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Universidad Nacional Autónoma de México

Do A Terra É Redonda, 25 de agosto 2026
Por JOÃO DOS REIS SILVA JÚNIOR*


A Universidad Nacional Autónoma de México constitui-se como espaço de resistência à dependência ao preservar a duração de pesquisas, tradições e projetos nacionais

Ao amanhecer, a Cidade Universitária parece confirmar a normalidade de uma grande instituição pública. Os ônibus deixam estudantes diante das faculdades; professores atravessam corredores com livros, computadores e papéis; trabalhadores preparam salas e laboratórios. Na Biblioteca Central, os murais de Juan O’Gorman reúnem tempos distintos do México: o passado pré-hispânico, a ordem colonial, a modernidade e a universidade.

Tudo parece ocupar seu lugar. Entretanto, sob essa rotina reconhecível, trava-se uma disputa menos visível. Não se trata somente de definir o conteúdo de um curso, distribuir recursos ou abrir vagas. Disputa-se o tempo de permanência necessário para ensinar, pesquisar, formar gerações, preservar a memória e imaginar um futuro nacional.

É nesse sentido que utilizamos o conceito de “duração”. Duração não significa a passagem abstrata ou meramente cronológica do tempo. Significa o tempo social e institucionalmente assegurado de permanência. É o tempo de que uma pessoa, uma pesquisa, uma tradição intelectual ou um projeto coletivo necessita para adquirir continuidade, acumular experiência e amadurecer. Sem condições materiais de permanência, há tempo transcorrido, mas não há duração. Há sucessão de atividades, contratos, projetos e avaliações, sem que se forme necessariamente uma trajetória capaz de produzir conhecimento, memória e futuro.

A hipótese deste texto é que a Universidad Nacional Autónoma de México constitui uma forma histórica contraditória da universidade pública na modernidade dependente. Criada para produzir conhecimento, soberania intelectual e permanência nacional, conquistou autonomia relativa diante do Estado e preservou um espaço expressivo de resistência às determinações do mercado. Sua autonomia jurídica, contudo, convive com formas materiais e políticas de subordinação.

Desde a inflexão neoliberal dos anos 1980 e, sobretudo, após a mutação do capitalismo em 2008, a dependência passou a exercer-se crescentemente pela redução das condições de permanência. Financiamentos condicionados, avaliações permanentes, remunerações vinculadas ao desempenho, competição por recursos e expansão das métricas mantêm formalmente a liberdade acadêmica, mas restringem o tempo necessário para que essa liberdade se converta em formação, investigação e intervenção pública. A UNAM conserva o direito de escolher seu caminho. Sua luta consiste em preservar as condições materiais e institucionais para permanecer nele.


A construção de uma permanência nacional

A forma contemporânea da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) nasceu no interior das disputas abertas pela Revolução Mexicana e pela necessidade de organizar culturalmente uma sociedade marcada pela conquista, pelo colonialismo, pela desigualdade e pela proximidade assimétrica com os Estados Unidos. A Universidad Nacional de México foi criada em 1910, quando o regime de Porfirio Díaz se aproximava do fim. Justo Sierra imaginava uma instituição capaz de reunir escolas profissionais, produzir conhecimento e participar da formação nacional. A Revolução, iniciada no mesmo ano, modificaria profundamente o sentido dessa construção. A universidade passaria a conviver com a expansão da educação pública e com o conflito entre diferentes projetos de país.

Essa origem é decisiva. No México, a universidade nunca esteve completamente separada da construção da soberania nacional. Ciência, cultura e educação superior tornaram-se meios pelos quais o país procurava interpretar sua história e adquirir capacidade de decisão. Produzir conhecimento significava enfrentar uma dependência que não era apenas econômica. Uma sociedade que precisa importar as categorias com as quais pensa a si mesma permanece subordinada, mesmo quando possui instituições nacionais.

A soberania intelectual não decorre automaticamente da existência de universidades. Exige condições de permanência para que uma sociedade formule perguntas originadas em suas próprias contradições, acompanhe processos históricos e forme uma memória capaz de atravessar gerações.

A conquista da autonomia, em 1929, resultou de mobilização estudantil. Até então, o presidente da República exercia poder direto sobre a escolha do reitor. A luta dos estudantes rompeu essa relação imediata e levou à promulgação da Lei Orgânica de 10 de julho de 1929. A autonomia não surgiu como simples concessão administrativa. Foi produzida por um conflito que transformou a universidade em sujeito político. A legislação posterior, especialmente a Lei Orgânica de 1945, consolidou suas bases institucionais. A própria reconstrução histórica da Universidad Nacional Autónoma de México reconhece o movimento estudantil como força determinante da conquista da autonomia.

