, se quisermos compreender a extrema-direita atual, seria melhor não nos limitarmos às relíquias enferrujadas e prestarmos mais atenção à seca alarmante do leito do rio.

O fascismo sempre aparece em épocas de crises agudas. Foi o que aconteceu, sem dúvida, com Benito Mussolini e Adolf Hitler quando abriram caminho à força até o poder. A Primeira Guerra Mundial tinha ceifado a vida de milhões de pessoas, destruído economias e lotado as cidades de órfãos, viúvas e veteranos mutilados que viviam na pobreza.

No entanto, ver hoje sistemas fluviais tão poderosos e importantes submetidos a uma pressão semelhante (enquanto, a milhares de quilômetros, inundações glaciais arrasam vilarejos inteiros) lembra-nos que as crises atuais são muito diferentes das que, há um século, levaram as populações a buscar líderes autoritários e bodes expiatórios. Hoje, elas têm uma escala mais planetária e, consequentemente, uma dimensão mais existencial e apocalíptica.

Hitler e Mussolini demonstraram que estavam dispostos a desencadear uma violência monstruosa e ilimitada. Mas ambos morreram antes do famoso Teste Trinity, o primeiro teste nuclear: eles não conheceram um mundo em que os seres humanos controlassem o poder das armas nucleares. Também não sabiam que os escapamentos e as chaminés poderiam alterar a química do nosso planeta. Nem aqueles ditadores podiam imaginar que um único cidadão pudesse possuir mais riqueza e poder tecnológico do que a grande maioria dos países.

Os fascistas de hoje não conheceram um mundo sem essas armas e esses perigos de dimensão planetária e construíram sua ideologia violenta paralelamente a isso.

Tal fato, por si só, significa que não estamos diante de uma repetição do autoritarismo histórico. Trata-se, antes, de uma continuação que nos leva a todos a cenários nos quais nunca tínhamos estado. Esse novo e assustador fenômeno é o que chamamos de “fascismo do fim dos tempos”.

Na década de 1950, após escapar dos nazistas, o filósofo judeu-alemão Günther Anders refletia em seus escritos sobre a mudança drástica introduzida pela era atômica: “Como somos os primeiros seres humanos responsáveis pelo apocalipse, também somos os primeiros a viver sob sua ameaça”. Pela primeira vez, observou ele, estava em jogo a perspectiva da extinção humana, do omnicídio. “Todas as outras supremacias representavam uma ameaça parcial; aniquilavam apenas entidades concretas: ‘apenas’ seres humanos, ‘apenas’ cidades, ‘apenas’ reinos, ‘apenas’ culturas; mas nós continuávamos nos livrando disso (se interpretarmos que esse ‘nós’ significa a humanidade)”.

3.

Hoje, essas garantias não existem, sobretudo porque a inteligência artificial agrava uma série de riscos existenciais: entre outras coisas, consome quantidades enormes de energia que contribuem para o aquecimento global, facilita níveis de concentração de riqueza que colocam a democracia em risco e aumenta a ameaça de uma tecnologia incontrolável.

Há 30 anos, o filósofo e teórico italiano Umberto Eco – que viveu durante o regime de Benito Mussolini na Itália – observou que o fascismo sempre tem “um complexo de Apocalipse” e explicou que, “se for preciso derrotar os inimigos, deverá haver uma batalha final, após a qual o movimento terá o controle do mundo”.

Mas, como Günter Anders compreendia, embora a violência que os fascistas exerciam contra os grupos marginalizados de seu próprio país e contra seus inimigos externos fosse, de fato, apocalíptica, mais do que o verdadeiro fim do mundo, o que eles estavam imaginando era a destruição de partes concretas dele. Em geral, eles previam um futuro em que as guerras terminariam e surgiria uma entidade nacional purificada, rica e estável.

