Por PERTTI SIMULA & RIITTA WAHLSTRÖM*
O esgotamento ambiental e o mal-estar social revelam a urgência de refundar as bases do Estado, trocando a competição destrutiva por uma ética de igualdade e preservação da vida
Vivemos numa grave crise em relação ao futuro da natureza e da humanidade. A causa disso não está nas pessoas, mas nas estruturas de poder. Na sociedade, o poder está organizado na aliança entre a política e a economia, na forma da democracia representativa e o capitalismo.
Esse sistema provoca tanto a destruição da natureza como uma enorme desigualdade entre as pessoas. A competição e o crescimento contínuo do consumo levam à exploração da natureza além da sua capacidade de regeneração. Ao mesmo tempo, o sistema demonstrou ser incapaz de corrigir suas próprias distorções. Como afirmou Albert Einstein: “Os problemas do mundo não podem ser resolvidos pelos mesmos métodos que os criaram”.
O capitalismo e a democracia representativa impedem a mudança necessária. O ser humano se cresce e desenvolve em interação com outras pessoas, com outras espécies e com a natureza. A sociedade nos influencia de forma coletiva e histórica. Aquilo que parece normal é facilmente considerado como obvio e correto, portanto, é muito difícil pessoas perceberem na normalidade algo destrutivo.
Quando falamos de democracia, geralmente nos referimos à democracia representativa, na qual o povo delega seu poder a um pequeno grupo de representantes partidários. É amplamente reconhecido que a liderança econômica exerce grande poderosa influência sobre a política e os meios de comunicação. Assim, a democracia representativa passou a submeter-se as chamadas “realidades econômicas”, aos valores.
Democracia representativa contém um elemento que nos aliena como cidadãos. Ela nos impede de participar diretamente das decisões importantes, por exemplo, nos privando da realização prática dos valores de igualdade, solidariedade e ecologia. Além disso, os partidos competem entre si de forma curto-prazista, dificultando e até impedindo a cooperação em prol do bem comum. Isso desperta em cada um de nós frustração e passividade.
Os valores básicos do capitalismo são a maximização ilimitada dos lucros, o crescimento acelerado do consumo e a competição entre as pessoas. Nós internalizamos esses valores em nossos sentimentos, pensamentos e formas de agir. Isto representa uma grande ameaça à natureza e à humanidade. Consequências disto são, por exemplo, as mudanças climáticas, o aumento constante da desigualdade econômica, a exclusão dos jovens e no crescente mal-estar psíquico.
A estrutura da nossa sociedade vive em crise global. Movimentos autoritários e populistas estão se fortalecendo. Há uma percepção bastante difundida de que a democracia atual está se deteriorando. Prevê-se que a aliança entre o capitalismo e a democracia (representativa) termine no colapso devido ao seu caráter (auto)destrutivo.
Como provocar a mudança para desmontar esta crise? Quando reconhecemos que não chegamos a essa situação de forma natural ou inevitável? Quando, em nós, cidadãos, se desperte um sentimento tão forte de injustiça diante do sofrimento da natureza e da humanidade que reagimos concretamente. Assim, podemos começar a desfazer os elementos mais destrutivos das atuais estruturas de poder e desenvolver um modelo de sociedade ecossocialista.
Visão de uma sociedade baseada em valores socialistas e ecológicos
O socialismo significa igualdade e cuidado mútuo incondicionais. Igualdade significa poder igual para todos, o que é possível alcançar somente com a participação direta das pessoas na tomada de decisões nas questões mais importantes da sociedade.
Os valores ecológicos significam respeitar e garantir o bem-estar da natureza. Somos todos responsáveis uns pelos outros e pelo meio ambiente. Precisamos de uma base de valores ecossocialistas e de mudanças correspondentes nas leis.
