Por CIDOVAL MORAIS DE SOUSA*
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A concentração de recursos científicos no eixo Sul-Sudeste limita o potencial do conhecimento como vetor de redução das assimetrias regionais
Criado em 2008 pelo CNPq e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, o Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) foi concebido para agregar grupos de excelência em áreas de fronteira e temas estratégicos para o desenvolvimento sustentável do País, operando como redes cooperativas de caráter inter e transdisciplinar. Ao longo de mais de uma década, o Programa consolidou 104 institutos que articulam produção científica, formação avançada, internacionalização e interfaces com políticas públicas. Mas uma questão persiste: em que medida essa poderosa infraestrutura científica tem contribuído para reduzir as históricas assimetrias regionais brasileiras — e, em particular, para o desenvolvimento do Nordeste e outras regiões periféricas?
A Avaliação Estratégica dos INCTs, conduzida pelo CNPq em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) (relatório publicado em agosto de 2026), oferece evidências empíricas para responder a essa pergunta. O processo avaliativo integrou múltiplas fontes — formulários preenchidos pelos coordenadores, relatórios técnicos e uma base de aproximadamente 14 mil currículos da Plataforma Lattes — e contou com um comitê de 27 avaliadores distribuídos por sete grandes áreas do conhecimento. Seu desenho qualitativo, interpretativo e multidimensional, orientado à aprendizagem institucional e à transparência, permite capturar, além da produção científica, os efeitos sistêmicos, a inserção territorial e a capacidade de indução institucional dos INCTs.
Produção robusta, distribuição desigual
O conjunto de 104 INCTs avaliados configura um retrato abrangente da capacidade científica brasileira, com produção que ultrapassa a esfera acadêmica e alcança dimensões formativas, institucionais, sociais e territoriais. Em números absolutos, os resultados são expressivos: nas Ciências Agrárias, foram reportados 5.712 artigos, 49 patentes e 12 softwares, com bioinsumos adotados em mais de 40 milhões de hectares; nas Engenharias, mais de 108 mil contribuições científicas e tecnológicas foram registradas por 1.159 pesquisadores; nas Ciências Humanas, 14.084 produções consolidadas incluem artigos, livros e capítulos, com formação de 533 doutores e 1.031 mestres no período analisado.
No entanto, a distribuição territorial dessas capacidades revela um quadro de profunda assimetria. A região Sudeste concentra 191 redes financiadas, seguida pelo Nordeste (51), Sul (45), Norte (21) e Centro-Oeste (16). Mais de 70% dos recursos dos INCTs permanecem no eixo Sul-Sudeste. A região Sudeste também lidera a quantidade de propostas submetidas, com 304 envios, enquanto o Nordeste aparece com 130, o Sul com 118, o Centro-Oeste com 50 e o Norte com 49. Essa concentração reflete a herança histórica da ocupação do território e da infraestrutura científica nacional, mas também coloca em questão a capacidade do Programa de cumprir seu potencial indutor de desenvolvimento regional.
O Nordeste na avaliação
Apesar da concentração de recursos no Sudeste, o Nordeste se destaca como a segunda região em número de INCTs e redes financiadas. Dos 104 institutos avaliados, 14 estão sediados no Nordeste, com distribuição por estados que inclui Pernambuco (5), Bahia (4), Ceará (4) e presença no Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí e Sergipe. Instituições como a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) abrigam importantes INCTs, e o Ceará, por exemplo, teve quatro INCTs aprovados na primeira fase.
A atuação desses institutos no Nordeste é particularmente relevante em áreas estratégicas para a região. Nas Ciências Agrárias, os INCTs atuam em 16 estados e no Distrito Federal, com redes de ensaios de campo e unidades técnicas de referência que alcançam o semiárido nordestino. Nas Ciências Humanas, Sociais Aplicadas e Educação, os 10 INCTs da área apresentam capilaridade nacional, com núcleos e parcerias distribuídos nas cinco regiões, atuando em contextos urbanos metropolitanos, territórios indígenas e quilombolas e regiões semiáridas. Na Saúde, as redes congregam mais de 2,1 mil pesquisadores distribuídos em 418 instituições e presentes em 25 unidades da Federação, incluindo estados nordestinos.