É importante destacar que essa promessa de um futuro estável não era apenas para os ricos, mas também para a classe trabalhadora. Os nazistas prometiam a seus seguidores arianos terras agrícolas confiscadas dos eslavos e casas confiscadas dos judeus, conectadas por infraestruturas novas e sólidas, construídas graças a gigantescas obras públicas. Era um sonho terrível e sanguinário, mas, para os membros do grupo ao qual se dirigiam, trazia benefícios tangíveis.

É isso que diferencia completamente Donald Trump e os demais líderes de extrema direita de sua órbita de predecessores. Durante as campanhas eleitorais, exibem-se diversas promessas de uma era de ouro: o retorno ao emprego industrial dos anos 1950, com esposas tradicionais e filhos obedientes esperando em casa, ou a esperança de que as criptomoedas deem asas à liberdade econômica. Mas dá a impressão de que os robôs querem monopolizar os empregos e, além de enriquecerem esplendidamente a família Trump, as criptomoedas também não estão se mostrando o que se esperava.

Enquanto isso, não parece que os políticos e as elites empresariais que sustentam o fascismo do fim dos tempos tenham qualquer plano para um futuro ao alcance daqueles que não são ricos. Em vez disso, eles preveem “tempos difíceis” permanentes, como disse certa vez o diretor executivo da Palantir, Alex Karp, e imaginam um mundo em que grupos relativamente pequenos sobreviverão, protegendo a si mesmos e sua riqueza em meio ao caos, aos conflitos e aos desastres sucessivos.

Ou seja, o fascismo do fim dos tempos oferece pouco mais do que a oportunidade de acreditar numa de suas visões de sobrevivência entrincheirada. Talvez essa visão seja o sonho de fundir-se com máquinas “superinteligentes” para não fazer parte do que os programadores do Vale do Silício já chamam naturalmente de “classe marginal permanente”. Talvez seja a ideia de manter “os nossos” a salvo dentro de um Estado-nação racialmente purificado, fortificado e protegido contra os necessitados num mundo em chamas. Talvez seja (se a pessoa for rica o suficiente) uma vaga em um dos foguetes de Elon Musk e um chip da Neuralink, já que ele afirma querer salvaguardar o destino de nossa espécie transformando-nos em “multiplanetários”. Em nenhum desses casos não se considera nem o destino deste mundo nem a possibilidade de um futuro compartilhado e sustentável.

4.

É preciso deixar claro que o fascismo do fim dos tempos não é um bloco monolítico; o fascismo é sempre muito mais caótico. Na verdade, trata-se de uma aliança conflituosa e perigosa entre três grandes facções: os fundamentalistas religiosos, os defensores da aceleração tecnológica e os etnonacionalistas militantes.

Não faz muito tempo, a visão verdadeiramente apocalíptica do mundo era patrimônio exclusivo dos recônditos mais marginais da direita religiosa. Seus teocratas e crentes sinceros examinavam a atualidade em busca de sinais de que o dia do Juízo Final se aproximava, convencidos de que seriam levados para o céu enquanto os restos da civilização humana afundavam no caos e no Armagedom.

Agora, esses extremistas conseguiram tornar-se uma força de peso nos governos dos Estados Unidos e de Israel, onde exercem uma política de conflito militar estratégico com o objetivo de cumprir o que consideram uma profecia bíblica. Durante uma entrevista recente para um podcast evangélico, D. J. Vance refletiu sobre a possibilidade de que suas ações pudessem provocar “o fim dos tempos” e confessou que não ficaria “surpreso se o Anticristo estivesse entre nós”; exatamente o que diz seu patrocinador e mentor, Peter Thiel.

Na verdade, o Vale do Silício está impregnado de uma atitude messiânica e milenarista, e os gigantes da tecnologia competem para criar divindades digitais que, segundo dizem, ou trarão a terra prometida ou destruirão tudo. (Sam Altman disse certa vez que a inteligência artificial “provavelmente, quase com toda segurança, provocará o fim do mundo, mas, enquanto isso, haverá empresas fantásticas”). Um niilismo muito semelhante é o que sustenta a obsessão pelas “invasões” nas fronteiras e a ideologia da “grande substituição”, bem como a afirmação apocalíptica de que a imigração é uma forma de “suicídio” e de “apagamento” cultural (que é a única parte dessa aliança com verdadeiro apelo para as massas).

