De OutrasPalavras, 18 de agosto 2026
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Foto: arquivo da Fundação Pere Casaldáliga |
Ordenado bispo 3 anos depois, em 23 de outubro de 1971, tornou-se uma das vozes mais contundentes, que se fez ouvir pelo Brasil, pela América Hispânica, e também Europa, contra a ditadura e o latifúndio, em defesa dos indígenas, dos peões, posseiros e do meio ambiente, desde a longínqua e recém-criada Prelazia de São Félix do Araguaia3.
“Decidi não usar anel, nem mitra, nem báculo. Ontem esbocei umas linhas de convite que explicariam o porquê dessa atitude que considero simplesmente lógica. Não vou dar lição a ninguém. Entretanto devo ser consequente. […] Tua mitra será um chapéu de palha sertanejo, o sol e o luar, a chuva e o sereno, o olhar dos pobres com quem caminhas e o olhar glorioso de Cristo, o Senhor. Teu báculo será a verdade do Evangelho e a confiança de teu povo em ti. Teu anel será a fidelidade da Nova Aliança do Deus Libertador e a fidelidade ao povo desta terra. Não terás outro escudo senão a Força da Esperança e a liberdade dos filhos de Deus, nem usarás outra luva que o serviço do Amor.”4 A essa declaração de princípios, que revela o que seria o seu mandato episcopal, no campo religioso, amalgamou a dimensão da luta social e política, que lhe valeu a definição: Pedro, fé de religioso e espírito de militante, e também a perseguição tanto por parte do Governo Militar, como dos latifundiários e até de parcela da Igreja Católica. Era o contra-ataque dos setores conservadores da Igreja Católica à Teologia da Libertação5 que crescia no Brasil e em toda a América Latina e da qual Pedro Casaldáliga, naquele momento, era um dos principais expoentes6. Ao mister episcopal Casaldáliga acrescentou o de poeta, tornando-se também conhecido sob a alcunha dos 3 Ps: “Pedro: pastor, profeta e poeta”7.
Não sou propriamente uma estudiosa da poesia de Pedro Casaldáliga, mas sim leitora, e não apenas da sua poesia, também da sua obra, que é vasta e bastante diversificada; a maior parte dela está disponibilizada para download no site da Fundação Pedro Casaldáliga (https://fperecasaldaliga.org), e no site (https://www.servicioskoinonia.org/Casaldaliga/obras/index.html). Portanto o objetivo deste artigo é dar notícia, dar a conhecer a poesia de Pedro, que foi objeto de atenção, já nos anos 1970, de Alfredo Bosi, professor e crítico literário da FFLCH/USP, um dos mais importantes do Brasil, que em 1978 escreveu uma resenha do livro Antologia retirante, edição brasileira de Tierra nuestra, libertad, publicado pela Editorial Guadalupe, de Buenos Aires, no ano de 1974, e que foi publicada na Revista Encontros com a Civilização Brasileira.
Posteriormente, em 1992, Alfredo Bosi dedicou seu livro Dialética da Colonização a Pedro Casaldáliga, Celso Furtado e Jacob Gorender, sob a consigna ” pensamento que se fez ação” e em 2006 prefaciou a antologia Versos adversos publicada pela Editora da Fundação Perseu Abramo. Porém, apesar da percepção do potencial literário dos escritos de Casaldáliga, desde essa época, foi a sua atuação política no enfrentamento à Ditadura Militar, ao latifúndio, em defesa dos posseiros, dos peões, dos indígenas, do povo pobre e espoliado do Araguaia, dos Direitos Humanos e da Democracia, que ganhou notoriedade dentro e fora do Brasil. “E essa atuação política pode ter sido um dos motivos que fizeram com que sua poesia fosse eclipsada durante tanto tempo e só recentemente, no final da década de 1990, é que se iniciaram os estudos críticos sobre a obra do autor em Mato Grosso, primeiramente pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e em seguida pela Universidade Estadual do Mato Grosso (UNEMAT) “, assinala o professor Edson Flávio Santos, da UNEMAT, e um dos principais estudiosos da poesia de Casaldáliga. De acordo com a professora Marinete Luzia Francisca de Souza, da UFMT, outra importante estudiosa da poesia de Pedro, embora já se tenha percorrido um longo caminho de estudos, ele abarca um percentual muito pequeno da obra de Casaldáliga dada a sua extensão, e, portanto, há um trabalho significativo a ser feito em torno dela. Há mesmo muito o que se dizer sobre essa poesia que conjuga paradoxos e adversidades, como disse Alceu de Amoroso Lima, no prefácio que fez ao livro Antologia retirante, mas que também anuncia utopia, resistência, libertação e esperança.