No entanto, a avaliação também revela limites. O Nordeste e o Centro-Oeste apresentam uma quantidade reduzida de INCTs em áreas de inovação, o que indica acesso limitado a financiamentos destinados à pesquisa aplicada e ao desenvolvimento tecnológico. Além disso, a participação feminina na liderança de projetos na região ainda é modesta: na chamada pública mais recente, das 24 propostas aprovadas no Nordeste, apenas quatro são lideradas por pesquisadoras. Esses dados sugerem que, embora a presença territorial dos INCTs no Nordeste seja significativa, ela ainda não se traduz em equidade plena no acesso a recursos, infraestrutura e oportunidades de liderança científica.
O mapeamento das redes científicas, realizado com base em coautorias e análise de currículos, oferece uma lente adicional para compreender a situação das regiões periféricas. O achado transversal mais relevante é a convivência entre alta produtividade e baixa densidade colaborativa: em Ciências Exatas e da Terra, cerca de 45% dos pesquisadores apresentam grau zero de conexão; em Engenharias, esse percentual chega a 57% no período mais recente; em Ciências Agrárias, cresceu de 38% para 50% ao longo de 15 anos; em Ciências Humanas, 47,6% dos pesquisadores atuam sem vínculos de coautoria.
Esse padrão de isolamento tende a ser mais agudo em instituições localizadas fora dos grandes centros de pesquisa. A análise das redes evidencia que a cooperação tende a ocorrer dentro de clusters altamente especializados, concentrados em instituições do Sudeste e Sul, com baixa integração transversal entre subáreas e institutos de diferentes regiões. A descontinuidade de financiamento emerge como fator que agrava esse quadro, reduzindo a mobilidade de pesquisadores, enfraquecendo parcerias interinstitucionais e comprometendo a capacidade de redes periféricas se manterem conectadas a polos de excelência.
Por outro lado, o mapeamento também revela que a lógica de rede tem funcionado como vetor de interiorização da ciência. Em diversos casos, os INCTs atuaram como vetores de fortalecimento de capacidades locais e regionais, contribuindo para a consolidação de novos polos de pesquisa no país. No Nordeste, por exemplo, institutos como o INCT de Frutos Tropicais, o INCT do Semiárido e o INCT de Estudos Interdisciplinares em Ecologia e Evolução têm contribuído para ancorar competências científicas e articular pesquisas com demandas regionais, conectando instituições emergentes a redes nacionais e internacionais de excelência.
Desenvolvimento regional sustentável
A relação entre INCTs e desenvolvimento regional sustentável emerge como uma das convergências sistêmicas mais relevantes da avaliação. O processo avaliativo revela que os INCTs têm potencial comprovado para reduzir assimetrias regionais, desde que sustentados por políticas de continuidade, indução territorial e fortalecimento institucional de médio e longo prazo. Em várias áreas, observam-se impactos positivos na formação de recursos humanos, na consolidação de capacidades locais e na articulação territorial de agendas científicas e tecnológicas.
No entanto, a avaliação também indica que o uso do conhecimento produzido pelos INCTs pelo Estado brasileiro permanece aquém de seu potencial. A incorporação das evidências científicas nas rotinas de formulação, implementação e avaliação de políticas públicas ocorre de forma fragmentada, frequentemente dependente de iniciativas individuais e sem canais institucionais permanentes. Essa fragilidade é particularmente sentida nas regiões periféricas, onde a capacidade de traduzir conhecimento científico em políticas públicas estruturantes é menor e a descontinuidade dos ciclos de fomento tem efeitos mais devastadores sobre redes ainda em consolidação.
