Por ClimaInfo, 16-08-2026.
A temporada de Conferências das Partes (COP) de 2026 começa nesta 2ª feira (17/8), com a COP17 da Convenção da ONU de Combate à Desertificação (UNCCD), na capital da Mongólia, Ulaanbaatar. Nas próximas duas semanas, diplomatas de quase 200 países negociarão propostas que podem reposicionar a UNCCD no plano internacional, com mais peso político a uma agenda historicamente desassistida pela comunidade global: a da desertificação, degradação e restauração de terras e da resiliência hídrica.
Uma das chamadas “Convenções do Rio”, juntamente com as Convenções sobre Diversidade Biológica (CBD) e sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), a UNCCD quer aproveitar o encontro para destravar sua proposta mais ambiciosa até aqui: a construção de um mecanismo internacional para gestão de secas, apoiando governos com financiamento, cooperação e planejamento.
A ideia foi apresentada há dois anos, na COP16 de Riad (Arábia Saudita), pelos países africanos, mas não avançou por conta da resistência de alguns países desenvolvidos. Nesse ínterim, um grupo de negociação ficou encarregado de buscar alternativas para esse mecanismo, o que deve voltar à agenda agora em Ulaanbaatar.
A proposta representaria um avanço político importante para a UNCCD. Diferentemente das convenções da biodiversidade e do clima, que negociaram acordos e mecanismos internos para impulsionar medidas para proteção da biodiversidade (como o Marco Global de Kunming-Montreal) e enfrentamento da crise climática (como o Acordo de Paris), a Convenção de Desertificação não conseguiu viabilizar algo parecido em mais de 30 anos de operação, o que a deixou em uma condição de relevância política menor em relação às suas “irmãs”.
O momento da COP17 não poderia ser mais oportuno. Afinal, vários continentes estão sofrendo os efeitos da seca impulsionada pelas mudanças climáticas e que deve ganhar força sob o El Niño, que caminha para ser um dos mais fortes já registrados – senão o mais forte.
“O desafio não é mais reconhecer a seca como um risco global, mas, sim, agir com antecedência suficiente para evitar que seus impactos se propaguem em cascata por comunidades, economias e fronteiras”, afirmou a secretária-executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, à Agência Brasil.
Como a Exame assinala, a negociação interessa diretamente ao Brasil. O aumento da frequência e intensidade das secas no Semiárido e em outras partes do território aproxima a pauta de setores como agricultura, energia e gestão de recursos hídricos. Por isso o Brasil levará à COP17 a maior delegação de sua história na UNCCD, com mais de 100 integrantes, entre representantes de ministérios, governos estaduais e de organizações da sociedade civil.
Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o Brasil quer levar à Mongólia suas experiências de políticas públicas, restauração de áreas degradadas e adaptação desenvolvidas especialmente no Semiárido. “Queremos compartilhar esse conhecimento, fortalecer a cooperação internacional e contribuir para avançar nas respostas globais à desertificação, com capacidade de adaptação e resultados concretos”, destacou.
Uma das iniciativas que o país apresentará é o Programa Recatingar, projeto para recuperação socioprodutiva de terras degradadas da Caatinga. O objetivo é chamar a atenção de instituições e financiadores internacionais para essa agenda de restauração.
O Consórcio Nordeste, que reúne os governos da região, também estará na COP17 com a pauta do recaatingamento. “É importante para mostrar que o Brasil atua em rede nessa agenda e que a agenda climática também é uma agenda tributária, de ações de combate à desertificação e de fortalecimento do recaatingamento”, afirmou Glauber Piva, articulador de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável do Nordeste, ao EcoNordeste.
Atualmente, cerca de 18% do território brasileiro está sujeito à desertificação, em regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, com destaque para a Caatinga, que abrange todo o Nordeste e parte de Minas Gerais. Cerca de 39 milhões de brasileiros são impactados pelos efeitos da desertificação.
Uma das chamadas “Convenções do Rio”, juntamente com as Convenções sobre Diversidade Biológica (CBD) e sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), a UNCCD quer aproveitar o encontro para destravar sua proposta mais ambiciosa até aqui: a construção de um mecanismo internacional para gestão de secas, apoiando governos com financiamento, cooperação e planejamento.
A ideia foi apresentada há dois anos, na COP16 de Riad (Arábia Saudita), pelos países africanos, mas não avançou por conta da resistência de alguns países desenvolvidos. Nesse ínterim, um grupo de negociação ficou encarregado de buscar alternativas para esse mecanismo, o que deve voltar à agenda agora em Ulaanbaatar.
A proposta representaria um avanço político importante para a UNCCD. Diferentemente das convenções da biodiversidade e do clima, que negociaram acordos e mecanismos internos para impulsionar medidas para proteção da biodiversidade (como o Marco Global de Kunming-Montreal) e enfrentamento da crise climática (como o Acordo de Paris), a Convenção de Desertificação não conseguiu viabilizar algo parecido em mais de 30 anos de operação, o que a deixou em uma condição de relevância política menor em relação às suas “irmãs”.
O momento da COP17 não poderia ser mais oportuno. Afinal, vários continentes estão sofrendo os efeitos da seca impulsionada pelas mudanças climáticas e que deve ganhar força sob o El Niño, que caminha para ser um dos mais fortes já registrados – senão o mais forte.
“O desafio não é mais reconhecer a seca como um risco global, mas, sim, agir com antecedência suficiente para evitar que seus impactos se propaguem em cascata por comunidades, economias e fronteiras”, afirmou a secretária-executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, à Agência Brasil.
Como a Exame assinala, a negociação interessa diretamente ao Brasil. O aumento da frequência e intensidade das secas no Semiárido e em outras partes do território aproxima a pauta de setores como agricultura, energia e gestão de recursos hídricos. Por isso o Brasil levará à COP17 a maior delegação de sua história na UNCCD, com mais de 100 integrantes, entre representantes de ministérios, governos estaduais e de organizações da sociedade civil.
Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o Brasil quer levar à Mongólia suas experiências de políticas públicas, restauração de áreas degradadas e adaptação desenvolvidas especialmente no Semiárido. “Queremos compartilhar esse conhecimento, fortalecer a cooperação internacional e contribuir para avançar nas respostas globais à desertificação, com capacidade de adaptação e resultados concretos”, destacou.
Uma das iniciativas que o país apresentará é o Programa Recatingar, projeto para recuperação socioprodutiva de terras degradadas da Caatinga. O objetivo é chamar a atenção de instituições e financiadores internacionais para essa agenda de restauração.
O Consórcio Nordeste, que reúne os governos da região, também estará na COP17 com a pauta do recaatingamento. “É importante para mostrar que o Brasil atua em rede nessa agenda e que a agenda climática também é uma agenda tributária, de ações de combate à desertificação e de fortalecimento do recaatingamento”, afirmou Glauber Piva, articulador de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável do Nordeste, ao EcoNordeste.
Atualmente, cerca de 18% do território brasileiro está sujeito à desertificação, em regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, com destaque para a Caatinga, que abrange todo o Nordeste e parte de Minas Gerais. Cerca de 39 milhões de brasileiros são impactados pelos efeitos da desertificação.

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