Por que uma poesia encarnada?
A poesia encarnada é uma poesia de afirmação da vida, aquela que deixa transparecer quem é o poeta, o que ele deseja, que não é um texto neutro, uma poética que tem vida, existência. Leonardo Boff, no prefácio que fez ao livro Nós, do Araguaia – Pedro Casaldáliga- o bispo da teimosia e liberdade (1979, p.13) de Edilson Martins, escreveu: ” O livro que temos a honra de prefaciar relata as práticas do bispo Dom Pedro Casaldáliga no submundo em que se localiza seu campo pastoral, São Félix do Araguaia-MT. Ele se confunde com a terra e com os homens. Faz corpo com eles. Por isso suas palavras têm cheiro de chão, peso de pedras, força das águas, brilho de raio, lirismo de olhos de vaca.”
O próprio corpo de Pedro, que era de compleição franzina, era visto de forma poética, como poético. Fernando Brant, músico e parceiro de Milton Nascimento, dizia que Pedro tinha “arquitetura de passarinho”, e Luis Paiva, que foi secretário da educação em São Félix do Araguaia, afirmou que o bispo era um grilo, um louva-deus (que segundo a crença popular é um inseto que traz sorte e esperança), e até os militares, que tanto o perseguiram, o alcunharam de “palito elétrico”, adjetivação que ao meu ver não soa pejorativa, mas metafórica.
Pedro, poeta!
Casaldáliga atribuía a sua sensibilidade diante da vida ao fato de ser poeta, sentir como poeta. No já citado prefácio de Leonardo Boff ao livro Nós, do Araguaia, Pedro confessou ao seu amigo e teólogo claretiano Teófilo Cabestrero: “Penso, às vezes, que se sou algo, então sou isso, poeta. Mesmo como religioso, como sacerdote e como bispo, sou poeta. Muitas coisas que intuo, sinto, falo ou faço é porque sou poeta …. Esta sensibilidade, esta intuição, uma atitude de ternura, ante a natureza, ante as coisas todas, ante os homens; diante da dor, da fraqueza, da pequenês, nas horas e nas circunstâncias exultantes também …. Por ela expresso minha fé e também meu ministério”.
No texto ” Uma palavra de explicação” que abre o seu livro Antologia Retirante (1978, p.13-15), Pedro explicitou a natureza mesma de sua poesia, marcando assim o seu lugar como poeta: “Este livro nasceu retirante. Como a maior parte dos moradores deste meu norte do Mato Grosso, onde eu, retirante também de muitas supostas pátrias, sou bispo; onde escrevi – às vezes gritando quase todos estes poemas. […]. Sou também, naturalmente, retirante da poesia hermética, da Palavra narcisista, da Ópera aristocrática dos que que se negam a profanar em- serviço- fraterno os impolutos braços de sua lira. Dos que cantam apenas Canção e não cantam a Vida, o Dia e a Noite, o pranto da Terra, a luta do Povo, a esperança do Homem, a nova Boa Nova do Senhor. Amigos, não busqueis nestes meus versos a Poesia profissional.”
O bispo poeta definiu seu fazer poético em resposta à pergunta: o que representa a poesia para você? Feita pelo editor do seu livro Águas do tempo (1989)8: “A poesia é a palavra emocionada. Por ela a gente se diz e diz o Universo, o Próximo, o povo, a morte, vida e Deus, calidamente. A poesia é a palavra sensibilizada a tudo e a todos num encontro, que pulsa alma e compromete as opções.” Instado a dizer qual era o seu método de trabalho, de criação, o bispo respondeu: ” meu trabalho poético, concretamente, é “sobretudo la marcha”, como a gente diz em castelhano: vivendo, tocado por um momento forte, emocionado por um encontro, a partir de uma leitura, evocando, sonhando o amanhã, orando. Muitos poemas meus nasceram viajando por essas estradas e rios e sertão: a cavalo, de ‘voadeira’, de ônibus.”9
Em uma entrevista, em 1997, ao também poeta e seu parceiro na escrita da Missa da Terra sem Males e Missa dos Quilombos, Pedro Tierra (Hamilton Pereira), Pedro respondeu à pergunta:
Pedro, como é a paixão de escrever?
