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O que fica?

Do A Terra É Redonda, 7 de junho 2026
Por JOÃO DOS REIS SILVA JÚNIOR*



Para além da superfície das pesquisas e do marketing de campanha, o pleito de 2026 coloca à prova a capacidade do país de romper com estruturas seculares de desigualdade e dependência
1.

Decidi acompanhar semanalmente as eleições de 2026. Não para transformar a política em corrida de cavalos, nem para repetir, a cada domingo, quem subiu, quem caiu, quem errou ou quem ocupou melhor a cena pública. Tudo isso importa, porque a conjuntura também fala. Pesquisas, alianças, crises, frases, silêncios, reações do mercado, interpretações da mídia nacional e leituras da imprensa internacional compõem o campo visível da disputa.

Mas a eleição brasileira nunca se esgota no visível. Ela carrega algo mais fundo: a longa história de um país que muda muito e, ainda assim, preserva formas de poder, desigualdade, tutela, dependência e medo popular. Por isso, a pergunta que orientará esta série é simples: o que fica?

A eleição presidencial de 2026 não será apenas uma disputa entre candidatos. Nenhuma eleição brasileira é apenas isso. Em sociedades de formação institucional mais estabilizada, ela pode parecer alternância regular entre projetos distintos dentro de uma moldura consolidada.

No Brasil, a eleição é também um teste histórico. Ela condensa rupturas passadas, fragilidades institucionais, expectativas populares, ressentimentos sociais, promessas de futuro e a suspeita recorrente de que esse futuro será novamente bloqueado. O eleitor vota no presente, mas vota atravessado por séculos de formação incompleta. Por isso, acompanhar 2026 exige olhar para cada fato da semana sem perder a longa duração que o torna inteligível.

O Brasil tem enorme capacidade de mudar sem se transformar. Mudam personagens, partidos, slogans, tecnologias de campanha, modos de comunicação, alianças e instrumentos de disputa. Mas certas formas atravessam essas mudanças. A cidadania segue incompleta. O Estado segue tutelando a sociedade mais do que sendo por ela controlado. A desigualdade segue administrada, não superada.

A conciliação segue aparecendo como virtude nacional, mesmo quando bloqueia a transformação. A dependência segue reorganizando economia, política, cultura e imaginação pública. A democracia segue formalmente afirmada, mas tensionada por forças que aceitam o voto apenas quando o voto não ameaça a estrutura.

Perguntar “o que fica?” não significa negar a mudança. Ao contrário, só se pergunta pela permanência quando se leva a sério aquilo que muda. O Brasil de 2026 não é o Brasil colonial, imperial, oligárquico, varguista, ditatorial, neoliberal ou bolsonarista em sua forma original. Cada período reorganizou a vida nacional, produziu novos atores, novas linguagens e novas contradições.

Mas a mudança brasileira frequentemente altera a aparência sem romper a lógica profunda. O país se moderniza preservando hierarquias, democratiza-se preservando tutela, inclui preservando dependência e fala em futuro enquanto grande parte da população vive submetida à urgência da sobrevivência.

2.

A mídia nacional será indispensável, não porque diga a verdade inteira, mas porque organiza a cena visível da disputa. Ela seleciona o que aparece, define o ritmo da urgência, transforma falas em crise e crises em sensação de inevitabilidade. Ao destacar pesquisas, alianças, denúncias, gestos e frases, ajuda a formar o horizonte de percepção do eleitor. Na escolha das palavras, na centralidade dada ao mercado, na ansiedade diante da política social, na naturalização da austeridade e na moralização seletiva da corrupção, a mídia nacional revela muito sobre o Brasil que permanece.

A mídia internacional permite outro ângulo. Ela olha o Brasil de fora, ainda que nem sempre compreenda sua formação. Muitas vezes, vê o país como ativo geopolítico, mercado emergente, potência ambiental, risco institucional, problema fiscal, democracia em recuperação ou economia a ser estabilizada. Esse olhar externo é limitado, mas útil. Ele mostra como o Brasil é situado no mundo. A imprensa internacional costuma perguntar se o país será confiável, estável e previsível. Essas perguntas revelam que o Brasil continua sendo interpretado menos como sujeito soberano de um projeto nacional e mais como peça de uma ordem internacional que exige estabilidade periférica.