As recomendações estruturantes da avaliação apontam caminhos para enfrentar esse desafio: reconhecer formalmente os INCTs como infraestrutura de inteligência científica de Estado; institucionalizar modelos de avaliação contínua e formativa; fortalecer a articulação interministerial e a interface com políticas públicas; e assegurar financiamento plurianual previsível. Para o Nordeste e as demais regiões periféricas, essas recomendações são particularmente cruciais: a continuidade e o fortalecimento dos INCTs dependem de políticas explícitas de indução territorial, de financiamento previsível e de mecanismos que valorizem as especificidades regionais.
A Avaliação Estratégica dos 104 INCTs, em nossa leitura, coloca o país diante de uma decisão fundamental: consolidar o Programa como política de Estado de longo prazo, preservando e ampliando capacidades já acumuladas, ou aceitar o risco de fragmentação de redes maduras e desperdício de investimento público. Para o Nordeste e as regiões periféricas, essa escolha é particularmente decisiva. Os INCTs representam um dos poucos instrumentos capazes de ancorar capacidades científicas em territórios historicamente sub-representados, conectando instituições emergentes a redes nacionais e internacionais de excelência e promovendo a interiorização da ciência.
Os dados da avaliação mostram que a presença dos INCTs no Nordeste é real e significativa, mas ainda insuficiente para superar as assimetrias históricas. A concentração de mais de 70% dos recursos no eixo Sul-Sudeste, a baixa densidade colaborativa das redes periféricas e a fragilidade dos canais de articulação com políticas públicas regionais indicam que o potencial dos INCTs para o desenvolvimento regional sustentável está sendo subaproveitado. A aposta na continuidade, na integração sistêmica e no uso estratégico das redes científicas já constituídas — com atenção deliberada às regiões periféricas — é condição indispensável para que o Programa INCT cumpra seu papel como instrumento de redução de desigualdades e de fortalecimento da soberania científica e do desenvolvimento sustentável do Brasil.
*Cidoval Morais de Sousa, professor do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual da Paraíba, é secretário regional da SBPC Paraíba.
Criado em 2008 pelo CNPq e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, o Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) foi concebido para agregar grupos de excelência em áreas de fronteira e temas estratégicos para o desenvolvimento sustentável do País, operando como redes cooperativas de caráter inter e transdisciplinar. Ao longo de mais de uma década, o Programa consolidou 104 institutos que articulam produção científica, formação avançada, internacionalização e interfaces com políticas públicas. Mas uma questão persiste: em que medida essa poderosa infraestrutura científica tem contribuído para reduzir as históricas assimetrias regionais brasileiras — e, em particular, para o desenvolvimento do Nordeste e outras regiões periféricas?
A Avaliação Estratégica dos INCTs, conduzida pelo CNPq em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) (relatório publicado em agosto de 2026), oferece evidências empíricas para responder a essa pergunta. O processo avaliativo integrou múltiplas fontes — formulários preenchidos pelos coordenadores, relatórios técnicos e uma base de aproximadamente 14 mil currículos da Plataforma Lattes — e contou com um comitê de 27 avaliadores distribuídos por sete grandes áreas do conhecimento. Seu desenho qualitativo, interpretativo e multidimensional, orientado à aprendizagem institucional e à transparência, permite capturar, além da produção científica, os efeitos sistêmicos, a inserção territorial e a capacidade de indução institucional dos INCTs.
Produção robusta, distribuição desigual
O conjunto de 104 INCTs avaliados configura um retrato abrangente da capacidade científica brasileira, com produção que ultrapassa a esfera acadêmica e alcança dimensões formativas, institucionais, sociais e territoriais. Em números absolutos, os resultados são expressivos: nas Ciências Agrárias, foram reportados 5.712 artigos, 49 patentes e 12 softwares, com bioinsumos adotados em mais de 40 milhões de hectares; nas Engenharias, mais de 108 mil contribuições científicas e tecnológicas foram registradas por 1.159 pesquisadores; nas Ciências Humanas, 14.084 produções consolidadas incluem artigos, livros e capítulos, com formação de 533 doutores e 1.031 mestres no período analisado.
