Por PAULO FERNANDES SILVEIRA*
![]() |
Convenção Nacional do Negro Brasileiro, 1945 |
A pesquisa UNESCO rompeu com o silenciamento acadêmico ao colocar militantes negros como sujeitos fundamentais na investigação sociológica sobre o preconceito
para Gabriel Priolli
Entre maio e novembro de 1951, Roger Bastide e Florestan Fernandes, coordenadores da pesquisa UNESCO sobre as relações raciais em São Paulo, promoveram encontros com a militância negra na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da Universidade de São Paulo (USP). A cada quinze dias, dezenas de lideranças negras ocuparam o salão nobre da Faculdade de Filosofia da USP.[i]
Utilizando-se de seminários, conferências, questionários, entrevistas, histórias de vida e relatórios temáticos, a pesquisa UNESCO em São Paulo, realizada entre 1951 e 1952, enfatizou a centralidade das experiências e dos testemunhos das pessoas negras na construção do conhecimento científico sobre a discriminação racial.
As lideranças do movimento negro que colaboraram com a pesquisa UNESCO eram jornalistas, políticos, professores, funcionários públicos e dirigentes de associações negras, como Jorge Teixeira, diretor da Associação José do Patrocínio (Teixeira, 2024), e Sofia Campos Teixeira, presidenta da Federação das Mulheres do Estado de São Paulo e coordenadora da Associação das Empregadas Domésticas (Teixeira, 2025).
No mesmo período, Jorge Teixeira e Florestan Fernandes organizaram encontros na Associação José do Patrocínio com mulheres da comunidade negra.
A professora Maria Isaura Queiroz e o estudante Renato Moreira ficaram responsáveis pela elaboração das histórias de vida. Queiroz (1989) redigiu a história de vida de uma empregada doméstica negra que trabalhava em sua casa. Moreira elaborou as histórias de vida dos militantes Francisco Lucrécio e José Correia Leite (História de vida, 1951). Moreira também escreveu com Leite o texto “Movimentos sociais no meio negro” (Leite; Moreira, 2025).
No documentário “O mestre”, homenagem a Florestan Fernandes realizada em 2004, Antonio Candido de Mello e Souza (2020, 18min 52s) comenta a pesquisa: “Florestan Fernandes ajudou Roger Bastide a montar um dos mais belos esquemas de análise sociológica que eu já vi, eles mobilizaram a comunidade negra. Ao invés de ir lá estudar o objeto, eles puxaram a comunidade negra para ser sujeito, ao mesmo tempo. Quer dizer, o negro, a partir dessa pesquisa do Florestan Fernandes e do Roger Bastide, deixou de ser objeto de estudo, para ser sujeito de estudo: ele participar, ele falar, ele orientar, junto com os pesquisadores”.[ii]
Como sustenta Antonio Candido, ao convidarem a militância negra para contribuir com a pesquisa UNESCO, Roger Bastide e Florestan Fernandes romperam com a tradição acadêmica de silenciamento dos grupos marginalizados da sociedade.
Os registros das diversas contribuições da militância negra para a pesquisa UNESCO sobre as relações raciais em São Paulo encontram-se no acervo do Fundo Florestan Fernandes, da Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). No livro A integração do negro na sociedade de classes, Florestan Fernandes (1978) retomou esses registros.
Seminários, questionários, entrevistas e histórias de vida
Colaboraram com a pesquisa UNESCO mais de 40 pessoas da militância negra, entre elas: Benedita Costa; Edila Nogueira; Nair Pinheiro; Maria de Lourdes Rosário; Maria Aparecida Camargo; Sofia Teixeira; Maria Nascimento; Maria José Santos; Maria Helena Barbosa; Ruth de Souza; Nilza de Vasconcellos; Jorge Teixeira; José Correia Leite; Nestor Borges; Francisco Lucrécio; Luiz Lobato; Geraldo Teixeira; Edgard Sant’Anna; Jayme Aguiar; Arlindo Veiga dos Santos; José Pelegrini; Raul Joviano do Amaral; Vicente Custódio; Adélio Silveira; Carlos de Assumpção. A pesquisadora e professora negra Virgínia Bicudo também colaborou com a pesquisa.