A autonomia permitiu que a universidade organizasse programas, constituísse uma comunidade acadêmica e sustentasse projetos cuja permanência não dependesse inteiramente da vontade imediata dos governos. Uma instituição autônoma não é somente aquela que administra recursos ou escolhe autoridades segundo normas próprias. É aquela que consegue manter pesquisas, cursos, acervos e tradições intelectuais para além do mandato de um governante, da urgência de uma empresa ou da oscilação do mercado.

Protege a permanência da pergunta enquanto a resposta ainda está em formação. Uma pesquisa longa exige que o pesquisador permaneça junto ao objeto, que a equipe não seja dissolvida a cada mudança orçamentária e que documentos, experiências e resultados possam acumular-se. Em uma sociedade dependente, essa permanência constitui uma força política, pois permite elaborar projetos que não reproduzem necessariamente as prioridades dos centros dominantes.


Autonomia relativa e poder

A força histórica da Universidad Nacional Autónoma de México não autoriza uma imagem idealizada. Sua autonomia sempre foi relativa. O Estado permaneceu como principal responsável pelas condições materiais de funcionamento da universidade. Essa relação produz uma tensão: a instituição necessita de recursos públicos para exercer sua autonomia, mas o poder que fornece os recursos pode procurar influenciar prioridades e decisões.

O financiamento não é exterior à liberdade acadêmica. Quando previsível e institucionalmente protegido, sustenta a permanência das atividades. Quando condicionado, instável ou utilizado como instrumento de pressão, converte-se em mecanismo de controle.

Imanol Ordorika Sacristán compreende a autonomia universitária como uma relação histórica e política entre universidade, Estado e sociedade. Essa perspectiva impede duas simplificações. A primeira consiste em imaginar uma universidade absolutamente independente. A segunda reduz a instituição a instrumento passivo do governo. A UNAM depende materialmente do Estado, mas nunca foi completamente controlada por ele. Sua comunidade, sua história, seus conflitos e sua legitimidade social produzem margens reais de decisão. Ao mesmo tempo, vínculos entre burocracias universitárias e poder político, critérios externos de financiamento e dispositivos de avaliação restringem essas margens.

Para Ordorika Sacristán, a autonomia manifesta-se em dimensões articuladas. A primeira abrange normas, estruturas de gestão e atores participantes das decisões. A segunda envolve o controle das agendas: quais problemas podem ser discutidos, quais prioridades orientam a instituição e quais questões permanecem fora da decisão. A terceira é simbólica e cultural: nela se confrontam diferentes concepções sobre o sentido da universidade.

A essas dimensões acrescenta-se a distribuição da permanência. Algumas áreas, pesquisas e grupos recebem estabilidade e podem acumular resultados. Outros vivem submetidos à interrupção, à renovação incerta e à necessidade de recomeçar. O controle ocorre também pela definição de quais objetos poderão permanecer tempo suficiente para se transformar em conhecimento.

Em setembro de 1968, o Exército ocupou a Cidade Universitária. A intervenção mostrou que os limites da autonomia não eram somente administrativos. O corpo armado do Estado atravessou o espaço construído para o pensamento. Poucos dias depois, em 2 de outubro, a repressão em Tlatelolco inscreveu a violência na memória mexicana. O movimento estudantil revelou uma geração que não aceitava que a modernização econômica convivesse com o autoritarismo político.


Os brasileiros no México

Os brasileiros chegaram ao México trazendo livros, anotações, notícias fragmentadas e uma língua ainda insegura. Alguns vinham diretamente da repressão instalada pelo golpe de 1964. Outros passariam pelo Chile, onde o golpe de 1973 destruiria novamente o espaço institucional reconstruído no exílio. Chegavam marcados por interrupções. A ditadura brasileira lhes retirara o país; a violência chilena tomara de muitos deles o lugar onde haviam começado a transformar o desterro em produção intelectual. O México não apagaria essas perdas. Ofereceria condições para permanecer.

Ruy Mauro Marini chegou ao México em 1965. Viveria no país onze dos seus catorze anos de exílio, distribuídos em dois períodos. Sua trajetória mexicana não foi um intervalo secundário entre o Brasil e o Chile. Foi o momento em que completou uma etapa de formação, iniciou importante desenvolvimento profissional e deu continuidade a formulações que posteriormente integrariam a Teoria Marxista da Dependência. A própria Universidad Nacional Autónoma de México reconhece que a obra de Ruy Mauro Marini, produzida fundamentalmente no exílio, constitui uma das contribuições originais do pensamento social latino-americano do século XX.

Na universidade, os brasileiros encontraram salas, bibliotecas, estudantes e interlocutores. Encontraram também uma língua que precisavam aprender enquanto ensinavam. Nos primeiros seminários, o português atravessava o espanhol. Os verbos passavam de uma língua para outra, certas palavras mudavam apenas de pronúncia e algumas frases começavam no Brasil e terminavam no México. Falava-se um portunhol da resistência. Não era ainda uma língua estabilizada, mas já constituía uma forma de comunidade.