É notável que, em todas essas visões isolacionistas, não haja nenhum plano para abordar seriamente as razões de nossas crises coletivas mais prementes; ao contrário, parece haver certo empenho em acelerar a catástrofe em todas as frentes.

E isso nos leva de volta a este verão europeu de calor e seca sem precedentes. Durante o mesmo verão brutal que trouxe à tona essas relíquias nazistas, a Europa registrou um excedente de mortalidade de 16 mil pessoas em apenas uma semana, e enormes extensões do continente foram consumidas pelas chamas, com o consequente deslocamento de centenas de milhares de residentes. Enquanto os espanhóis fugiam em busca de segurança, Santiago Abascal, líder do partido de extrema direita espanhol Vox, apontou o dedo para o “fanatismo climático” e para a corrupção governamental que, segundo ele, teriam facilitado os incêndios.

5.

Santiago Abascal também se apressou em mudar de assunto e desviar a atenção das catástrofes climáticas que os europeus estavam enfrentando para a suposta emergência migratória no norte da África. Ele classificou falsamente as dezenas de milhares de migrantes que entraram em Ceuta no final de julho como um “exército invasor” dedicado a violar e saquear (sem levar em conta que Ceuta faz parte da Espanha apenas devido a séculos de verdadeiras invasões, nem que quase todos os migrantes foram devolvidos ao Marrocos quase imediatamente, embora muitos tenham se afogado durante a tragédia).

Santiago Abascal contou com o apoio do coro da direita mundial, no qual estavam todos, desde Donald Trump até o presidente argentino, Javier Milei, alimentando um clima de pânico e histeria em torno do espetáculo de Ceuta, que desencadeou protestos contra os imigrantes na Espanha.

É uma estratégia que já conhecemos: Donald Trump sempre fala da “invasão” iminente como parte fundamental de suas campanhas eleitorais. José Antonio Kast, o presidente chileno eleito em março, prometeu durante a campanha construir trincheiras e muros nas fronteiras com a Bolívia e o Peru. Marine Le Pen, que hoje desfruta de um retorno talvez imparável na França, atacou em 2019 os imigrantes e disse que eram uns “nômades” que “não se importam com o meio ambiente; não têm pátria”.

Tudo isso nos leva a pensar que o fascismo do fim dos tempos – com suas fronteiras fortificadas, sua ajuda externa dizimada e sua obsessão por se apoderar dos recursos ocultos sob o gelo que derrete na Groenlândia – é talvez uma forma distorcida e sádica de adaptação às mudanças climáticas. Agora que a realidade do aquecimento global já é inegável, a única coisa que resta para negar é a humanidade de nossos semelhantes. De que outra forma, afinal, se poderia justificar que deixemos tantas pessoas morrerem de fome nas terras áridas da Somália, ou que se afoguem tentando sobreviver na costa do norte da África, ou que morram nos centros de detenção do ICE nos Estados Unidos?

Estudos demonstram que os partidos de extrema direita atraem, em especial, os jovens do sexo masculino. Eles fazem parte de uma geração que teme nunca conseguir ter uma casa própria, mas que se consola com o prazer de irritar os progressistas por meio de provocações constantes na internet. Convencidos de que lhes roubaram o futuro, compartilham memes que apresentam uma imagem romântica dos autoritarismos históricos.

Assim como os teóricos da conspiração não têm razão sobre os dados, mas acertam nas emoções, os fascistas do fim dos tempos sabem conectar-se com sentimentos profundamente arraigados de insegurança e mal-estar, incluindo a estranheza de um mundo em que as estações do ano se confundem e fica cada vez mais difícil distinguir o real do falso. Dizem-nos que a razão pela qual já não reconhecemos nossas cidades é a quantidade de lanchonetes de kebab e minaretes e os imigrantes que vêm para “nos substituir”, e não, por exemplo, os padrões climáticos irreconhecíveis, nem os executivos do setor de tecnologia que têm tanta pressa em substituir-nos por robôs e invocar suas divindades digitais.