No entanto, a distribuição territorial dessas capacidades revela um quadro de profunda assimetria. A região Sudeste concentra 191 redes financiadas, seguida pelo Nordeste (51), Sul (45), Norte (21) e Centro-Oeste (16). Mais de 70% dos recursos dos INCTs permanecem no eixo Sul-Sudeste. A região Sudeste também lidera a quantidade de propostas submetidas, com 304 envios, enquanto o Nordeste aparece com 130, o Sul com 118, o Centro-Oeste com 50 e o Norte com 49. Essa concentração reflete a herança histórica da ocupação do território e da infraestrutura científica nacional, mas também coloca em questão a capacidade do Programa de cumprir seu potencial indutor de desenvolvimento regional.
O Nordeste na avaliação
Apesar da concentração de recursos no Sudeste, o Nordeste se destaca como a segunda região em número de INCTs e redes financiadas. Dos 104 institutos avaliados, 14 estão sediados no Nordeste, com distribuição por estados que inclui Pernambuco (5), Bahia (4), Ceará (4) e presença no Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí e Sergipe. Instituições como a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) abrigam importantes INCTs, e o Ceará, por exemplo, teve quatro INCTs aprovados na primeira fase.
A atuação desses institutos no Nordeste é particularmente relevante em áreas estratégicas para a região. Nas Ciências Agrárias, os INCTs atuam em 16 estados e no Distrito Federal, com redes de ensaios de campo e unidades técnicas de referência que alcançam o semiárido nordestino. Nas Ciências Humanas, Sociais Aplicadas e Educação, os 10 INCTs da área apresentam capilaridade nacional, com núcleos e parcerias distribuídos nas cinco regiões, atuando em contextos urbanos metropolitanos, territórios indígenas e quilombolas e regiões semiáridas. Na Saúde, as redes congregam mais de 2,1 mil pesquisadores distribuídos em 418 instituições e presentes em 25 unidades da Federação, incluindo estados nordestinos.
No entanto, a avaliação também revela limites. O Nordeste e o Centro-Oeste apresentam uma quantidade reduzida de INCTs em áreas de inovação, o que indica acesso limitado a financiamentos destinados à pesquisa aplicada e ao desenvolvimento tecnológico. Além disso, a participação feminina na liderança de projetos na região ainda é modesta: na chamada pública mais recente, das 24 propostas aprovadas no Nordeste, apenas quatro são lideradas por pesquisadoras. Esses dados sugerem que, embora a presença territorial dos INCTs no Nordeste seja significativa, ela ainda não se traduz em equidade plena no acesso a recursos, infraestrutura e oportunidades de liderança científica.
O mapeamento das redes científicas, realizado com base em coautorias e análise de currículos, oferece uma lente adicional para compreender a situação das regiões periféricas. O achado transversal mais relevante é a convivência entre alta produtividade e baixa densidade colaborativa: em Ciências Exatas e da Terra, cerca de 45% dos pesquisadores apresentam grau zero de conexão; em Engenharias, esse percentual chega a 57% no período mais recente; em Ciências Agrárias, cresceu de 38% para 50% ao longo de 15 anos; em Ciências Humanas, 47,6% dos pesquisadores atuam sem vínculos de coautoria.
Esse padrão de isolamento tende a ser mais agudo em instituições localizadas fora dos grandes centros de pesquisa. A análise das redes evidencia que a cooperação tende a ocorrer dentro de clusters altamente especializados, concentrados em instituições do Sudeste e Sul, com baixa integração transversal entre subáreas e institutos de diferentes regiões. A descontinuidade de financiamento emerge como fator que agrava esse quadro, reduzindo a mobilidade de pesquisadores, enfraquecendo parcerias interinstitucionais e comprometendo a capacidade de redes periféricas se manterem conectadas a polos de excelência.
