Por Miguel do Rosário
Quando o áudio de Nikolas Ferreira para Daniel Vorcaro vazou, em 3 de setembro, muita gente se perguntou qual o interesse de Nikolas em se arriscar a cometer um crime só para pedir um favor a um amigo.
Com o passar dos dias, ficou mais claro.
Com o passar dos dias, ficou mais claro.
O amigo, Thiago Rodrigues de Faria, ganharia milhões de reais em comissão se o negócio saísse. Se Nikolas ganharia a comissão da comissão, ainda não podemos saber, mas é uma suspeita plausível.
Faria é advogado pessoal de Nikolas e, na época do áudio, era secretário parlamentar do gabinete dele, com salário de R$ 17 mil pago pela Câmara. Trabalhava no negócio para a Gmais Ambiental, que em 2023 arrendou com opção de compra a lavra da Topázio Imperial Mineração, em Rodrigo Silva, distrito de Ouro Preto.
Em janeiro de 2025, segundo o Estado de Minas, que teve acesso ao inquérito da Operação Rejeito, a Gmais contratou o escritório de Faria para achar quem comprasse a lavra por até US$ 45 milhões, R$ 250 milhões. A comissão total seria de 20% do preço, R$ 50 milhões no teto, e o escritório de Faria ficaria com um quarto dela, ou seja, 5% da venda, até R$ 12,4 milhões.
Dois meses depois, no domingo 30 de março de 2025, Nikolas gravou o áudio para o banqueiro. As mensagens, extraídas do celular apreendido de Vorcaro, foram reveladas pela jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, em 3 de setembro.
“Ei Dani, tudo bom? Desculpa te incomodar num domingo, é jogo rápido.” O deputado emenda: “Meu amigo, meu advogado, enfim, irmão meu aqui, comentou comigo e falou do seu nome. Ele falou, cara, tô com um ativo minerário lá, inclusive já passou pela ficha técnica, o pessoal técnico dele, enfim, tá pendente lá.”
Nikolas pede que Vorcaro receba Faria e aproveita para se desculpar por ter criticado, um ano antes, um evento do Master em Londres com ministros do Supremo.
Vorcaro responde “estamos na guerra juntos”. Em 1º de abril Nikolas avisa que Faria estará em Brasília, e no dia seguinte o banqueiro escreve “deixa comigo”.
Um ano depois, em março de 2026, quando a PF entregou à CPMI do INSS a agenda do celular de Vorcaro com o seu número, Nikolas disse à Folha que nunca havia encontrado o banqueiro e que não se lembrava de ter falado com ele por telefone ou mensagem. Em setembro, com o áudio na rua, a versão mudou de forma. “Eu nunca neguei que tinha falado com Vorcaro. Nunca falei porque elas são irrelevantes.”
O contato, explicou, veio em 2023 do pastor André Valadão, da Lagoinha, amigo dos dois. “Nunca salve o contato com o nome que a pessoa mandou, porque o pastor Valadão me mandou o contato como Dani Vorcaro, e eu achei que o nome dele era Dani.”
Sobre o pedido, Nikolas admitiu ter “feito a ponte”, mas disse que a demanda era do advogado. “Eu não faço parte dessa putaria de Brasília, eu não recebi um tostão do Vorcaro e nunca encontrei com ele.” Confirmou ainda que o banqueiro ajudou na logística dos voos de sua campanha em 2022, quando, segundo ele, não havia suspeita pública sobre o nome de Vorcaro.
Faria confirmou tudo isso em nota, na qual disse que representava um direito minerário e que, ao saber do interesse do grupo de Vorcaro no setor, “apresentou a oportunidade a ele e a seus advogados”.
Vorcaro tinha interesses convergentes com os do amigo de Nikolas. As lavras arrendadas pela Gmais estão rodeadas por projetos comprados ou financiados pelo dono do Banco Master e por gente da sua órbita, como revela o cruzamento dos títulos minerários da Agência Nacional de Mineração com as carteiras dos fundos na CVM, o cadastro da Receita Federal, os registros das juntas comerciais. Essa é uma das informações apuradas com exclusividade pelo Cafezinho.