Entre a mídia nacional e a internacional, forma-se uma dupla lente. A nacional mostra a disputa por dentro, com afetos, ressentimentos, cálculos e memórias internas. A internacional mostra o país como problema de governabilidade, mercado, ambiente e geopolítica. Nenhuma das duas basta. Mas as duas, lidas criticamente, ajudam a acompanhar a eleição como sintoma. O que a imprensa nacional chama de crise pode ser manifestação de uma contradição estrutural. O que a imprensa internacional chama de risco pode ser a dificuldade histórica de um país dependente afirmar soberania real. O que ambas chamam de moderação pode ser a velha conciliação brasileira com outro vocabulário.

A primeira permanência é a cidadania incompleta. O Brasil produziu cidadãos juridicamente reconhecidos, mas desiguais em sua capacidade real de exercer direitos. A cidadania brasileira sempre foi atravessada por filtros: renda, raça, território, escolaridade, gênero, posição social, acesso à informação, estabilidade no trabalho, relação com o Estado e redes de proteção.

A Constituição prometeu universalidade, mas a vida social distribuiu desigualmente as condições de uso dessa promessa. Em 2026, cada candidatura falará a um tipo de cidadão: consumidor endividado, trabalhador precarizado, eleitor ressentido, sujeito religioso-moral, democrata assustado, jovem sem expectativa, morador de periferia, servidor público, estudante, aposentado e cidadão digital.

3.

A segunda permanência é o medo da participação popular. O Brasil nunca resolveu plenamente sua relação com o povo. O povo é invocado, celebrado, fotografado, disputado e romantizado, mas raramente aceito como sujeito pleno de decisão. Quando participa demais, assusta. Quando exige demais, é acusado de irresponsabilidade. Quando vota contra as expectativas das elites, é tratado como manipulado. Quando reivindica direitos, é visto como custo. Quando se organiza, é interpretado como ameaça. A democracia brasileira aceita o povo como eleitor, mas hesita diante do povo como força histórica.

A terceira permanência é a conciliação. O Brasil aprendeu a transformar conflitos profundos em acordos por cima. A conciliação aparece como prudência, maturidade, equilíbrio, responsabilidade e moderação. Às vezes, ela é necessária para impedir rupturas destrutivas. Mas, historicamente, também funcionou como técnica de preservação das estruturas. Em 2026, a palavra moderação será repetida muitas vezes. Será preciso perguntar: moderação para quê? Para impedir o autoritarismo ou para impedir mudanças sociais? Para reconstruir instituições ou para desmobilizar demandas populares?

A quarta permanência é a dependência. A eleição será nacional, mas seu horizonte não será apenas nacional. O Brasil votará sob pressão de juros, mercados, cadeias globais, disputas geopolíticas, crise ambiental, plataformas digitais, capital financeiro e expectativas externas. A soberania brasileira aparece sempre condicionada. Todo projeto nacional precisa responder a perguntas que vêm de fora: como garantir estabilidade fiscal, atrair investimento, preservar confiança, proteger a Amazônia, equilibrar relações internacionais e crescer sem romper pactos financeiros? A dependência não significa ausência de escolha, mas estreitamento histórico das escolhas.

A quinta permanência é a desigualdade naturalizada. O Brasil se acostumou a conviver com desigualdades extremas sem tratá-las como escândalo permanente. A pobreza aparece como problema social, raramente como acusação contra a forma histórica do país. A precariedade aparece como dificuldade individual, não como estrutura. A violência aparece como problema de segurança, não como produto de uma sociedade fundada na exclusão. A educação aparece como solução, mas muitas vezes sem as condições materiais que permitiriam torná-la solução real. A eleição terá de falar aos pobres, aos endividados, às famílias comprimidas pelo custo de vida e aos que vivem entre trabalho, dívida e medo.