Por outro lado, o mapeamento também revela que a lógica de rede tem funcionado como vetor de interiorização da ciência. Em diversos casos, os INCTs atuaram como vetores de fortalecimento de capacidades locais e regionais, contribuindo para a consolidação de novos polos de pesquisa no país. No Nordeste, por exemplo, institutos como o INCT de Frutos Tropicais, o INCT do Semiárido e o INCT de Estudos Interdisciplinares em Ecologia e Evolução têm contribuído para ancorar competências científicas e articular pesquisas com demandas regionais, conectando instituições emergentes a redes nacionais e internacionais de excelência.
Desenvolvimento regional sustentável
A relação entre INCTs e desenvolvimento regional sustentável emerge como uma das convergências sistêmicas mais relevantes da avaliação. O processo avaliativo revela que os INCTs têm potencial comprovado para reduzir assimetrias regionais, desde que sustentados por políticas de continuidade, indução territorial e fortalecimento institucional de médio e longo prazo. Em várias áreas, observam-se impactos positivos na formação de recursos humanos, na consolidação de capacidades locais e na articulação territorial de agendas científicas e tecnológicas.
No entanto, a avaliação também indica que o uso do conhecimento produzido pelos INCTs pelo Estado brasileiro permanece aquém de seu potencial. A incorporação das evidências científicas nas rotinas de formulação, implementação e avaliação de políticas públicas ocorre de forma fragmentada, frequentemente dependente de iniciativas individuais e sem canais institucionais permanentes. Essa fragilidade é particularmente sentida nas regiões periféricas, onde a capacidade de traduzir conhecimento científico em políticas públicas estruturantes é menor e a descontinuidade dos ciclos de fomento tem efeitos mais devastadores sobre redes ainda em consolidação.
As recomendações estruturantes da avaliação apontam caminhos para enfrentar esse desafio: reconhecer formalmente os INCTs como infraestrutura de inteligência científica de Estado; institucionalizar modelos de avaliação contínua e formativa; fortalecer a articulação interministerial e a interface com políticas públicas; e assegurar financiamento plurianual previsível. Para o Nordeste e as demais regiões periféricas, essas recomendações são particularmente cruciais: a continuidade e o fortalecimento dos INCTs dependem de políticas explícitas de indução territorial, de financiamento previsível e de mecanismos que valorizem as especificidades regionais.
A Avaliação Estratégica dos 104 INCTs, em nossa leitura, coloca o país diante de uma decisão fundamental: consolidar o Programa como política de Estado de longo prazo, preservando e ampliando capacidades já acumuladas, ou aceitar o risco de fragmentação de redes maduras e desperdício de investimento público. Para o Nordeste e as regiões periféricas, essa escolha é particularmente decisiva. Os INCTs representam um dos poucos instrumentos capazes de ancorar capacidades científicas em territórios historicamente sub-representados, conectando instituições emergentes a redes nacionais e internacionais de excelência e promovendo a interiorização da ciência.
Os dados da avaliação mostram que a presença dos INCTs no Nordeste é real e significativa, mas ainda insuficiente para superar as assimetrias históricas. A concentração de mais de 70% dos recursos no eixo Sul-Sudeste, a baixa densidade colaborativa das redes periféricas e a fragilidade dos canais de articulação com políticas públicas regionais indicam que o potencial dos INCTs para o desenvolvimento regional sustentável está sendo subaproveitado. A aposta na continuidade, na integração sistêmica e no uso estratégico das redes científicas já constituídas — com atenção deliberada às regiões periféricas — é condição indispensável para que o Programa INCT cumpra seu papel como instrumento de redução de desigualdades e de fortalecimento da soberania científica e do desenvolvimento sustentável do Brasil.
*Cidoval Morais de Sousa, professor do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual da Paraíba, é secretário regional da SBPC Paraíba.

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