Em 1950, Roger Bastide e Florestan Florestan participaram do I Congresso do Negro Brasileiro, coordenado pelo Teatro Experimental do Negro (TEN). Nesse congresso, Bastide e Florestan estiveram com lideranças negras que participariam, no ano seguinte, da pesquisa UNESCO (Nascimento, 1982).
Nos seminários da pesquisa UNESCO, algumas lideranças negras afirmam ser amigas de Roger Bastide. Outro ponto de contato entre os professores da USP e a militância negra era Antonio Candido, que fazia parte da Esquerda Democrática, na qual também faziam parte: Sofia Campos, Francisco Lucrécio, Luiz Lobato e Geraldo Campos, lideranças negras que colaboraram com a pesquisa (Sotero, 2015).
No projeto para a pesquisa, publicado em abril de 1951, Roger Bastide e Florestan Fernandes justificam a importância da palavra das pessoas negras: “A abolição é relativamente recente. (…) Ainda hoje vivem em São Paulo alguns ex-escravos e ex-senhores; uma das possibilidades de conhecimento sociológico desse período consiste em explorar sistematicamente tais fontes vivas. Isso poderá ser feito de dois modos: através de entrevistas, orientadas por um pequeno formulário; e através de coleta de histórias de vida” (Bastide; Fernandes, 1959, p. 346).
As entrevistas com pessoas brancas, pardas e negras encontram-se nos arquivos: Entrevistas, Entrevistas com pretos e Material de pesquisa.
Os questionários preenchidos encontram-se no arquivo: Observação em massa.
Os seminários com a militância negra realizados na Biblioteca Municipal de São Paulo e na FFCL da USP encontram-se no arquivo: Observação em massa (situação grupal).
Os registros das reuniões com mulheres negras realizadas na mesma faculdade encontram-se no arquivo: Reunião com mulheres negras.
Os registros dos seminários com mulheres negras realizados na Associação José do Patrocínio encontram-se no arquivo: Seminários (Associação José do Patrocínio).
As histórias de vida de José Correia Leite e de Francisco Lucrécio, coletadas e redigidas por Renato Moreira, encontram-se no arquivo: História de vida.
Não foi localizado o arquivo com a história de vida coletada por Maria Queiroz.
O arquivo Material de pesquisa traz as transcrições de entrevistas com pessoas brancas e negras em fábricas da cidade de São Paulo.
O arquivo Estudos de caso possui pesquisas de Renato Moreira, Francisco Lucrécio, Maria Queiroz e Fernando Henrique Cardoso sobre: bailes de negros, família tradicional, movimento negro, crianças negras nos parques infantis e a imprensa negra.
O arquivo Estudos de caso II traz: um dos relatórios elaborados por Jorge Teixeira, entrevistas registradas por Marialice Mencarini e Florestan Fernandes em cortiços do bairro da Bela Vista e estudos de Maria Neusa Avênia e Lólio Lourenço de Oliveira sobre a representação do negro no folclore e na música popular.
Encontros da militância negra na USP
Uma das inspirações de Roger Bastide e Florestan Fernandes para utilizarem técnicas de pesquisa que colocam em destaque as vivências e experiências das pessoas negras foram as pesquisas sociológicas da Escola de Chicago, muitas delas, realizadas por intelectuais negras e negros (Silveira, 2025).
O militante Jorge Teixeira foi convidado por Roger Bastide e Florestan Fernandes para ser secretário da Comissão para o Estudo das Relações Raciais. No primeiro seminário, realizado na Biblioteca Municipal, em 8 de maio de 1951, Jorge Teixeira afirma que foi escolhido para o cargo pelo fato de estar cursando sociologia (Observação em massa, 1951b, p. 10).
Ao apresentar os objetivos da pesquisa, Bastide argumenta: “Falando deste assunto com meu amigo Jorge Teixeira, ele teve a ideia muito feliz de fazer uma mesa redonda para discutir entre nós este preconceito de cor, ou da existência de miscigenação racial asiática. Foi por isso que pedi o comparecimento de alguns intelectuais negros e dos líderes de cor, assim como de alguns estudantes brancos que se interessam pelo problema racial” (Observação em massa, 1951b, p. 1).