A lavra da Topázio Imperial e os direitos minerários ao redor dela em 2025, segundo a ANM. As distâncias são medidas entre os limites das áreas. Proximidade não é operação conjunta comprovada. Fontes: ANM, CVM, Folha, PF via imprensa. Elaboração: O Cafezinho
No centro de toda a história está a lavra da Topázio Imperial, sete concessões em 725 hectares, incluindo a maior mina de topázio imperial do mundo e uma concessão de 1936 que registra ferro e manganês. A oeste, a 4,5 quilômetros, e a sudeste, a 7 quilômetros, ficam quatro áreas de pesquisa de minério de ferro da 3D Minerals, empresa da família Wanderley, dona da construtora Cowan.
Segundo a Folha, a 3D foi criada em junho de 2024 com R$ 5 mil de capital, venceu o leilão da ANM 46 dias depois e pagou a conta com R$ 152,9 milhões emprestados pelo Master em novembro daquele ano, com metade das cotas da empresa dadas em garantia ao banco.
Os Wanderley são sócios antigos de Vorcaro. O fundo que controlava a mineradora do banco na Serra do Curral nasceu como fundo da própria Cowan e foi absorvido pela cadeia do Master, numa arquitetura que A Investigação resumiu assim, o banco estruturava e controlava os veículos, e a família operava.
Em outubro de 2025, um mês depois da Operação Rejeito, a 3D pediu à ANM mais uma área de ferro em Ouro Preto.
A nordeste, na Serra do Botafogo, a cinco e sete quilômetros, operam a Patrimônio Mineração e a HG Mineração, ambas do grupo do ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages, o mesmo núcleo que, segundo a Polícia Federal, comandava a Gmais.
Ao sul, a oito quilômetros, há uma concessão de bauxita da Empabra, mineradora de Lucas Kallas, acionista da Biomm ao lado de Vorcaro. A PF, na Operação Parcours, aponta Kallas como o empresário que mantinha “canal pessoal e privilegiado” com o presidente da ANM, Mauro Sousa, indiciado em junho e hoje relator dos 90 recursos da Topázio contra as multas da barragem.
A 60 quilômetros, na Grande Belo Horizonte, o padrão se repete em escala maior. A Tamisa, controlada em 93% pelo fundo do Master, divide a Serra do Curral com a Fleurs e a Gute, mineradoras do grupo de Lages, e com a Empabra de Kallas, enquanto a Itaminas, da qual Vorcaro comprou metade em novembro de 2024, fica ali perto, em Sarzedo.
A imprensa especializada registrou a saída do Master da Itaminas no fim de 2025, depois da liquidação do banco. Em 2019 a CPI da Mineração da Câmara de Belo Horizonte já estranhava que as quatro empresas da Serra do Curral agissem “em conluio”, e encontrou nas vistorias à área da Empabra materiais com a inscrição da Cowan.
A geologia explica por que tanto interesse naquele vale. A Topázio, a 3D e as minas da Serra do Botafogo repousam sobre a mesma dobra de rochas, o Sinclinal Dom Bosco, onde as camadas de ferro se estendem por dezenas de quilômetros. A Gerdau, vizinha imediata da Topázio e sem qualquer relação com o caso, tem ali 476 milhões de toneladas certificadas. Os interesses de Vorcaro na região aparecem no financiamento e no controle de lavras vizinhas (ver mapa).
Quando Nikolas gravou o áudio, em 30 de março de 2025, a Polícia Federal ainda não tinha desbaratado a quadrilha. A Operação Rejeito só viria em 17 de setembro.
Naquele dia estava em pleno andamento o que a PF descreveu depois como uma organização criminosa formada por um grupo de empresas, entre elas a Gmais, que subornava agências e funcionários, como se não houvesse amanhã, para liberar licenças e explorar minério de ferro em áreas tombadas e protegidas. Segundo a PF, o grupo era liderado por Lages e pelos empresários Alan Cavalcante e Helder Freitas, usava mais de 40 empresas, pagava servidores da Semad, da Feam, do Iepha e da ANM e lucrou pelo menos R$ 1,44 bilhão, na estimativa do Ministério Público Federal.
A Gmais, na descrição dos investigadores, era uma empresa de fachada comandada pelo lobista Gilberto Horta e pelo delegado da PF Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da corporação em Minas. Os dois foram presos em setembro e indiciados em junho deste ano.