“Eu pensei uma época em renunciar à poesia pelo apostolado. Nos últimos anos, eu venho assumindo a poesia até por causa do próprio apostolado. Eu sou um pouco palavra. Os índios guaranis dizem: “Tu és a tua palavra. ” Se você examina meus escritos verá que há algumas palavras permanentes, constantes. Uma delas é palavra; outras são morte, Deus, povo, terra e esperança.”
Terra nossa, liberdade? Pergunta Pedro Tierra
“É. Aí eu descobri que realmente eu era palavra. O poeta João Maragali dizia que poesia é a palavra emocionada. Acho a melhor definição. Depois de todas as retóricas e convenções literárias, se rima, se não rima, o que é poesia, o que é prosa, então… você lê ou escuta uma palavra emocionada e diz: “Poesia, não tem dúvida. ” Um poeta cubano dizia que poesia que não ajude a motivar a vida não tem sentido. Eu fico, com todo o respeito, mas com certa suspeita, diante da poesia chamada pura, que não se suja, não se compromete. Não sei, excessivamente angélica para que seja uma poesia humana. Não digo que poesia deve ser panfleto, assim como poesia religiosa não deve ser sermão nem homilia, e poesia militante não deve ser comício, deve ser poesia. Poesia apaixonada, palavra emocionada, atitude comprometida.”10
Em entrevista de 2005 à professora da UFMT, Marinete Luzia Francisca de Souza, Pedro retomaria (poeticamente) a ideia da marcha acrescentando ” “Meu trabalho poético é, sobretudo,’ la marcha.’ Poesia feita das dores do povo, sentindo a caminhada do povo, sentindo as dores do povo. Então decidi morar nessa própria marcha.” 11
Portanto, se em determinado momento da vida Pedro pensou em renunciar à poesia, em função das suas atividades como bispo, ele não apenas seguiu escrevendo, como de alguma forma se transmudou em palavra ” aí eu descobri que realmente eu era palavra” e também se amalgamou à marcha, tornando-se ela.
A poesia rente ao chão de Casaldáliga, como adjetivou Alfredo Bosi, é carregada de utopia, protesto, resistência, áspera denuncia, ironia, sátira, fervor religioso, emancipação e esperança, pois como escreveu Bosi no prefácio de Versos Adversos: ” Não lhe basta agir no mundo adverso da luta pela justiça. Sua paixão não se consome toda na vida ativa que o ofício pastoral lhe exige. Os sentimentos que a ação não consegue absorver de todo transmutam-se na esfera da palavra e da imagem poética, que ao seu modo os exprimem e lhe dão eficácia simbólica.”12
Panorama geral da obra poética de Casaldáliga (que escreveu em 3 línguas – catalão, espanhol e português), cujos créditos vão para a professora da UFMT Marinete Luzia Francisca de Souza.
Casaldáliga usa o verso livre (preferencialmente), aproxima formas populares como provérbios, cantigas, brasileiras de formas populares ibéricas, e de modo muito natural.Palavra ungida (1955) – ainda bastante jovem, escrito na Espanha, dialogo com o evangelho, aprofundamento de questões bíblicas.
Clamor elemental (1971) – escrito em espanhol, dividido em partes dedicadas à natureza e seus seres (Los técnicos me habrían de perdonar -si me leyeran- la algarabía sentimental, ideológica e idiomática, entre la cual estos poemas han nacido, como una fauna amazónica incontrolable, p.9) poetiza frase cotidianas que adquirem novos significados.
Antologia retirante – (1974/1978) – reúne textos dos livros anteriores. Dedicado aos retirantes, se define como um, e se diz retirante de certa igreja, e da palavra hermética.
Missa da Terra Sem Males (1979) – em parceria com Martin Copla e Pedro Tierra, apresentada na Catedral da Sé, perpassada pela consigna ” Memória, remorso, compromisso”. Memória penitencial, reflexão.
Missa dos Quilombos (1981) – com Pedro Tierra e Milton Nascimento. A partir de um desafio feito por Dom Helder Câmara13.
Cantigas menores (2003) – presença muito forte da paisagem do Centro-Oeste, elementos da cultura popular local, jogos com a linguagem que lembram provérbios.