Além de coordenar alguns seminários, Jorge Teixeira foi um dos responsáveis por convidar as lideranças negras para colaborarem com a pesquisa. Teixeira também elaborou os relatórios: “Arregimentação eleitoral e politização no meio negro” (Estudos de caso II, 1951) e “Casamento de negros qualificados na classe alta da comunidade negra” (Fichas, 1951).
Sempre atraindo um grande público, os seminários realizados na Faculdade de Filosofia da USP transcorreram durante o ano de 1951, normalmente, às terças-feiras, a partir das 20.30 horas. Cada encontro trouxe um ou mais temas para o debate, aberto para a participação de todas as pessoas presentes. A militância negra também foi convidada para apresentar conferências no decorrer dos seminários.
As conferências apresentadas foram: “O preconceito racial no Brasil”, por Vicente Custódio, representante da Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos; “O problema do negro no Brasil”, por Edgard Sant’Anna; “O elemento negro na população de São Paulo” e “Reflexões sobre o preconceito”, por Raul Joviano do Amaral; “Evolução da situação de contato”, por Sofia Teixeira; “Comportamento da polícia e do juizado de menores com relação ao elemento negro”, por Adélio Silveira; “Brancos e negros numa sociedade de classes”, por Luiz Lobato; “Situação econômica do negro brasileiro”, por Nestor Borges (Observação em massa, 1951b).
Em 1951, Oracy Nogueira (1969), colaborador da pesquisa UNESCO, ofereceu um curso sobre técnicas da pesquisa social na Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP). Os coordenadores e alguns dos colaboradores da pesquisa UNESCO escreveram sobre as peculiaridades da história de vida como técnica da pesquisa social (Bastide, 1989; Fernandes, 1960; Queiroz, 1989; Moreira, 1989).
O mito da democracia racial
O último seminário da pesquisa, realizado num sábado, no dia 17 de novembro de 1951, às 15.00 horas, teve as participações de Oswald de Andrade e de Alfred Métraux, diretor da UNESCO.
Em sua intervenção, Alfred Métraux sustentou que o objetivo da UNESCO era mostrar que o Brasil estava livre de preconceitos: “Será uma prova, uma demonstração concreta das possibilidades de convivência” (Observação em massa, 1951b, p. 695).
A tese de que não haveria preconceitos no Brasil é oriunda das obras de Gilberto Freyre, que reconhecem a existência da democracia racial no país. Ela teria sido construída a partir de colonização portuguesa, que não coibiu a miscigenação entre europeus brancos e mulheres indígenas ou negras:
“Esse caráter humano da colonização portuguesa, se no Brasil é que teve a sua expressão mais larga e ao mesmo tempo mais feliz, é, entretanto, comum à obra colonizadora de Portugal” (Freyre, 2010, p. 27).
Entre 1951 e 1952, período em que foi realizada a pesquisa UNESCO, Gilberto Freyre viajou com sua família para Portugal e para África a convite do ditador António Salazar, que utilizava as ideias do sociólogo brasileiro para justificar a colonização portuguesa (Diário de Pernambuco, 1952).[iii]
Em 1953, ano em que a pesquisa UNESCO em São Paulo foi publicada, Gilberto Freyre (1953a; 1953b) publicou dois livros que somam mais de mil páginas exaltando a colonização portuguesa no continente africano: Um brasileiro em terras portuguesas e Aventura e rotina.[iv]
*Paulo Fernandes Silveira é professor de educação na Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do Grupo de Pesquisas em Direitos Humanos do Instituto de Estudos Avançados (GPDH).
![]() |
(Jornal de Notícias, 1951, p. 5).
Arquivos
ENTREVISTAS (1951). N° do Item documental: 4226. Coleção Especial do Fundo Florestan Fernandes. Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), São Carlos.
ENTREVISTAS com pretos (1951). N° do Item documental: 6536. Coleção Especial do Fundo Florestan Fernandes. Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), São Carlos.
ESTUDOS de caso II (1951). N° do Item documental: 4539. Coleção Especial do Fundo Florestan Fernandes. Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), São Carlos.
ESTUDOS de caso (1951). N° do Item documental: 4527. Coleção Especial do Fundo Florestan Fernandes. Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), São Carlos.
