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Celso Furtado – a busca de um novo horizonte utópico

Do A Terra É Redonda, 23 de junho 2026
Por ALEXANDRE MACCHIONE SAES*


Stephen Buckley, Le Lendemain, 1983

Trecho, selecionado pelo autor, do livro recém-lançado

1.
Poucos meses antes de seu falecimento, Celso Furtado recebeu uma homenagem do secretário geral da ONU, Kofi Annan, na sessão inaugural da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, ocorrida na cidade de São Paulo. A abertura do evento contou com a presença de Luiz Inácio Lula da Silva, momento em que o então Presidente da República sugeriu a criação de um centro internacional voltado aos estudos do desenvolvimento, com o nome de Celso Furtado.[i]

O homenageado faleceria dia 20 de novembro de 2004 e a instalação do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento ocorreria no ano seguinte, em 22 de novembro de 2005. É possível dizer que, tanto pelo ativo trabalho do centro, quanto, especialmente, pela retomada da agenda desenvolvimentista durante os mandatos do PT no governo federal, um vigoroso ciclo de estudos se abriu para a pesquisa da vida e da obra de Celso Furtado.

Se o debate acadêmico e político provocado pelas interpretações presentes em obras como Formação econômica do Brasil, Desenvolvimento e subdesenvolvimento e O mito do desenvolvimento econômico permaneciam presentes nos cursos de graduação, formando o imaginário político em defesa de um projeto nacional desenvolvimentista, a partir de então, a vida e obra de Celso Furtado se tornaram crescentemente objetos de pesquisas na pós-graduação e em variados estudos produzidos ou organizados por seus herdeiros intelectuais.[ii]

Assim, enquanto sua interpretação sobre o subdesenvolvimento continuou movimentando o debate econômico e político nas últimas duas décadas, outras obras e temáticas tratadas pelo autor passaram a ser descobertas.[iii]

A ampliação de pesquisas tendo Celso Furtado como objeto somada à iniciativas como a criação do Centro Internacional Celso Furtado, publicação do periódico Cadernos do desenvolvimento, e o lançamento de suas obras definitivas e de textos originais nos Arquivos Celso Furtado, descortinaram novos olhares para uma extensa obra de um economista que buscou, por meio da interdisciplinaridade, produzir uma interpretação e um projeto de Brasil.

Foram cerca de sessenta anos de produção intelectual, com a publicação de mais de trinta livros e a atuação profissional em órgãos internacionais, no governo brasileiro e como professor no exterior. Uma produção que percorreu, ou por vezes inaugurou, reflexões tanto na seara acadêmica como também na proposição política em temáticas variadas: no campo da teoria do subdesenvolvimento, na síntese sobre a história econômica do Brasil, na formulação de políticas voltadas ao desenvolvimento regional, e na discussão conceitual sobre as relações entre economia e cultura.

2.

À luz da vasta produção bibliográfica e da diversa trajetória profissional, floresce um campo fértil de temas para o estudo das ideias de Celso Furtado, e também das tensões existentes na mediação de suas formulações teóricas com a experiência concreta. Portanto, ainda que seja um dos mais reconhecidos economistas brasileiros, com contribuições que poderiam ser incorporadas aos manuais de pensamento econômico nos principais centros de pesquisa mundiais, somente faz sentido percorrer suas ideias a partir da tênue fronteira entre a análise teórica, sua trajetória profissional e as diferentes conjunturas econômicas, políticas e sociais mundiais da segunda metade do século XX.

Como defende Francisco de Oliveira, com a finalidade de alcançar a transformação social, a obra de Celso Furtado se moldou a partir de um “ziguezague” determinado pela obsessão de produzir conhecimento para a ação. Em sua síntese: “A originalidade da obra de Celso Furtado nasce dessa contradição”, entre o plano das ideias e o da prática – obra “socialmente determinada” – e, entre as interpretações contemporâneas, aquela com a maior “importância ideológica-prática”.[iv]

Como membro e formulador das teses pioneiras da Cepal, o economista mantinha o DNA da instituição, constituindo a intepretação histórico-estrutural em matriz para a intervenção. Afinal, nas palavras de Fernando Henrique Cardoso: “o pensamento da Cepal gerou ideologias e motivou a ação, abrindo-se a prática política”.[v]

Explicitado o entrelaçamento entre ideias e prática, como apreender as contribuições intelectuais de Celso Furtado? A tipologia elaborada por Joseph Schumpeter em História da análise econômica é usualmente resgatada para definir diferentes abordagens no campo da história das ideias econômicas. Para o autor, a “história do pensamento” e os “sistemas de Economia Política” são, respectivamente, o espaço da formulação da política econômica (a soma das opiniões, dos desejos e das posições políticas) e o conjunto da política econômica fundamentado por princípios normativos: o campo de atuação por excelência de Celso Furtado.

Por outro lado, a “história da análise econômica” deveria versar sobre a evolução da teoria econômica (de seus conceitos e instrumentos científicos) como desenvolvimento analítico do progresso da ciência em sua universalidade de maneira que os debates entre economistas e as contextualizações seriam indiferentes para a apreensão dos rumos do conhecimento. Nesse mesmo sentido, num desdobramento da proposta de Joseph Schumpeter, Mark Blaug[vi] caracteriza como relativistas as abordagens que não ignoram o contexto histórico, os debates e as controvérsias econômicas, enquanto aquelas em que as ideias econômicas possuem força e coerência internas são denominadas absolutistas.