O portunhol surgia porque a urgência política precedia a correção gramatical. Era preciso compreender o golpe brasileiro, a dependência, o imperialismo, a Revolução Cubana, a experiência chilena e o destino das sociedades latino-americanas. Ninguém poderia esperar dominar perfeitamente o espanhol para começar a discussão. As palavras procuravam passagem. Quando uma delas faltava, outra era inventada, traduzida pelo contexto ou completada pelos estudantes. A precariedade linguística não impedia o pensamento. Dava-lhe forma histórica.

Ruy Mauro Marini ocupa posição central nessa experiência. Expulso do Brasil pela ditadura, passou pelo México, pelo Chile e novamente pelo México. Sua trajetória acompanhou as rupturas políticas do continente. O exílio, entretanto, não deve ser tratado apenas como deslocamento biográfico. Modificou as condições de produção do conhecimento. Ao sair do Brasil, Marini precisou enxergar o país a partir da América Latina. A sociedade brasileira deixou de aparecer como exceção e passou a ser compreendida no interior de uma totalidade dependente.

A universidade mexicana ofereceu permanência a um pensamento submetido a sucessivas ameaças de interrupção. A ditadura podia prender pessoas, fechar organizações, censurar livros e destruir espaços de debate. Não conseguia controlar inteiramente o destino das ideias quando outra universidade lhes concedia abrigo. O conhecimento atravessava a fronteira com os exilados. Mudava de língua, adquiria novos interlocutores e retornava ao continente com maior capacidade explicativa.

Os brasileiros não chegaram apenas como vítimas necessitadas de proteção. Levaram a experiência da resistência à ditadura, a crítica ao desenvolvimento associado e a investigação das formas assumidas pelo capitalismo no Brasil. O encontro com intelectuais mexicanos e com exilados de outros países transformou essa experiência nacional em problema latino-americano. A resistência brasileira encontrou na universidade mexicana condições para permanecer e converter-se em teoria.

Theotonio dos Santos, Vânia Bambirra e Ruy Mauro Marini haviam participado, ainda no Brasil, da construção de uma interpretação crítica do desenvolvimento. O golpe de 1964 dispersou esse grupo. No Chile, especialmente no Centro de Estudios Socioeconómicos da Universidad de Chile, parte dessa elaboração adquiriu densidade. O golpe de 1973 produziu nova dispersão. O México e suas instituições universitárias tornaram-se espaços nos quais a Teoria Marxista da Dependência pôde continuar existindo, acumulando debates e formando interlocutores.

Uma tradição intelectual não depende somente da capacidade individual de seus autores. Depende de instituições capazes de protegê-la quando desaparecem as condições políticas em seu país de origem. A Universidad Nacional Autónoma de México não criou sozinha a Teoria Marxista da Dependência. Contudo, impediu que sua elaboração fosse encerrada pela violência. Preservou pesquisadores, documentos, debates e relações entre gerações. Ao fazê-lo, transformou a hospitalidade universitária em ação política.


O neoliberalismo contra a permanência

A crise da dívida dos anos 1980 alterou as condições de funcionamento das universidades públicas mexicanas. O ajuste fiscal, a abertura econômica e a reorientação do Estado produziram uma nova linguagem institucional. Eficiência, produtividade, avaliação e competitividade passaram a ordenar as políticas de educação superior. A mudança entrou por programas, formulários, critérios de remuneração, fundos extraordinários e mecanismos de certificação. A universidade não foi privatizada integralmente; seu cotidiano começou a ser reorganizado pela racionalidade do mercado.

Ordorika Sacristán e Kempner mostram que a educação superior mexicana se constituiu pelo conflito entre valores nacionais e valores associados à expansão global do capitalismo. Não se trata de oposição simples entre interior e exterior. Os valores mercantis encontram portadores dentro da universidade e transformam as formas de reconhecimento, financiamento e governo. Da mesma maneira, a defesa do caráter público atravessa a instituição e disputa sua identidade.

O neoliberalismo entra na universidade pelo calendário, mas seus efeitos alcançam a duração. Editais, chamadas, ciclos avaliativos e contratos temporários dividem a vida acadêmica em períodos curtos. A pesquisa permanece enquanto houver projeto. O pesquisador permanece enquanto houver bolsa ou contrato. A equipe permanece enquanto o financiamento estiver ativo. O fim de cada ciclo introduz a possibilidade de interrupção. A autonomia formal continua existindo, mas as escolhas ocorrem dentro de condições que tornam incerta a permanência.