4.

A sexta permanência é a moralização seletiva da política. O Brasil frequentemente transforma problemas estruturais em dramas morais personalizados. A corrupção costuma ser tratada como vício de indivíduos ou grupos, não como relação histórica entre Estado, capital, favor, financiamento político, privilégios e apropriação privada do público. A moralização seletiva permite condenar adversários enquanto preserva a estrutura. Em 2026, falar-se-á em honestidade, família, Deus, povo, trabalho, mérito, responsabilidade, liberdade e ordem. O problema não está nessas palavras em si, mas no uso político que delas se faz.

A sétima permanência é o autoritarismo latente. O Brasil não precisa declarar-se autoritário para funcionar autoritariamente em muitos planos. Há autoritarismo na violência policial seletiva, na hierarquia social naturalizada, no desprezo pelos pobres, no racismo cotidiano, na misoginia, na homofobia, na defesa abstrata da ordem contra direitos concretos, na saudade de soluções de força, na impaciência com instituições e na transformação da política em guerra moral. Em 2026, o autoritarismo poderá aparecer com rosto explícito ou moderado. Poderá vestir a roupa da indignação, da eficiência, da segurança, da religião, da defesa da liberdade ou do combate ao sistema.

A oitava permanência é a fragilidade da mediação democrática. Partidos, sindicatos, movimentos sociais, universidades, imprensa, parlamento, tribunais, escolas e organizações civis são mediações fundamentais da vida democrática. Mas o Brasil vive um longo processo de desconfiança dessas mediações. Parte da população passou a vê-las como obstáculos, privilégios ou aparelhos distantes.

As redes sociais intensificaram esse processo ao criar a sensação de contato direto entre líder e povo. A política tornou-se mais imediata, emocional, visual e fragmentada. Quem conseguir traduzir a vida concreta das pessoas em linguagem compreensível terá vantagem. Mas há diferença decisiva entre traduzir a experiência popular e explorá-la.

A nona permanência é o Estado ambíguo. O brasileiro desconfia do Estado, mas recorre a ele. Critica impostos, mas precisa de saúde, escola, segurança, previdência, infraestrutura, crédito, proteção social e estabilidade. O Estado brasileiro foi, ao mesmo tempo, instrumento de dominação e espaço de conquista. Foi máquina de tutela, mas também garantidor de direitos. Foi apropriado por elites, mas também pressionado por movimentos populares. Foi violento, mas também necessário.

Em 2026, as candidaturas disputarão essa ambiguidade: que Estado está sendo prometido? Um Estado para controlar os pobres, garantir negócios, proteger direitos, organizar a transição ambiental, administrar a dependência ou ampliar a soberania democrática?

5.

A décima permanência é a dificuldade brasileira de produzir futuro comum. O país vive de futuros interrompidos. Prometeu civilização, progresso, desenvolvimento, modernização, democracia, inclusão, estabilidade, crescimento, inovação e protagonismo internacional. Em cada promessa, algo se realizou e algo foi bloqueado.

O futuro brasileiro costuma chegar para alguns como oportunidade e para muitos como espera. A eleição de 2026 será também uma disputa pelo futuro. Mas será preciso perguntar que futuro está sendo oferecido: futuro como investimento, consumo, segurança, ordem, crescimento econômico, proteção social, restauração moral, democracia, soberania ou vida digna?

Acompanhar semanalmente a eleição será acompanhar a relação entre conjuntura e estrutura. Uma semana poderá ser marcada por pesquisa; outra, por fala infeliz; outra, por crise internacional, decisão judicial, movimento do mercado, tragédia climática ou disputa nas redes. Cada fato terá importância própria. Mas a coluna perguntará sempre: que permanência apareceu aqui? Cidadania incompleta? Conciliação? Dependência? Autoritarismo? Tutela? Desigualdade? Medo do povo? Fragilidade do Estado? Captura da linguagem democrática? Redução do futuro a cálculo?