Os valores e o propósito são a base do bom funcionamento de qualquer coletivo. Quando nós, cidadãos, temos a oportunidade de discutir e decidir diretamente sobre a base de valores da sociedade e acompanhar sua implementação prática, nos tornamos verdadeiros detentores do poder. Como resultado deste processo de democracia direta, os valores básicos poderiam muito bem ser igualdade, solidariedade e sustentabilidade ecológica.
Participar da escolha e implementação desses valores desperta em nós o sentimento de sermos valorizados. Isso também desperta o interesse em compreender amplamente as estruturas da sociedade e o desejo de participar do seu desenvolvimento. A participação direta aumenta nosso senso de responsabilidade coletiva pela qualidade de vida das futuras gerações.
Na verdade, esses valores já fazem parte da base educacional das escolas na Finlândia e na Suécia. Eles constam também nos programas de maioria dos partidos políticos de alguma forma. No entanto, eles não podem ser aplicados na prática, pois a sociedade opera segundo os valores do sistema econômico, como competição e valorização baseada em desempenho. O “bom aluno” é elogiado, enquanto quem tem dificuldades se sente desvalorizado.
Quando a base de valores do Estado é decidida por nós, cidadãos, isso constitui um forte mandato para modificar a Constituição nas partes em que ela entra em conflito com os valores escolhidos. O próximo passo é ajustar a legislação geral para corresponder à nova Constituição. Nesse processo, seriam aplicadas tanto a democracia direta quanto a representativa, de modo que nós, cidadãos, possamos garantir que a mudança avance na direção correta.
O filósofo italiano Pietro Ubaldi resumiu sua visão de futuro da seguinte forma: “O próximo grande passo de desenvolvimento da humanidade ocorrerá quando ela perceber que a cooperação é melhor do que a competição”. Uma sociedade igualitária – pessoas equilibradas.
É útil visualizar um novo modelo de sociedade e praticá-lo, mesmo que em pequenos passos, até porque, se o sistema atual realmente entrar em colapso, o início do novo já estará em andamento.
Os valores eco-socialistas provocam mudanças
O que aconteceria se os valores básicos do Estado fossem igualdade, solidariedade e sustentabilidade ecológica, e se eles fossem realmente implementados no cotidiano? Isso levaria a profundas mudanças estruturais que hoje parecem completamente impossíveis. Mas não limitemos nossa criatividade somente ao que parece realista. Preservemos nossa liberdade de pensar além da normalidade.
As empresas de produção e de serviços seriam organizadas de forma que a responsabilidade fosse coletiva entre todos que neles trabalham. Isso significaria que o trabalho seja organizado, por exemplo, pelas cooperativas de trabalho ou empresas nas quais os trabalhadores são proprietários. Isso ajudaria a desfazer a desigualdade econômica e a exploração da força de trabalho. Isto aumentaria nossa consciência social e fortaleceria o senso de igualdade, responsabilidade e pertencimento.
Para investimentos úteis, seria criado um fundo público de empréstimos. Isso permitiria desmontar a especulação nos mercados financeiros, que possibilita a concentração de riqueza em poucas mãos. Atualmente a especulação com títulos financeiros causa repetidas bolhas e crises econômicas, das quais a classe média e as pessoas de mais baixa renda sofrem, enquanto os especuladores enriquecem.
Assim, a oferta e a demanda de bens e serviços se tornariam um mercado genuinamente livre, sem poderes monopolistas dos donos de capital. O papel do Estado seria apenas criar as leis necessárias. A aplicação das leis seria acompanhada por uma representação eleita pelo povo.
A tomada coletiva de decisões incluiria o que produzir e como. O alimento seria produzido principalmente de forma orgânica e vegetal, garantindo a segurança alimentar. A produção de bens e serviços seria planejada preferencialmente localmente. A necessidade de transporte e deslocamento diminuiria, reduzindo significativamente o impacto ambiental.
O consumo diminuiria drasticamente quando reconhecêssemos seu efeito alienante em relação a nós mesmos. O consumo ostentatório diminuiria automaticamente, já que no espírito de igualdade não haveria necessidade de demonstrar superioridade em relação a si mesmo.