A cuia de gedeão- poemas e autos sacramentais sertanejos (1982) – com poemas dedicados aos subalternos, com autos que fazem releituras bíblicas propondo e sugerindo a adoção de uma cultura local para a igreja católica da região.
Fuego y ceniza al viento (1984) – antologia espiritual (mas não de forma restrita), porque em todos os textos de Casaldáliga há uma tônica engajada de emancipação e de esperança, e questões relacionadas à natureza.
El tempo y la espera (1986) – reúne as duas tendências da poesia de Pedro: a poesia engajada e a poesia mística.
Orações da caminhada (2005) – reúne textos para datas do calendário litúrgico (poemas orações). Nele consta o poema Dizer teu nome Maria, que tem um verso que diz: “Dizer teu nome, Maria
É dizer que a promessa vem com leite de mulher”, humanizando assim as figuras religiosas.
Sonetos neobíblicos precisamente (1996) – escrito em espanhol – sonetos dedicados a figuras bíblicas, com predominância de figuras do Velho Testamento.
Versos adversos (antologia- 2006) – prefaciada por Alfredo Bosi, livro organizado em duas seções: poemas longos e hakais (noemas), que Casaldáliga assim definiu em entrevista à professora Marinete Luzia Souza: ” eles viabilizam um pensamento (poesia) bastante forte. São no-emas, nó em grego-pensamento, no-emas são pensamentos em poema. São poemas condensativos, que expressam um pensamento de modo forte, poético”.
No ano 2000 Pedro Casaldáliga recebeu o título de Dr. Honoris Causa da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e na ocasião disse: ” é a primeira vez que uma universidade concede o título de doutor a um rio.” Essa sua afirmação aponta para o que Alfredo Bosi chamou de “identificação radical”14, com o Rio Araguaia expressa no Poema Eu e Tu, Araguaia15. Há neste poema uma evidente transmutação, o Eu não são só os outros seres humanos que ali já estavam antes dele, é também o eu lírico, o poeta.
EU E TU, ARAGUAIA
Eu
e tu, Araguaia,
somos um tempo só.
Abraamicamente numerosas,
nos garantem os sonhos
as estrelas, lá fora proibidas.
O ipê batiza ainda com ouros gratuitos
o silêncio
que nós, ô Araguaia,
conseguimos salvar dos invasores…
Sempre ainda encontramos, eu e tu,
a pergunta inquietante de uma garça, na beira,
provocando respostas, acordando o mistério…
De acordo com a Lua, sacerdotisa virgem,
tu estavas, no princípio,
alfombrando as cadências do Aruaná sagrado.
Os potes Karajá recolhiam teus olhos desleídos
e os peixes costuravam de prata teu banzeiro.
Ainda o Padim Ciço
não mostrava aos pobres nordestinos
essa Bandeira Verde
inconquistável…
Não havia Funai,
Sudam,
nem Incra.
Eram
Deus
e as aldeias
Penso, também, que este poema sintetiza a presença/permanência de Pedro Casaldáliga, pois seu corpo está sepultado às margens do Rio Araguaia, na região da Prelazia de São Félix do Araguaia, como História e Memória.
Pedro, presente, hoje e sempre!!
Leonardo Boff
O bispo poeta Pedro e a tradição da mística poética espanhola. Artigo de Leonardo Boff
1* Doutora em Literatura Brasileira pela FFLCH/USP, professora aposentada da Rede Estadual Paulista, pesquisadora do LABELLE/UERJ e militante da AVICO/Brasil.
Este artigo é uma versão da apresentação por mim feita no Colóquio ” Teologia da Libertação na América Latina” realizado pelo Centro de Estudos de Demografia Histórica da América Latina (CEDHAL/USP- https://cedhal.fflch.usp.br/ ) em 20 de agosto de 2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=RtO6cFwckbg&t=264s.
2Pedro Casaldáliga sempre deu valor à comunicação e à memória, muito escreveu para divulgar as causas pelas quais lutou, e nos mais variados gêneros, e também cuidou da preservação de seus escritos, portanto este artigo é uma pequena contribuição à divulgação e preservação da sua história, memória e poesia. Cf: TAVARES, Ana Helena. Um bispo contra todas as cercas. A vida e as causas de Pedro Casaldáliga. Rio de Janeiro: Gramma Editora, 2019. p.101.