Essa pergunta impede que a análise se perca na espuma dos acontecimentos. A política brasileira produz muita espuma. Cria sensação de urgência permanente, como se cada semana encerrasse o destino do país. Mas a história se move de modo menos espetacular e mais profundo. O que parece novo muitas vezes é a reaparição de uma forma antiga. O que parece velho pode retornar com tecnologia nova.

O coronelismo pode operar por redes, igrejas, influenciadores, máquinas locais, crédito e pertencimento simbólico. A tutela pode aparecer como algoritmo, recomendação, dependência financeira, promessa de proteção ou chantagem moral. A dependência pode aparecer como governança global, métrica fiscal, fluxo financeiro, plataforma digital e agenda de competitividade.

O Brasil de 2026 será digital, endividado, religioso, urbano, desigual, ansioso, desconfiado e fragmentado. Mas será também um país com memória democrática recente, movimentos sociais vivos, instituições tensionadas, juventudes disputando linguagem, mulheres ocupando a vida pública, populações negras reivindicando centralidade, povos indígenas defendendo território e ambiente, universidades resistindo, trabalhadores tentando reorganizar sua voz e uma sociedade civil que ainda não desistiu de si mesma. A permanência brasileira não é apenas a permanência da dominação. Há também permanência da resistência.

Acompanhar 2026 não pode ser exercício de fatalismo. A história brasileira pesa, mas não decide tudo antecipadamente. As estruturas condicionam, limitam, orientam e bloqueiam, mas não eliminam a política. Se eliminassem, eleição nenhuma importaria. A política importa justamente porque a permanência nunca é absoluta. Ela precisa ser reproduzida, atualizada, defendida e naturalizada. Isso significa que também pode ser contestada. A cada semana, a disputa eleitoral mostrará não apenas quem pretende governar o Brasil, mas como cada força política interpreta aquilo que o Brasil é e aquilo que pode vir a ser.

6.

O acompanhamento semanal também exigirá atenção à linguagem. Eleições são disputas por palavras. Quem define o sentido de liberdade, democracia, povo, família, trabalho, corrupção, responsabilidade, futuro, segurança, soberania e desenvolvimento ganha parte importante da batalha política. No Brasil, muitas palavras foram capturadas por usos contraditórios. Liberdade pode significar direito coletivo ou licença para atacar direitos alheios.

Democracia pode significar soberania popular ou simples respeito formal ao calendário eleitoral. Responsabilidade pode significar cuidado com o comum ou submissão a interesses financeiros. Povo pode significar sujeito histórico ou plateia de comício. Ordem pode significar garantia de vida ou repressão da diferença.

Outro ponto decisivo será observar a relação entre economia cotidiana e imaginação política. O eleitor não vota apenas por ideologia. Vota também pelo preço do alimento, pelo aluguel, pelo trabalho, pela dívida, pelo medo de perder renda, pela escola dos filhos, pelo posto de saúde, pela violência do bairro, pelo transporte lotado, pelo cansaço, pelo ressentimento e pela memória de quando a vida parecia menos apertada. A política entra na casa antes de entrar na teoria.

A eleição de 2026 será decidida também na cozinha, no mercado, no ônibus, na igreja, no celular, na fila do banco, na escola, no trabalho informal, no aplicativo de entrega, no condomínio, na universidade, na periferia e no interior.

A imprensa internacional tenderá a perguntar se o Brasil continuará estável. A pergunta brasileira deveria ser mais profunda: estável para quem? Uma sociedade pode ser estável para os investimentos e instável para a vida popular. Pode ser previsível para o mercado e insuportável para os trabalhadores. Pode ser institucionalmente moderada e socialmente brutal. Pode ser fiscalmente elogiada e humanamente devastada. Quando se pede estabilidade, é preciso perguntar que conflito se deseja silenciar; quando se pede confiança, confiança de quem; quando se pede responsabilidade, quem pagará a conta.