Necessidades básicas como moradia, educação infantil, escola, universidade, saúde e cuidado com idosos seriam responsabilidade do Estado, e elas não poderiam ser exploradas como fontes de lucro. A todos seria garantida uma vida econômica digna por meio de uma renda de cidadão. Isso despertaria em nós dignidade e confiança nas instituições.
Assim, poderíamos viver em comunidades seguras, igualitárias e saudáveis, partindo de pequenas unidades até o nível global. Nos sentiríamos valorizados e, consequentemente, respeitaríamos uns aos outros e o meio ambiente.
A utopia como uma das ferramentas de mudança
Na parede de uma escola (Instituto Educar) estava escrito: “Um sonho coletivo é o início de uma nova realidade”. Seja a realização do ecossocialismo o nosso sonho coletivo, a nossa utopia.
Utilizamos neste texto a abordagem da “utopia como método”. Ela libera nossa criatividade para visualizar uma sociedade mais ideal imaginável, independentemente de parecer realista ou não. A utopia nos ajuda a manter o rumo na direção correta, sem a exigência de se chegar ao destino. Mesmo pequenas ações são importantes catalisadores de mudança.
No mundo, há uma grande necessidade de desenvolver ideias para um modelo de sociedade ecossocialista. O esboço apresentado neste texto pode ser utilizado, por exemplo, em fóruns de discussão, escolas e meios de comunicação. O objetivo é despertar nas pessoas e nos movimentos populares o interesse em desenvolver e aplicar o ecossocialismo, cada um à sua maneira, e unindo forças.
Quanto mais prevalece na sociedade o senso de pertencimento e o respeito à natureza, mais profundamente será realizado o sentido da vida.
*Pertti Simula é psicanalista e pedagogo. Autor, entre outros livros, de Transformação das relações humanas e cooperação (Expressão Popular).
*Riitta Wahlström é psicóloga e pedagoga.
Publicado originalmente na revista Ydin na Finlândia.
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Imagem: Hoseung Han |
Vivemos numa grave crise em relação ao futuro da natureza e da humanidade. A causa disso não está nas pessoas, mas nas estruturas de poder. Na sociedade, o poder está organizado na aliança entre a política e a economia, na forma da democracia representativa e o capitalismo.
Esse sistema provoca tanto a destruição da natureza como uma enorme desigualdade entre as pessoas. A competição e o crescimento contínuo do consumo levam à exploração da natureza além da sua capacidade de regeneração. Ao mesmo tempo, o sistema demonstrou ser incapaz de corrigir suas próprias distorções. Como afirmou Albert Einstein: “Os problemas do mundo não podem ser resolvidos pelos mesmos métodos que os criaram”.
O capitalismo e a democracia representativa impedem a mudança necessária. O ser humano se cresce e desenvolve em interação com outras pessoas, com outras espécies e com a natureza. A sociedade nos influencia de forma coletiva e histórica. Aquilo que parece normal é facilmente considerado como obvio e correto, portanto, é muito difícil pessoas perceberem na normalidade algo destrutivo.
Quando falamos de democracia, geralmente nos referimos à democracia representativa, na qual o povo delega seu poder a um pequeno grupo de representantes partidários. É amplamente reconhecido que a liderança econômica exerce grande poderosa influência sobre a política e os meios de comunicação. Assim, a democracia representativa passou a submeter-se as chamadas “realidades econômicas”, aos valores.
Democracia representativa contém um elemento que nos aliena como cidadãos. Ela nos impede de participar diretamente das decisões importantes, por exemplo, nos privando da realização prática dos valores de igualdade, solidariedade e ecologia. Além disso, os partidos competem entre si de forma curto-prazista, dificultando e até impedindo a cooperação em prol do bem comum. Isso desperta em cada um de nós frustração e passividade.
