Por LUIS EUSTÁQUIO SOARES*
Da indústria cultural de Hollywood aos algoritmos do Vale do Silício, a engrenagem imperialista edita a história e transforma a realidade em um espetáculo de submissão
“O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará (…) Roteiros, roteiros, roteiros, roteiros, roteiros, roteiros, roteiros”. (Oswald de Andrade, Manifesto antropófago).
“O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará (…) Roteiros, roteiros, roteiros, roteiros, roteiros, roteiros, roteiros”. (Oswald de Andrade, Manifesto antropófago).
Não vês que estou queimando?!
No volume V do livro A interpretação dos sonhos, Sigmund Freud apresentou um sonho que lhe fora contado por uma paciente. O cenário onírico é o que segue: um pai realizara uma vigília de seu filho enfermo por dois dias. Após a morte da criança, mudara de quarto para descansar, deixando um senhor mais velho velá-la. Mantivera, entretanto, a porta entreaberta, com objetivo de poder enxergar o quarto contíguo, com o filho morto circundado por velas. Dorme por um momento e sonha dentro do pesadelo que o filho lhe diz em tom de censura: “Pai, não vês que estou queimando? (Freud, 1972, p. 543).
O psicanalista francês, Jacques Lacan, em O Seminário, livro 18, de um discurso que não fosse o semblante (1970-71), retomou a passagem citada do sonho relatado por Sigmund Freud, para, ao fim e ao cabo, desenvolver o conceito de semblante da estrutura do inconsciente ou do inconsciente como uma espécie de efeito de estrutura do semblante ao mesmo tempo da subjetividade pessoal, da história e da natureza. ricocheteando, sempre, no desejo, a ser interpretado neste ensaio como a realização, não dos sonhos, mas dos pesadelos, nos seguintes termos: “Pai, não vês que estou queimando? (Freud, 1972, p. 543)”.
Considerando que o subtítulo do Seminário, livro 18, é “por um discurso que não fosse o semblante, há fundamentalmente este último, o semblante; e há a possibilidade que seja, “de um discurso que não fosse o semblante”. Haveria, puxando os fios do Seminário, Livro 11, Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise (1964), o ser, que “se decompõe, de maneira sensacional, entre o seu ser e o seu semblante, entre si mesmo e esse tigre de papel que ele dá a ver (Lacan, 1985, p. 106)”, a partir “de quatro lugares privilegiados (Livro 18), sendo que um ficou sem ser nomeado – justamente aquele que, pela função de seu ocupante, fornece o título de cada um desses discursos” (Lacan, 2009, p. 24).
São eles: (i) o discurso do significante-mestre, que é, por sua vez, encarnado; (ii) por certo saber, intitulado como discurso da universidade; (iii) fissurado pela emergência do sujeito, com sua divisão fundadora, configurando o discurso da histérica; (iv) o discurso do analista, que pressupõe, no horizonte indefinido, a ciência sem ideologias ou sem semblante (Lacan, 2009, p.24).
O semblante se produz a partir do vazio na estrutura, ocupado, em primeira instância, pelo discurso do significante-mestre, razão pela qual este detém a potência do vazio, que é a potência do artifício, do jogo, da dissimulação, da guarda da relação entre a violência e a lei. O discurso da universidade ou do saber é um efeito inconsciente do discurso do mestre, configurando a relação entre poder e saber de tal modo que este se inscreva como a instância do saber refém do poder, isto é, do significante-mestre, sempre como o filho perante o pai, a exclamar: “não vês que estou queimando?”
O problema edípico desse saber se queimando ( e já morto) pelo pai, em diálogo com o Livro 17: O avesso da psicanálise (1969-70), está relacionado ao fato de se constituir como “saber desnaturado de sua localização primitiva no nível do escravo por ter-se tornado puro saber do senhor, regido por seu mandamento (Lacan, 1992, p.97), que se marca, alienando-se de si mesmo, “como o gozo do Outro (Lacan, 1992, p.12)”.
Gozo do idiota por se achar pleno, resolvido; por se conceber fora do vazio; fora do movimento, do futuro, da vida, por ser um apêndice fálico insciente do mandato do pai, isto é, do soberano, isto é, da posição de opressor vivenciada, como função, pelo discurso do mestre, sempre considerando que o semblante se realiza como uma deriva fatal das relações sociais de produção entre opressores e oprimidos historicamente situadas, razão pela qual: (a) existe uma interface imanente entre psicanálise e materialismo histórico; (b) o inconsciente individual é uma variável do inconsciente social e este é um efeito das relações sociais de produção; (c) há o inconsciente do capitalismo realmente existente, sobretudo considerando a sua fase imperialista contemporânea em que o discurso do mestre se faz semblante com o dólar como parasita-mor dos povos, endividando-os e escravizando-os ao semblante, no contemporâneo, da algoritmização dos seres, transformados cada vez mais em “tigres de papel”; (d) há um inconsciente-histérico que se incursiona, sempre pelo conflito, para um mundo que não fosse o semblante do capitalismo monopólico, dolarizado e em processo adiantado de algoritmização do ultraimperialismo estadunidense.