O caso da Patrimônio Mineração ilustra o método, e ocorreu nas vésperas da ligação de Nikolas. Em fevereiro de 2025 a empresa, administrada por Felipe Lombardi Martins, o homem que segundo a PF carregava as malas de dinheiro do grupo, obteve da Feam a licença para minerar ferro na Serra do Botafogo, a cinco quilômetros da Topázio.
No dia 19 daquele mês o então presidente da Feam, Rodrigo Franco, mandou mensagem a Lages cobrando o valor combinado pelo “êxito da Patrimônio”. A PF calculou a propina em R$ 500 mil.
Assim que conseguiu a liberação, a empresa destruiu uma caverna, um crime ambiental terrível. Na tarde de 21 de março moradores da comunidade de Botafogo filmaram com um drone uma escavadeira avançando sobre uma gruta registrada no Iphan, omitida pela mineradora do relatório espeleológico entregue para o licenciamento.
Chamaram a Polícia Militar, que mandou parar as máquinas. Na madrugada seguinte a caverna foi soterrada por completo, os moradores fecharam a BR-356 em protesto, a Semad embargou a área em 26 de março e a Justiça de Ouro Preto suspendeu a mina em 4 de abril.
A Topázio não teve a mesma “sorte” da Patrimônio. Em 20 de fevereiro de 2025, um dia depois da mensagem de cobrança do presidente da Feam, a ANM embargou a barragem Água Fria, um reservatório de dois milhões de metros cúbicos de rejeito construído pelo método a montante, o mesmo de Mariana e Brumadinho, que a Topázio Imperial acumula desde os anos 1970 e nunca descaracterizou.
Em 24 de março, seis dias antes do áudio, a agência publicou oito novos autos de infração. Foi com a situação mais travada do que nunca que Faria procurou Vorcaro e Nikolas entrou no jogo para ajudar o amigo.
Segundo a PF, os capangas de colarinho branco de Lages sabiam destravar licenças por um método antigo, a distribuição de propinas às autoridades responsáveis pelo licenciamento. Foi assim, denunciam os policiais, que a Patrimônio obtivera a licença que acabou permitindo a destruição da caverna na serra vizinha.
A Topázio exigia algo muito mais difícil e mais caro. Uma barragem do tipo de Brumadinho não se resolve com um despacho. Ela demanda dezenas de milhões de reais em obras e um comprador com fôlego para assumi-la, apesar dos riscos de nunca ser liberada. Nos diálogos que a PF interceptou em 2023 Lages já falava em “assumir os danos da barragem”, enquanto Horta perguntava se ele e Teixeira iriam “ver a barragem”.
Apesar de o áudio de Nikolas não nomear a lavra, não demorou muito para todo mundo saber. O contrato de seu amigo Faria com a Gmais tratava exclusivamente da Topázio, o único direito minerário que ele estava contratado para vender naquele momento. Alguns meses depois da conversa entre Nikolas e “Dani”, a Gmais seria apontada pela PF, na Operação Rejeito, como empresa de fachada de uma organização criminosa que lucrou pelo menos R$ 1,44 bilhão com licenças compradas, segundo o Ministério Público Federal.
Cinco meses e meio depois do telefonema, a PF prendeu Horta, Teixeira e Lages. Faria se desligaria do gabinete de Nikolas seis meses mais tarde.
Nikolas Ferreira confirmou a autenticidade do áudio e disse que apenas fez uma ponte para um amigo, sem conhecer os detalhes do negócio e sem receber vantagem. Faria afirmou que o deputado só forneceu o contato e não participou de negociação. Disse ainda que as tratativas não avançaram e que foram encerradas quando vieram à tona as notícias sobre o banqueiro.
A Topázio Imperial ainda não é acusada. A defesa de Rodrigo Teixeira disse ao Estado de Minas, em setembro de 2025, que os fatos já haviam sido arquivados pela Corregedoria da PF em 2023.
Daniel Vorcaro, o Banco Master, a 3D Minerals e a família Wanderley nunca responderam às reportagens de fevereiro e julho de 2026 sobre o financiamento do banqueiro aos projetos minerários da região. A defesa de Lucas Kallas afirmou ao portal A Investigação que ele se desligou da Empabra em 2018 e contesta o termo “sócio” de Vorcaro.
Essas manifestações foram dadas anteriormente a outros veículos. O Cafezinho ainda não obteve resposta a perguntas próprias sobre o caso.