Os valores básicos do capitalismo são a maximização ilimitada dos lucros, o crescimento acelerado do consumo e a competição entre as pessoas. Nós internalizamos esses valores em nossos sentimentos, pensamentos e formas de agir. Isto representa uma grande ameaça à natureza e à humanidade. Consequências disto são, por exemplo, as mudanças climáticas, o aumento constante da desigualdade econômica, a exclusão dos jovens e no crescente mal-estar psíquico.
A estrutura da nossa sociedade vive em crise global. Movimentos autoritários e populistas estão se fortalecendo. Há uma percepção bastante difundida de que a democracia atual está se deteriorando. Prevê-se que a aliança entre o capitalismo e a democracia (representativa) termine no colapso devido ao seu caráter (auto)destrutivo.
Como provocar a mudança para desmontar esta crise? Quando reconhecemos que não chegamos a essa situação de forma natural ou inevitável? Quando, em nós, cidadãos, se desperte um sentimento tão forte de injustiça diante do sofrimento da natureza e da humanidade que reagimos concretamente. Assim, podemos começar a desfazer os elementos mais destrutivos das atuais estruturas de poder e desenvolver um modelo de sociedade ecossocialista.
Visão de uma sociedade baseada em valores socialistas e ecológicos
O socialismo significa igualdade e cuidado mútuo incondicionais. Igualdade significa poder igual para todos, o que é possível alcançar somente com a participação direta das pessoas na tomada de decisões nas questões mais importantes da sociedade.
Os valores ecológicos significam respeitar e garantir o bem-estar da natureza. Somos todos responsáveis uns pelos outros e pelo meio ambiente. Precisamos de uma base de valores ecossocialistas e de mudanças correspondentes nas leis.
Os valores e o propósito são a base do bom funcionamento de qualquer coletivo. Quando nós, cidadãos, temos a oportunidade de discutir e decidir diretamente sobre a base de valores da sociedade e acompanhar sua implementação prática, nos tornamos verdadeiros detentores do poder. Como resultado deste processo de democracia direta, os valores básicos poderiam muito bem ser igualdade, solidariedade e sustentabilidade ecológica.
Participar da escolha e implementação desses valores desperta em nós o sentimento de sermos valorizados. Isso também desperta o interesse em compreender amplamente as estruturas da sociedade e o desejo de participar do seu desenvolvimento. A participação direta aumenta nosso senso de responsabilidade coletiva pela qualidade de vida das futuras gerações.
Na verdade, esses valores já fazem parte da base educacional das escolas na Finlândia e na Suécia. Eles constam também nos programas de maioria dos partidos políticos de alguma forma. No entanto, eles não podem ser aplicados na prática, pois a sociedade opera segundo os valores do sistema econômico, como competição e valorização baseada em desempenho. O “bom aluno” é elogiado, enquanto quem tem dificuldades se sente desvalorizado.
Quando a base de valores do Estado é decidida por nós, cidadãos, isso constitui um forte mandato para modificar a Constituição nas partes em que ela entra em conflito com os valores escolhidos. O próximo passo é ajustar a legislação geral para corresponder à nova Constituição. Nesse processo, seriam aplicadas tanto a democracia direta quanto a representativa, de modo que nós, cidadãos, possamos garantir que a mudança avance na direção correta.
O filósofo italiano Pietro Ubaldi resumiu sua visão de futuro da seguinte forma: “O próximo grande passo de desenvolvimento da humanidade ocorrerá quando ela perceber que a cooperação é melhor do que a competição”. Uma sociedade igualitária – pessoas equilibradas.
É útil visualizar um novo modelo de sociedade e praticá-lo, mesmo que em pequenos passos, até porque, se o sistema atual realmente entrar em colapso, o início do novo já estará em andamento.