E o “discurso que não fosse o semblante”, como se cifra?
Há quatro formas de interagir com o vazio, na estrutura; e a primeira, a do discurso do mestre, ironicamente é assim apresentado por Jacques Lacan no Livro 17: “desde que ele entra no campo do discurso do mestre, em que estamos tentando nos orientar, o pai, desde a origem, é castrado (Lacan, 1992, p. 94)”. O discurso do mestre se expressa necessariamente como o vazio cifrado pelo pai castrado, na origem, porque é o antípoda do discurso do analista; e o é por ser o esteio do semblante, compreendido, o semblante, como a contenção cultural-ideológica e psíquica; a prisão, a limitação dos seres. O discurso da universidade, por sua vez, constitui-se como o gozo plenamente morto, porque funciona como uma deriva sem vazio, sem futuro, sem alteridade, castração de um saber sem lastro na vida real e, assim, saber de sua submissão, ainda que presunçoso, ao pai castrado, invocando-o sempre na própria existência subordinada, humilhada, avassalada: “Não vês que estou queimando!?”
Para o psicanalista francês, retomando o caso Dora, apresentado por Freud em “Fragmento da análise de um caso de histeria” (1905), o discurso que não fosse o semblante cifra-se com a histérica, a que se marca positivamente como aquela que diz não à relação entre poder (discurso do mestre) e saber ( discurso da universidade); a que, como histérica, evidencia que o pai ( o discurso do mestre) é castrado; a que aciona o movimento propiciado pelo vazio que existe em tudo que há; a que demarca o gozo do idiota saber da universidade como o gozo que se concebe como, na prática, realização de um vazio castrado, cifra em gozo fálico e edípico de todas as formas de poder-repressão, poder sobre, poder soberano, unipolar, genocida, escravista, feudal, colonizador, capitalista, imperialista; tigres de papel, que, não obstante, no interior do semblante psíquico e social, queimam-se como zumbis pelo pai
Este, no contemporâneo, tem cada vez mais assumido o perfil de oligarcas do Vale do Silício, serial killers armados até os dentes com semblantes algorítmicos perante bilhões de usuários dotados cada vez mais de um saber algoritmizado.
Louis Althusser, em Marx e Freud (1976, p. 33-34), ao analisar a relação possível entre a psicanálise e o marxismo, argumentou: (i) que ambos são incompatíveis com certo modelo de razão; (ii) que ambos são uma forma de ciência sui generis por se inscreverem na dimensão irracional e conflitiva da vida individual e social; (iii) e irracional porque a base psíquica e social de todas as formas de irracionalidade, sob o prisma do inconsciente, é a existência do semblante, configurado na relação castrada entre discurso do mestre e o discurso da universidade e, sob o ponto de vista do marxismo, é a expropriação do trabalho coletivo realizada por uma minoria, por meio de uma multitudinária e imparável guerra de classes; (iv) que o objeto da psicanálise é o inconsciente, compreendido dialeticamente como o inconsciente do semblante e o inconsciente de um discurso que não fosse o semblante; (v) e, o do marxismo, é a luta de classes como motor da história, tendo como filosofia da práxis o materialismo histórico, saber que não é o discurso da universidade, mas o do inconsciente revolucionário ou conteúdo primário das vidas dos oprimidos de todos os tempos e lugares; (vi) que há, no horizonte, o discurso do analista, perspectivado, na psicanálise, como um mundo sem semblante, sem discurso do mestre e sem discurso da universidade; (vii) que, para o materialismo histórico, o discurso do analista equivale à sociedade comunista, a dos produtores livremente associados.
O inconsciente edípico do semblante da dominação estadunidense
Há o inconsciente estruturado como um semblante e há o inconsciente estruturado como um discurso que não fosse o semblante. No primeiro caso, domina a relação existencial e subjetiva poder-saber – discurso do mestre e discurso da universidade; é fundamentalmente uma relação exterior à vida, que se impõe à vida, tanto a do discurso do mestre quanto a do discurso da universidade, razão por que o discurso do mestre é castrado e o discurso da universidade é o gozo morto do idiota; relação que se estende à interação metabólica sociedade e natureza, a partir da qual a sociedade ( estruturada em termos de polaridade entre classes) se torna o discurso do mestre em face à natureza, poder-saber sobre, acumulando, de modo contraecológico, tanto a violência do ser castrado, o discurso do mestre, quanto a do ser que deseja, ao nível do inconsciente submetido, que os ecossistemas também sejam como si: “pai-sociedade, não vês que a natureza moribunda está queimando?”