6.

Por sua vez, os líderes da extrema direita enxergam o lado positivo de toda essa incerteza e desorientação. Eles compreendem muito bem como a política reacionária prospera em períodos de instabilidade e conflito, e como a precariedade pode levar as pessoas a voltarem-se umas contra as outras enquanto se agarram, cada vez com mais desespero, a qualquer migalha de proteção e privilégio que possuam.

Há um século, surgiram dinâmicas semelhantes com consequências desastrosas em toda a Europa. Por outro lado, os Estados Unidos, diante de crises igualmente graves, seguiram um caminho diferente. Enquanto o país se recuperava com esforço da Grande Depressão e os demagogos racistas encontravam um público receptivo, os sindicalistas e os líderes políticos construíram uma alternativa.

Franklin Delano Roosevelt defendeu que o Congresso deveria aumentar os gastos públicos para combater o fascismo no país. “A democracia” – disse ele num discurso radiofônico – “desapareceu em outras grandes nações, não porque os cidadãos dessas nações não gostassem da democracia, mas porque se cansaram do desemprego e da insegurança, de ver seus filhos passando fome enquanto eles ficavam paralisados e impotentes diante da confusão e da fraqueza do governo, por falta de liderança.

No fim, desesperados, preferiram sacrificar a liberdade na esperança de ter algo para comer”. O New deal ajudou a tirar força dos extremistas políticos, pois promoveu a estabilidade e atendeu às necessidades reais do povo.

Como vimos, a história não se repete num ciclo infinito. No entanto, a lição fundamental de Franklin Delano Roosevelt continua válida: não é possível enfrentar a ameaça fascista sem combater as causas materiais reais que tornam mais difícil para as pessoas resistirem a líderes autoritários e bodes expiatórios. Hoje, essas causas têm um aspecto diferente daquele da década de 1930.

É claro que continuamos precisando financiar generosamente os serviços essenciais que atendem às necessidades básicas da vida e investir em empregos bem remunerados e socialmente produtivos. Mas, além disso, devemos fazê-lo sem deixar de enfrentar os riscos existenciais globais que definem nossa época: as mudanças climáticas, as armas nucleares, a inteligência artificial generativa e a riqueza e o poder sem controle.

As pessoas já estão pressionando para que esse tipo de solução seja adotado. Vemos isso na rápida expansão do movimento que exige uma governança democrática da inteligência artificial e que está conseguindo paralisar a construção de centros de dados até que essa governança seja realidade; nas campanhas mundiais para cobrar mais impostos dos bilionários e até mesmo estabelecer um limite à riqueza; e no número histórico de políticos estadunidenses que votam a favor da suspensão do envio de armas a Israel e se opõem à escalada do conflito no Irã.

Também vemos isso no interesse renovado pela ação climática por parte dos candidatos rebeldes do Partido Democrata, defensores de um New deal verde e de um sistema de saúde universal.

Ainda há um longo caminho a percorrer até que tenhamos respostas proporcionais às crises que enfrentamos, mas cada vez mais pessoas comuns e líderes políticos estão conscientes de algo simples e urgente: que a melhor maneira de ajudar seus vizinhos a resistir ao apelo do fascismo apocalíptico é melhorar suas vidas aqui e agora.

*Naomi Klein é jornalista e ativista. Autora, entre outros livros, de A doutrina do choque: a ascensão do capitalismo do desastre (Nova Fronteira). [https://link.amazon/B0iedhG0B]

*Astra Taylor é documentarista, escritora e ativista. Autora, entre outros livros, de The age of insecurity: coming together as things fall apart (House of Anansi Press). [https://amzn.to/3YF450R]

Tradução: Fernando Lima das Neves.

Publicado originalmente no jornal The Guardian.

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