No centro de toda a história está a lavra da Topázio Imperial, sete concessões em 725 hectares, incluindo a maior mina de topázio imperial do mundo e uma concessão de 1936 que registra ferro e manganês. A oeste, a 4,5 quilômetros, e a sudeste, a 7 quilômetros, ficam quatro áreas de pesquisa de minério de ferro da 3D Minerals, empresa da família Wanderley, dona da construtora Cowan.
Segundo a Folha, a 3D foi criada em junho de 2024 com R$ 5 mil de capital, venceu o leilão da ANM 46 dias depois e pagou a conta com R$ 152,9 milhões emprestados pelo Master em novembro daquele ano, com metade das cotas da empresa dadas em garantia ao banco.
Os Wanderley são sócios antigos de Vorcaro. O fundo que controlava a mineradora do banco na Serra do Curral nasceu como fundo da própria Cowan e foi absorvido pela cadeia do Master, numa arquitetura que A Investigação resumiu assim, o banco estruturava e controlava os veículos, e a família operava.
Em outubro de 2025, um mês depois da Operação Rejeito, a 3D pediu à ANM mais uma área de ferro em Ouro Preto.
A nordeste, na Serra do Botafogo, a cinco e sete quilômetros, operam a Patrimônio Mineração e a HG Mineração, ambas do grupo do ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages, o mesmo núcleo que, segundo a Polícia Federal, comandava a Gmais.
Ao sul, a oito quilômetros, há uma concessão de bauxita da Empabra, mineradora de Lucas Kallas, acionista da Biomm ao lado de Vorcaro. A PF, na Operação Parcours, aponta Kallas como o empresário que mantinha “canal pessoal e privilegiado” com o presidente da ANM, Mauro Sousa, indiciado em junho e hoje relator dos 90 recursos da Topázio contra as multas da barragem.
A 60 quilômetros, na Grande Belo Horizonte, o padrão se repete em escala maior. A Tamisa, controlada em 93% pelo fundo do Master, divide a Serra do Curral com a Fleurs e a Gute, mineradoras do grupo de Lages, e com a Empabra de Kallas, enquanto a Itaminas, da qual Vorcaro comprou metade em novembro de 2024, fica ali perto, em Sarzedo.
A imprensa especializada registrou a saída do Master da Itaminas no fim de 2025, depois da liquidação do banco. Em 2019 a CPI da Mineração da Câmara de Belo Horizonte já estranhava que as quatro empresas da Serra do Curral agissem “em conluio”, e encontrou nas vistorias à área da Empabra materiais com a inscrição da Cowan.
A geologia explica por que tanto interesse naquele vale. A Topázio, a 3D e as minas da Serra do Botafogo repousam sobre a mesma dobra de rochas, o Sinclinal Dom Bosco, onde as camadas de ferro se estendem por dezenas de quilômetros. A Gerdau, vizinha imediata da Topázio e sem qualquer relação com o caso, tem ali 476 milhões de toneladas certificadas. Os interesses de Vorcaro na região aparecem no financiamento e no controle de lavras vizinhas (ver mapa).
Quando Nikolas gravou o áudio, em 30 de março de 2025, a Polícia Federal ainda não tinha desbaratado a quadrilha. A Operação Rejeito só viria em 17 de setembro.
Naquele dia estava em pleno andamento o que a PF descreveu depois como uma organização criminosa formada por um grupo de empresas, entre elas a Gmais, que subornava agências e funcionários, como se não houvesse amanhã, para liberar licenças e explorar minério de ferro em áreas tombadas e protegidas. Segundo a PF, o grupo era liderado por Lages e pelos empresários Alan Cavalcante e Helder Freitas, usava mais de 40 empresas, pagava servidores da Semad, da Feam, do Iepha e da ANM e lucrou pelo menos R$ 1,44 bilhão, na estimativa do Ministério Público Federal.
A Gmais, na descrição dos investigadores, era uma empresa de fachada comandada pelo lobista Gilberto Horta e pelo delegado da PF Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da corporação em Minas. Os dois foram presos em setembro e indiciados em junho deste ano.