O inconsciente como semblante da relação discurso do mestre e discurso da universidade é um inconsciente edípico, nos seguintes termos: (a) o do Édipo freudiano-familiar, representado pelo enredo melodramático do triângulo edípico, pai, mãe, filha, filho, como unidade mínima do semblante, podendo assumir formas distintas em diferentes perfis familiares, como os homoafetivos, com a tendência de reproduzir a relação entre o discurso do mestre e o discurso da universidade no âmbito do imediato-vivido das relações amorosas e do cuidado reprodutivo; (b) o do Édipo do capital-discurso-do-mestre euro-norte-americano e do trabalho alienado, como, no sentido mais amplo, instância mundial do discurso da universidade, unidade máxima, embora dinâmica, de uma estrutura mundial edípica, hoje, sionista-estadunidense, que impõe (ou tenta, por todos os meios) um sistema planetário de edipianização sionista dos povos ideologicamente estruturado pela metáfora literal, empirista e cinematograficamente editada e reeditada pelo retorno ao Antigo Testamento e pela travessia do Mar Vermelho.
No Brasil, o escritor e cineasta que compreendeu a edipianização sionista e cinematográfica, base do semblante do ultraimperialismo estadunidense, foi o tropicalista nascido em São Paulo, José Agrippino de Paula. Figuras como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Rita Lee, Nara Leão, Torquato Neto, Gal Costa, em maior ou menor medida, protagonizaram, nas artes, o movimento da contracultura, à brasileira, a saber, o Tropicalismo.
Antecipo, desde já, que interpreto a contracultura, entre as décadas de 1960 a 1990 do passado século, com epicentro na de sessenta, como a estrutura fetichizada do semblante do hegemon norte-americano do período da primeira guerra fria, assim perspectivado: (i ) discurso do mestre, proprietário da indústria cultural estadunidense, a produzir narrativas (fílmicas, literárias, radiofônicas, musicais, “teóricas”) que publicizavam a sua condição de líder absoluto do capitalismo ocidental, tendo como principal objetivo derrotar o eixo socialista e sobretudo a URSS, usando, como artifício, a guerra cultural e, no interior desta, a invenção da juventude – Hollywood, nesse contexto, tornou-se a principal indústria do hegemon-mestre EUA; (ii) discurso da universidade ou da servidão voluntária realizado em tempo real pelo “não vês que estou queimando?” da juventude transviada, porra-louca, anarquista, irracional, drogada – Maio de 1968 na França foi, sob esse aspecto, a primeira revolução colorida estadunidense usando a juventude como arma de guerra, no caso, contra a tentativa de Charles de Gaulle de sair do eixo de dominação do dólar, estocando ouro.
José Agrippino de Paula foi um escritor que, não obstante encarnasse o semblante do discurso da universidade do seu período histórico, exerceu, como criador, momentos de histerismo rumo a um discurso que não fosse o semblante, por meio da técnica estético-antropofágica de um realismo alegórico assentado na crítica ficcional ao discurso do mestre castrado estadunidense. De modo antropofágico, conseguiu, nos limites anarquistas que lhe diziam respeito, ruminar a contracultura estadunidense, colocando-a contra si mesma.
No seu romance PanAmérica (1967), o enredo da narrativa é o seguinte: começa com um cineasta, que se supõe ser brasileiro, designado marcialmente como Eu, dirigindo um filme epopeico da travessia do Mar Vermelho. Os personagens da narrativa são, Burt Lancaster, Anjo do Senhor, Che Guevara, Marilyn Monroe, Cary Grant, representando o Moisés, Yul Brynner, representando Deus, John Wayne, Marlon Brando, Andy Warhol, Joe Di Maggio, Carlo Ponti, papa Paulo VI, Luther King, Dom Quixote, De Gaulle, Hitler, Kennedy, Churchill muito gordo, Marx, Napoleão, Gandhi.
O capítulo inicial é o Estúdio F, o da travessia do Mar Vermelho, terminou abruptamente com um acidente em certo sentido previsível porque o filme (o romance) se propõe a ser realista, posição assumida pelos próprios atores hollywoodianos, motivo do seguinte fragmento da narrativa: “Eu gritei irritado com Burt dizendo que eu pretendia colocar o seu double na cena da fuga dos judeus, mas que ele é que havia insistido para ser ele mesmo o Anjo do Senhor” (De Paula, 1988, p. 10).