FICHAS (1951). N° do Item documental: 4538. Coleção Especial do Fundo Florestan Fernandes. Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), São Carlos.
HISTÓRIA de vida (1951). N° do Item documental: 4528. Coleção Especial do Fundo Florestan Fernandes. Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), São Carlos.
MATERIAL de pesquisa (1951). N° do Item documental: 4225. Coleção Especial do Fundo Florestan Fernandes. Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), São Carlos.
OBSERVAÇÃO em massa (1951a). N° do Item documental: 4530. Coleção Especial do Fundo Florestan Fernandes. Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), São Carlos.
OBSERVAÇÃO em massa (situação grupal) (1951b). N° do Item documental: 4531. Coleção Especial do Fundo Florestan Fernandes. Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), São Carlos.
REUNIÃO com mulheres negras (1951). N° do Item documental: 4534. Coleção Especial do Fundo Florestan Fernandes. Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), São Carlos.
SEMINÁRIOS (Associação José do Patrocínio (1951). N° do Item documental: 4535. Coleção Especial do Fundo Florestan Fernandes. Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), São Carlos.
Referências
Assessoria de Segurança e Informação (1977). “O negro no Brasil” (Painel). Origem: ASI/USP. Difusão Atual: DEOPS/SP-DPF/ASP. Realizado pelo Prof. Fernando de A. A. Mourão, do Centro de Estudos Africanos, 19 de abril de 1977. Dossiê 50-K-104-3115. São Paulo: Arquivo Público do Estado de São Paulo.
BASTIDE, Roger (1989). Introdução a dois estudos sobre a técnica das histórias de vida. In: QUEIROZ, Maria (org.). Variações sobre a técnica de gravador no registro da informação viva. São Paulo: T. A. Queiroz Editor, p. 150-153.
BASTIDE, Roger; FERNANDES, Florestan (1959). O preconceito racial em São Paulo (projeto de estudo). In: BASTIDE, Roger; FERNANDES, Florestan (orgs.). Brancos e negros em São Paulo. São Paulo: Companhia Editora Nacional, p. 321-358.
BORGES, Nestor (2024). Situação econômica do negro – razões e consequências. A Terra é Redonda, nov. 2024. Disponível aqui: https://aterraeredonda.com.br/situacao-economica-do-negro-brasileiro-razoes-e-consequencias/
CHALHOUB, Sidney (2020). 50 anos da obra A Integração do Negro na Sociedade de Classes, Mesa 3. Youtube. 2h 22min 26s. Disponível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=ZHuLcUgKO3k&t=6705s
DÁVILA, Jerry (2011). Hotel trópico: o Brasil e o desafio da descolonização africana (1950-1980). Rio de Janeiro: Paz e Terra.
Delegacia de Ordem Social (1977). SBPC – Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência. Pasta 73. São Paulo: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Disponível em: https://web.arquivoestado.sp.gov.br/uploads/acervo/textual/deops/prontuarios/BR_SPAPESP_DEOPSOS000998.pdf
DIÁRIO DE PERNAMBUCO (1952). “Chegou, ontem, ao Recife, de regresso de sua viagem ao Ultramar, o escritor Gilberto Freyre”. Diário de Pernambuco, 10 fev. 1952, p. 1. Disponível aqui: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=029033_13&pasta=ano%20195&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=9703
FERNANDES, Florestan (1978). A integração do negro na sociedade de classes, v. 1. São Paulo: Editora Ática.
FERNANDES, Florestan. A história de vida na investigação sociológica: seleção dos sujeitos e suas implicações. In: FERNANDES, Florestan. Ensaios de sociologia geral e aplicada. São Paulo: Pioneira, 1960, p. 251-269.
FREYRE, Gilberto (2010). Mundo que o português criou. São Paulo: É Realizações.
FREYRE, Gilberto (1953a). Um brasileiro em terras portuguesas. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora.
FREYRE, Gilberto (1953b). Aventura e rotina. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora.