A crise de 2008 tornou visível uma transformação na relação do capital com o futuro. Dívidas, fundos, avaliações de risco e projeções convertem expectativas futuras em forças que determinam decisões presentes. O futuro deixa de ser horizonte relativamente aberto e passa a funcionar como garantia antecipadamente apropriada. Nas economias dependentes, essa captura adquire intensidade específica. O orçamento público chega ao debate carregado por obrigações anteriores. A universidade disputa recursos num futuro parcialmente comprometido antes mesmo que suas necessidades sejam formuladas.

A dependência contemporânea assume a forma de redução das condições coletivas de permanência. Não se limita à transferência internacional de valor, embora essa transferência permaneça central. Diminui a capacidade de sustentar projetos cuja realização exige continuidade. Quando o horizonte orçamentário se encurta, a pesquisa transforma-se numa sucessão de projetos. Quando um projeto termina, a equipe se dispersa. Conhecimentos acumulados desaparecem ou precisam ser reconstruídos. A interrupção deixa de ser acidente e torna-se método de organização.

A experiência da UNAM permite redefinir a autonomia universitária. Ela não é apenas autogoverno, liberdade de cátedra ou administração própria, embora essas dimensões sejam indispensáveis. Autonomia é capacidade institucional de assegurar permanência a estudantes, professores, pesquisadores, projetos e tradições intelectuais. Uma universidade é efetivamente autônoma quando conserva perguntas que ainda não encontraram resposta, apoia pesquisas cujo resultado não está garantido e forma pessoas sem submeter toda a formação às exigências imediatas do emprego.

Na Universidad Nacional Autónoma de México, a América Latina não encontrou somente salas, bibliotecas e empregos para seus exilados. Encontrou condições para que pessoas, pesquisas e tradições permanecessem. Essa permanência permitiu que derrotas políticas não se transformassem em desaparecimento intelectual. Permitiu que conceitos atravessassem fronteiras e que uma tradição crítica sobrevivesse às ditaduras. Permitiu que estudantes convertessem autonomia, gratuidade e democracia em questões nacionais.

Entre o português interrompido e o espanhol que começava, formou-se uma língua de resistência. A Universidad Nacional Autónoma de México ofereceu aos exilados sala, biblioteca e permanência. O portunhol tornou-se teoria; o exílio tornou-se América Latina.

Uma universidade autônoma não protege apenas o direito abstrato de falar. Protege as condições necessárias para que uma fala ainda imperfeita permaneça, encontre interlocutores e se transforme em conhecimento. A Universidad Nacional Autónoma de México recebeu brasileiros que chegavam deslocados, perseguidos e falando portunhol. Não exigiu que viessem prontos. Permitiu que continuassem. Enquanto aprendiam outra língua, ajudavam a América Latina a interpretar a si mesma.

*João dos Reis Silva Júnior é professor titular do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Autor, entre outros livros, de Educação, sociedade de classes e reformas universitárias (Autores Associados) [https://amzn.to/4fLXTKP].

Referências

BAMBIRRA, Vânia. El capitalismo dependiente latinoamericano. México: Siglo XXI Editores, 1974.

DOS SANTOS, Theotonio. Imperialismo y dependencia. México: Ediciones Era, 1978.

MARINI, Ruy Mauro. Dialéctica de la dependencia. México: Ediciones Era, 1973.

MORALES MUÑOZ, Daniela. Trayectorias del exilio brasileño: Ruy Mauro Marini y su primer exilio en México (1965–1969). México: Unidad de Investigación sobre Representaciones Culturales y Sociales, Universidad Nacional Autónoma de México, 2022. Disponível neste link.

ORDORIKA SACRISTÁN, Imanol. La autonomía universitaria: una perspectiva política. Perfiles Educativos, Ciudad de México, v. 32, número especial, p. 79–94, 2010. Disponível neste link.

ORDORIKA SACRISTÁN, Imanol; KEMPNER, Ken. Valores en disputa e identidad en conflicto en la educación superior en México. Perfiles Educativos, Ciudad de México, v. 25, n. 99, p. 5–27, 2003. Disponível neste link

UNIVERSIDAD NACIONAL AUTÓNOMA DE MÉXICO. Agenda Estadística UNAM 2025. Ciudad de México: Coordinación de Planeación, Evaluación y Simplificación de la Gestión Institucional, 2025. Disponível neste link.

UNIVERSIDAD NACIONAL AUTÓNOMA DE MÉXICO. Resonancias históricas: activismo estudiantil. México: Programa Universitario de Estudios sobre Democracia, Justicia y Sociedad. Disponível neste link.

UNIVERSIDAD NACIONAL AUTÓNOMA DE MÉXICO. Ruy Mauro Marini. Árbol de la Democracia. Ciudad de México: UNAM, [s.d.]. Disponível neste link


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