Burt, como Anjo do Senhor, deveria mediar o encontro de Deus, Yul Brynner, com Moisés. Atento ao desafio, o diretor perguntou a respeito aos assistentes que “responderam que Yul Brynner e Gary Grant e já tinham ensaiado os diálogos entre Deus e Moisés” (DE Paula, 1988, p.11).
Leio, a propósito, a passagem do romance de Agrippino de Paula, “já tinham ensaiado o diálogo entre Deus e Moisés”, apresentada no parágrafo anterior, reforçando a instância “entre”, entre Deus e Moisés; o entre como o vazio castrado do discurso do mestre (Deus) e o discurso da universidade, Moisés, semblante da edipianização sionista da dominação cultural de EUA, tendo em vista: (a) que a expressão “já tinham ensaiado”, remetendo ao passado, replica a sentença, no contexto bíblico, “está escrito!”, isto é, determinado, preestabelecido, predestinado como Antigo Testamento; (b) se o vazio castrado do semblante da dominação edípica estadunidense implica um “já está escrito”, um diálogo entre Deus e Moisés realizado antes do antes, isso significa que o durante e o depois, ou o presente e o futuro funcionarão como a reescrita das origens supostamente sagradas ( não esqueçamos, com Lacan, o pai, na origem, é castrado); (c) no livro O ultraimperialismo americano e a antropofagia matriarcal da literatura brasileira (2018), analisei PanAmérica como romance em que o Mar Vermelho se tornou, na encruzilhada ideológica do sistema imperialista anglo-saxônico e sionista, a própria história da humanidade, de modo que esta tende a ser concebida como travessia do Povo Escolhido ( os sionistas anglo-americanos, associados à elite judaica revisionista) rumo ao mesmo tempo às origens míticas da Terra Prometida (Plymouth para os EUA; e Grande Israel, para os judeus sionistas) e ao Juízo Final.
Chamo de “cinema total estadunidense”, em diálogo com o enredo de PanAmerica, a transformação da história da humanidade em estúdio de estúdios, de modo que, para o Pentágono, as guerras, sobretudo aéreas, são estúdios de guerra contra os povos, permanentemente editáveis (leia-se, matáveis!), sobretudo quando perdidas; para o Federal Reserve, Wall Street, Departamento de Estado, a CIA, o FBI, suas múltiplas agências, Ongs, Universidades, com seus estúdios de teorias; e assim para o Vale do Silício, com suas armas de algoritmos contra tudo que existiu, existe e existirá.
O cinema total estadunidense é o discurso do mestre que reatualiza sem cessar o Antigo Testamento, o povo escolhido; e o discurso da universidade, seu semblante planetário, é Mar Vermelho, sangue dos povos.
Histéricos do mundo, com a vanguarda de Irã, uni-vos em torno do eixo de resistência do materialismo histórico-ecológico que a si mesmo se edita, soberanamente.
*Luis Eustáquio Soares é professor titular do Departamento de Letras da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Autor, entre outros livros, de A sociedade do controle integrado (Edufes). [https://amzn.to/3YO7Gcn]
Referências
ANDRADE, Oswald, “Manifesto antropófago”. In. Do Pau-Brasil à antropofagia às utopias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1970, p. 14-15.
BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. A segunda guerra fria: geopolítica e dimensão estratégica de Estados Unidos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.
DE PAULA, José Agrippino de. PanAmerica. São Paulo: Editora Martins Limonad, 1988.
ENGELS, Friedrich. MARX, Karl. Manifesto comunista. Tradução Álvaro Pina e Ivana Jinkings. São Paulo: Boitempo, 2010.
FREUD, Sigmund. A interpretação de sonhos. Trad. Waldefredo Ismael de Oliveira. Rio de Janeiro: Imago, 1972.
FREUD, Sigmund. “Fragmento da análise de um caso de histeria”. In.: Obras Completas. Um caso de histeria, três ensaios sobre sexualidade e outros trabalhos (1901/1905), VOL VII Trad. Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996;
ALTHUSSER, Louis. Freud e Lacan – Marx e Freud. Trad.: Walter José Evangelista. Rio de Janeiro: Graal, 1991.
LACAN, Jacques. O Seminário, Livro 11, os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Trad. M.D. Magno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
LACAN, Jacques. O seminário, livro 17: o avesso da psicanálise. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Versão brasileira de Ary Roitman. Consultor: Antonio Quinet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.
LACAN, Jacques. O seminário, livro18: de um discurso que não fosse semblante, (1971). Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.

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