A eleição de 2026 também será atravessada pela questão ambiental. O Brasil é visto pelo mundo como país decisivo para o clima, a Amazônia, a biodiversidade e a transição ecológica. Mas, internamente, a questão ambiental se cruza com agronegócio, mineração, povos indígenas, energia, infraestrutura, soberania, mercado internacional, violência territorial e desigualdade regional. O território brasileiro continua sendo tratado como reserva de valor, fronteira de exploração e objeto de disputa externa e interna. O desafio será saber se a eleição tratará o ambiente como questão de vida nacional ou apenas como tema de reputação externa.

7.

A coluna semanal acompanhará fatos, mas não será prisioneira deles. Seu objetivo será identificar linhas de permanência. A cada domingo, a pergunta retornará: que Brasil apareceu esta semana? O Brasil da cidadania incompleta? O Brasil do povo tutelado? O Brasil da democracia defendida, mas ainda socialmente estreita? O Brasil da ordem contra direitos? O Brasil da dependência apresentada como responsabilidade? O Brasil da conciliação que evita ruptura, mas também transformação? O Brasil da resistência que insiste em abrir futuro? O Brasil que se moderniza para conservar? Ou o Brasil que tenta transformar mudança em história?

Essa é a razão de acompanhar 2026. Não se trata de prever resultado. Previsões envelhecem rápido. Trata-se de compreender processo. A eleição é uma forma concentrada de revelação nacional. Ela obriga o país a falar de si, mesmo quando tenta esconder o que é. Obriga candidatos a nomear problemas, mesmo quando os reduzem. Obriga elites a revelar seus medos. Obriga movimentos populares a testar sua força. Obriga a imprensa a mostrar seus critérios. Obriga o mundo a olhar para o Brasil. Obriga o cidadão comum a transformar experiência de vida em decisão política.

Acompanhar 2026 será acompanhar essa disputa entre permanência e possibilidade. Não haverá ingenuidade. A formação brasileira é pesada demais para permitir ilusões fáceis. Mas também não haverá desistência. A história não é sentença. O Brasil permanece, mas não permanece imóvel. Ele repete, mas repete sob novas condições. Ele bloqueia, mas também produz brechas. Ele conserva, mas também é atravessado por forças que não aceitam mais caber na velha forma. A eleição presidencial será uma dessas brechas e um desses bloqueios. Poderá reafirmar permanências ou tensioná-las. Poderá restaurar medos ou abrir caminhos. Poderá reduzir o futuro a gestão ou recolocar a pergunta democrática em outro patamar.

Por isso, a cada semana, diante da avalanche de fatos, convém manter a pergunta simples. Não apenas quem subiu. Não apenas quem caiu. Não apenas quem ganhou a manchete. Não apenas quem dominou as redes. Não apenas quem agradou ao mercado. A pergunta será outra: o que fica? Porque, no Brasil, o que fica costuma governar mais profundamente do que aquilo que aparece. E talvez a tarefa crítica seja justamente esta: olhar para o que aparece até enxergar, por trás da superfície, a forma histórica que insiste em continuar.

No fundo, acompanhar as eleições de 2026 é acompanhar a velha pergunta brasileira em sua forma atual: conseguiremos transformar mudança política em transformação histórica? Ou repetiremos, com novas palavras, a antiga capacidade nacional de mudar para permanecer?

É essa pergunta que abrirá a série. É ela que deve orientar a leitura da mídia nacional e internacional. É ela que permitirá atravessar a espuma da conjuntura sem perder a densidade da história. O Brasil irá às urnas em 2026. Mas, antes disso, a história brasileira já estará na urna. A questão é saber se o voto apenas reorganizará a permanência ou se conseguirá, ainda que parcialmente, abrir passagem para outro futuro.

*João dos Reis Silva Júnior é professor titular do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Autor, entre outros livros, de Educação, sociedade de classes e reformas universitárias (Autores Associados) [https://amzn.to/4fLXTKP].

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