JORNAL DE NOTÍCIAS (1951). Elaborado o projeto de estudo sobre o preconceito racial em São Paulo, 11 de maio de 1951, p. 5. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=583138&pasta=ano%20195&pagfis=17258
LEITE, José; MOREIRA, Renato (2025). Movimentos sociais no meio negro. A Terra é Redonda, mar. 2025. Disponível aqui: https://aterraeredonda.com.br/movimentos-sociais-no-meio-negro-1910-1940/
MOREIRA, Renato (1989). A história de vida na pesquisa sociológica. In: QUEIROZ, Maria (org.). Variações sobre a técnica de gravador no registro da informação viva. São Paulo: T. A. Queiroz Editor, p. 167-171.
NASCIMENTO, Abdias (1982). O negro revoltado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
NOGUEIRA, Oracy (1969). Pesquisa social: introdução às suas técnicas. São Paulo: Companhia Editora Nacional.
PRIOLLI, Gabriel (1977). O negro da senzala ao soul. Youtube. 45min 29s. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=5AVPrXwxh1A
QUEIROZ, Maria (1989). Histórias de vida e depoimentos pessoais. In: QUEIROZ, Maria (org.). Variações sobre a técnica de gravador no registro da informação viva. São Paulo: T. A. Queiroz Editor, p. 154-166.
SILVEIRA, Paulo (2025). Vida, obra e atualidade do pensamento de Florestan Fernandes. Especiaria: Cadernos de Ciências Humanas, 22, p. 1-27. Disponível aqui: https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4787
SOTERO, Edilza (2015). Representação política negra no Brasil pós-Estado Novo. Doutorado em Sociologia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-03122015-134905/publico/2015_EdilzaCorreiaSotero_VCorr.pdf
SOUZA, Antonio (2020). Florestan Fernandes: o mestre. Youtube. 46min 20s. Disponível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=jB3TDIv4POk
TEIXEIRA, Jorge (2024). Reerguimento do negro – um problema econômico. A Terra é Redonda, dez. 2024. Disponível aqui: https://aterraeredonda.com.br/reerguimento-do-negro-um-problema-economico/
TEIXEIRA, Sofia (2025). A mulher negra e a libertação social. A Terra é Redonda, fev. 2025. Disponível aqui: https://aterraeredonda.com.br/a-mulher-negra-e-a-libertacao-social/
Notas
[i] Em 1977, outra festa acadêmica negra ocorreu na USP. Coordenada por Eduardo de Oliveira e Oliveira, a “Quinzena de estudos sobre o negro no Brasil” foi realizada no Instituto de Psicologia da USP. Gabriel Priolli (1977) registrou esse evento no documentário: “O negro da senzala ao soul”. Num relatório encaminhado para a reitoria da USP e para o DEOPS, Fernando Mourão, professor da Faculdade de Filosofia da USP e diretor do Centro de Estudos Africanos, menciona o evento: “(Eduardo de Oliveira) está propondo a realização de uma ‘Quinzena de estudos sobre o negro no Brasil’. A ideia em si é excelente; o que é perigoso é que a coordenação esteja na mão do citado elemento (…). Não obteve apoio por parte do diretor da FFLCH da USP, mas é natural que tente contornar o problema” (Assessoria de Segurança e Informação, 1977).
[ii] Essa interpretação de Antonio Candido não é unânime no meio acadêmico. Em 2014, estudantes da Faculdade de Filosofia da USP organizaram um encontro para comemorar os 50 anos da publicação do livro A integração do negro na sociedade de classes. Uma das mesas de debates ocupou-se, fundamentalmente, em criticar o livro. Em sua comunicação, Sidney Chalhoub (2020, 24min 40s) objeta: “Eu sou muito diferente do Florestan. (…) Eu aprendo as coisas pesquisando. (…) Nada disso eu aprendi na militância, aprendi estudando”.
[iii] A ditatura militar também se apropriou das ideias de Gilberto Freyre (Dávila, 2011). A primeira página de um dos arquivos do DEOPS, elaborado em 1977, traz uma reportagem em que Freyre defende o capitão-de-mar-e-guerra José Carlos Azevedo, reitor da UNB, e critica a SBPC, a Igreja e o princípio da igualdade absoluta, que ameaçaria transformar a universidade numa Santa Casa da Misericórdia (Delegacia de Ordem Social, 1977).
[iv] Uma versão desse texto foi publicada pela Política & Trabalho: Revista de Ciências Sociais, n. 62.


Nenhum comentário:
Postar um comentário