Os valores eco-socialistas provocam mudanças
O que aconteceria se os valores básicos do Estado fossem igualdade, solidariedade e sustentabilidade ecológica, e se eles fossem realmente implementados no cotidiano? Isso levaria a profundas mudanças estruturais que hoje parecem completamente impossíveis. Mas não limitemos nossa criatividade somente ao que parece realista. Preservemos nossa liberdade de pensar além da normalidade.
As empresas de produção e de serviços seriam organizadas de forma que a responsabilidade fosse coletiva entre todos que neles trabalham. Isso significaria que o trabalho seja organizado, por exemplo, pelas cooperativas de trabalho ou empresas nas quais os trabalhadores são proprietários. Isso ajudaria a desfazer a desigualdade econômica e a exploração da força de trabalho. Isto aumentaria nossa consciência social e fortaleceria o senso de igualdade, responsabilidade e pertencimento.
Para investimentos úteis, seria criado um fundo público de empréstimos. Isso permitiria desmontar a especulação nos mercados financeiros, que possibilita a concentração de riqueza em poucas mãos. Atualmente a especulação com títulos financeiros causa repetidas bolhas e crises econômicas, das quais a classe média e as pessoas de mais baixa renda sofrem, enquanto os especuladores enriquecem.
Assim, a oferta e a demanda de bens e serviços se tornariam um mercado genuinamente livre, sem poderes monopolistas dos donos de capital. O papel do Estado seria apenas criar as leis necessárias. A aplicação das leis seria acompanhada por uma representação eleita pelo povo.
A tomada coletiva de decisões incluiria o que produzir e como. O alimento seria produzido principalmente de forma orgânica e vegetal, garantindo a segurança alimentar. A produção de bens e serviços seria planejada preferencialmente localmente. A necessidade de transporte e deslocamento diminuiria, reduzindo significativamente o impacto ambiental.
O consumo diminuiria drasticamente quando reconhecêssemos seu efeito alienante em relação a nós mesmos. O consumo ostentatório diminuiria automaticamente, já que no espírito de igualdade não haveria necessidade de demonstrar superioridade em relação a si mesmo.
Necessidades básicas como moradia, educação infantil, escola, universidade, saúde e cuidado com idosos seriam responsabilidade do Estado, e elas não poderiam ser exploradas como fontes de lucro. A todos seria garantida uma vida econômica digna por meio de uma renda de cidadão. Isso despertaria em nós dignidade e confiança nas instituições.
Assim, poderíamos viver em comunidades seguras, igualitárias e saudáveis, partindo de pequenas unidades até o nível global. Nos sentiríamos valorizados e, consequentemente, respeitaríamos uns aos outros e o meio ambiente.
A utopia como uma das ferramentas de mudança
Na parede de uma escola (Instituto Educar) estava escrito: “Um sonho coletivo é o início de uma nova realidade”. Seja a realização do ecossocialismo o nosso sonho coletivo, a nossa utopia.
Utilizamos neste texto a abordagem da “utopia como método”. Ela libera nossa criatividade para visualizar uma sociedade mais ideal imaginável, independentemente de parecer realista ou não. A utopia nos ajuda a manter o rumo na direção correta, sem a exigência de se chegar ao destino. Mesmo pequenas ações são importantes catalisadores de mudança.
No mundo, há uma grande necessidade de desenvolver ideias para um modelo de sociedade ecossocialista. O esboço apresentado neste texto pode ser utilizado, por exemplo, em fóruns de discussão, escolas e meios de comunicação. O objetivo é despertar nas pessoas e nos movimentos populares o interesse em desenvolver e aplicar o ecossocialismo, cada um à sua maneira, e unindo forças.
Quanto mais prevalece na sociedade o senso de pertencimento e o respeito à natureza, mais profundamente será realizado o sentido da vida.
*Pertti Simula é psicanalista e pedagogo. Autor, entre outros livros, de Transformação das relações humanas e cooperação (Expressão Popular).
*Riitta Wahlström é psicóloga e pedagoga.
Publicado originalmente na revista Ydin na Finlândia.

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