O caso da Patrimônio Mineração ilustra o método, e ocorreu nas vésperas da ligação de Nikolas. Em fevereiro de 2025 a empresa, administrada por Felipe Lombardi Martins, o homem que segundo a PF carregava as malas de dinheiro do grupo, obteve da Feam a licença para minerar ferro na Serra do Botafogo, a cinco quilômetros da Topázio.
No dia 19 daquele mês o então presidente da Feam, Rodrigo Franco, mandou mensagem a Lages cobrando o valor combinado pelo “êxito da Patrimônio”. A PF calculou a propina em R$ 500 mil.
Assim que conseguiu a liberação, a empresa destruiu uma caverna, um crime ambiental terrível. Na tarde de 21 de março moradores da comunidade de Botafogo filmaram com um drone uma escavadeira avançando sobre uma gruta registrada no Iphan, omitida pela mineradora do relatório espeleológico entregue para o licenciamento.
Chamaram a Polícia Militar, que mandou parar as máquinas. Na madrugada seguinte a caverna foi soterrada por completo, os moradores fecharam a BR-356 em protesto, a Semad embargou a área em 26 de março e a Justiça de Ouro Preto suspendeu a mina em 4 de abril.
A Topázio não teve a mesma “sorte” da Patrimônio. Em 20 de fevereiro de 2025, um dia depois da mensagem de cobrança do presidente da Feam, a ANM embargou a barragem Água Fria, um reservatório de dois milhões de metros cúbicos de rejeito construído pelo método a montante, o mesmo de Mariana e Brumadinho, que a Topázio Imperial acumula desde os anos 1970 e nunca descaracterizou.
Em 24 de março, seis dias antes do áudio, a agência publicou oito novos autos de infração. Foi com a situação mais travada do que nunca que Faria procurou Vorcaro e Nikolas entrou no jogo para ajudar o amigo.
Segundo a PF, os capangas de colarinho branco de Lages sabiam destravar licenças por um método antigo, a distribuição de propinas às autoridades responsáveis pelo licenciamento. Foi assim, denunciam os policiais, que a Patrimônio obtivera a licença que acabou permitindo a destruição da caverna na serra vizinha.
A Topázio exigia algo muito mais difícil e mais caro. Uma barragem do tipo de Brumadinho não se resolve com um despacho. Ela demanda dezenas de milhões de reais em obras e um comprador com fôlego para assumi-la, apesar dos riscos de nunca ser liberada. Nos diálogos que a PF interceptou em 2023 Lages já falava em “assumir os danos da barragem”, enquanto Horta perguntava se ele e Teixeira iriam “ver a barragem”.
Apesar de o áudio de Nikolas não nomear a lavra, não demorou muito para todo mundo saber. O contrato de seu amigo Faria com a Gmais tratava exclusivamente da Topázio, o único direito minerário que ele estava contratado para vender naquele momento. Alguns meses depois da conversa entre Nikolas e “Dani”, a Gmais seria apontada pela PF, na Operação Rejeito, como empresa de fachada de uma organização criminosa que lucrou pelo menos R$ 1,44 bilhão com licenças compradas, segundo o Ministério Público Federal.
Cinco meses e meio depois do telefonema, a PF prendeu Horta, Teixeira e Lages. Faria se desligaria do gabinete de Nikolas seis meses mais tarde.
Nikolas Ferreira confirmou a autenticidade do áudio e disse que apenas fez uma ponte para um amigo, sem conhecer os detalhes do negócio e sem receber vantagem. Faria afirmou que o deputado só forneceu o contato e não participou de negociação. Disse ainda que as tratativas não avançaram e que foram encerradas quando vieram à tona as notícias sobre o banqueiro.
A Topázio Imperial ainda não é acusada. A defesa de Rodrigo Teixeira disse ao Estado de Minas, em setembro de 2025, que os fatos já haviam sido arquivados pela Corregedoria da PF em 2023.
Daniel Vorcaro, o Banco Master, a 3D Minerals e a família Wanderley nunca responderam às reportagens de fevereiro e julho de 2026 sobre o financiamento do banqueiro aos projetos minerários da região. A defesa de Lucas Kallas afirmou ao portal A Investigação que ele se desligou da Empabra em 2018 e contesta o termo “sócio” de Vorcaro.
Essas manifestações foram dadas anteriormente a outros veículos. O Cafezinho ainda não obteve resposta a perguntas próprias sobre o caso.
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