3 A Prelazia de são Félix do Araguaia foi criada aos 13 de maio de 1969 pela Bula Quo Commodius do Papa Paulo VI. Foi confiada pela Santa Sé aos cuidados da Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos). Disponível em: https://prelaziasfaraguaia.com.br/historia-da-prelazia/.
4 CASALDÁLIGA, Pedro. Creio na justiça e na esperança. Tradução de Laura Ramo, Antonio Carlos Moura e Hugo Lopes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. p. 45.
5 A Teologia da Libertação nasce na América Latina e no Brasil no final dos anos 1960, elaborada por teólogos como Leonardo Boff, Gustavo Gutiérrez, Juan Luiz Segundo, Jon Sobrino, dentre outros. Essa teologia constitui-se como a primeira dos tempos modernos produzida na periferia da Igreja e comprometida de forma radical com os pobres e excluídos. Foram de grande importância para a sua gênese eventos gerais da Igreja Católica como o Concílio Vaticano II (1962-1965) e, na América Latina, a II Conferência Geral do Espiscopado Latino-Americano, em Medellín (1968), que apontaram para uma modernização da Igreja, uma abertura sua para o social e, no nosso continente e país, a “opção preferencial pelos pobres. Disponível em: http://comciencia.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-76542013000200008&lng=es&nrm=iso&tlng=pt.
6 Após a XV Assembleia Geral da CNBB, realizada em Itaici-SP, entre 8 e 17 de fevereiro de 1977, Dom Geraldo Sigaud, arcebispo de Diamantina-MG, lançou na imprensa, em 26 de fevereiro, uma série de acusações contra Dom Pedro Casaldáliga e Dom Tomas Balduíno, bispo de Goiás-GO, culpando-os como os principais responsáveis pela ” tensão entre a Igreja e o Estado, e por cumplicidade na infiltração comunista no Brasil. […]. O arcebispo pedia ainda que eu fosse removido do país, e acusava também os dominicanos de ‘ comunistóides’, e reclamava uma intervenção governamental nas indefesas comunidades de base. ” Como as acusações foram publicadas pelo Jornal do Brasil, foi pelo mesmo veículo que Dom Pedro respondeu-as, em 8 de maio de 1977. Ibidem, p.151-152.
7 Cf. Dom Casaldáliga: os 3 “Ps” do Pedro. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/601721-dom-casaldaliga-os-3-ps-do-pedro.
8Publicado pela Fundação Cultural do Mato Grosso, Editora Amazônida, em 1989. Coleção Letras Matogrossenses: Série poetas contemporâneos. Disponível em: https://www.academia.edu/44013720/CASALD%C3%81LIGA_Pedro_%C3%81guas_do_Tempo.
9 Ibidem.
10 Revista Teoria&Debate, nº23, 3º trimestre de 1994, p.387.
11 SOUZA, M. L. F. Entrevista com Pedro Casaldáliga. Revista Panorâmica, UFMT, v. 6, p. 35-44, 2006.
12 BOSI, Alfredo. A esperança rebelde na poesia de Pedro Casaldáliga. In: CASALDÁLIGA, Pedro. Versos adversos – antologia. São Paulo: Ed. Perseu Abramo, 2006. p.11.
13 ” Atento à forma como a igreja sempre tratou os negros, Pedro aceitou prontamente um desafio que Dom Hélder Câmara lhe fez logo após a Missa da Terra Sem Males. Dom Hélder Considerou que, se havia sido feita uma missa para os índios, precisava ser feita uma para os negros”. Cf. TAVARES, Ana Helena. Um bispo contra todas as cercas. A vida e as causas de Pedro Casaldáliga. Rio de Janeiro: Gramma Editora, 2019. p.135.
14 BOSI, Alfredo. A esperança rebelde na poesia de Pedro Casaldáliga. In: CASALDÁLIGA, Pedro. Versos adversos – antologia. São Paulo: Ed. Perseu Abramo, 2006. p.14.
15 CASALDÁLIGA, Pedro. Versos adversos – antologia. São Paulo: Ed. Perseu Abramo, 2006. p.73.
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Maria Salete Magnoni
Doutora em Literatura Brasileira pela USP, pesquisadora da obra de Lima Barreto e integrante do LABELLE/UERJ (http://labelleuerj.com.br/).

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