3.

É curioso perceber como tanto Joseph Schumpeter – para quem a história das ideias econômicas devia ser separada “da vala comum das verbalizações dos humores das épocas” e das perturbações dos “interesses e atitudes de ordem prática”[vii] – como Mark Blaug – que advogava a favor da perspectiva absolutista em sua reconstrução do pensamento econômico – acabam tendo dificuldade de seguir suas próprias premissas. Em História da análise econômica, a reconstituição do ambiente intelectual e dos debates econômicos foi parte fundamental na argumentação de seu ator; Mark Blaug, por sua vez, não negou que “mesmo na sua forma mais pura, a teoria econômica tem implicações políticas, e neste sentido ela faz propaganda política de uma maneira ou de outra”.[viii]

Se a dificuldade de uma reconstrução puramente analítica está expressa nos estudos de teorias e autores canônicos do pensamento econômico mundial, tornar-se-ia ainda mais difícil imaginar essa abordagem nos espaços periféricos de produção do conhecimento. Por isso mesmo, a “história da análise econômica” não tem sido o caminho encontrado pelas pesquisas sobre a história do pensamento econômico no Brasil. Em duas recentes coletâneas sobre a temática, por exemplo, os capítulos dedicados ao olhar mais panorâmico e metodológico defendem que a produção das ideias econômicas no Brasil deve ser melhor compreendida– seguindo a tipologia de Schumpeter – como “sistema de economia política” ou “pensamento econômico”.[ix]

Na prática, esse expediente pode ser ilustrado em Pensamento econômico brasileiro, obra de Ricardo Bielschowsky dedicada à análise do que ele chamou do “ciclo ideológico do desenvolvimentismo”. Ciclo em que a presença de Celso Furtado foi central para a difusão e o amadurecimento dos conceitos, ideias e projetos da agenda desenvolvimentista. Semelhante a formação do sistema literário brasileiro, como quer Antônio Cândido, definindo sistemas simbólicos, com a rotinização de hábitos e temas, com a formação autores, obras e leitores, e circuitos de produção e consumo das ideias.[x]

Conforme Ricardo Bielschowsky – partindo dos conceitos de Joseph Schumpeter – no período entre 1945-1964, não seria possível fazer uma “história da produção analítica brasileira”. O espaço para o desenvolvimento da teoria econômica no país era ainda limitado: eram poucos e incipientes os cursos de Economia, inexistiam cursos de Pós-Graduação, sendo a formação dos economistas legada às instituições “práticas” do governo, como o BNDE, o Banco do Brasil, a Sumoc, entre outras.[xi] Concordando com a análise, Mauro Boianovsky acredita que somente nas décadas de 1960 e 1970, os economistas brasileiros passaram a formar uma comunidade científica, que integrava uma comunidade transnacional de economistas.[xii]

4.

Se valendo do “princípio normativo”, Ricardo Bielschowsky elege o “sistema desenvolvimentista” como ideologia de transformação da sociedade brasileira, a partir do qual se organizam os termos do debate, os conceitos econômicos e a disputa das correntes interpretativas. Em suma, em sua história do pensamento econômico, o autor apresenta não uma avaliação da evolução da teoria econômica no Brasil, mas de como a práxis dialogou, assimilou e adaptou as teorias internacionais existentes naquele contexto histórico, tanto como instrumento de legitimação das posições defendidas, mas também como elaboração das novas intepretações.[xiii]

A tensão entre teoria e prática se expressa, inclusive, em sua análise sobre as contribuições da Cepal. Para Ricardo Bielschowsky, a entidade foi o “único centro intelectual em toda a região capaz de gerar um enfoque analítico próprio”[xiv], ou como ilustra Fernando Henrique Cardoso, “uma espécie de marca registrada do pensamento econômico latino-americano”.[xv]

Como pondera Ricardo Bielschowsky, com um corpo analítico aplicável a condições históricas da periferia, as contribuições da Cepal acabaram se tornando escassas entre os compêndios de pensamento econômico. Entre as poucas contribuições da entidade reconhecidas como “teorias”, estariam as teses sobre a deterioração dos termos de intercambio e aquelas sobre inflação estrutural.[xvi]

O que, para o autor, é pouco, pois ao reconhecer somente essas duas contribuições, as versões sobre a história do pensamento estariam perdendo o essencial da contribuição cepalina: a teoria estruturalista do subdesenvolvimento. Elaborada a partir da fértil interação entre método histórico e indutivo e a teoria econômica, a abordagem estruturalista estabelece mediação entre aspectos universais da teoria e as especificidades do processo histórico.

Para Ricardo Bielschowsky, tornou-se um corriqueiro equívoco não avaliar essa perspectiva da Cepal como uma contribuição teórica, e considerar somente seu sentido normativo, da “ideia da necessidade de contribuição do Estado ao ordenamento do desenvolvimento econômico nas condições da periferia latino-americana”.[xvii]

O pensamento econômico com traços de identidade nacional ou regional, não obstante, pode ser mais do que um instrumento para compreender como as especificidades locais interagem com as categorias da teoria econômica, validando a potencial universalidade que nela subjaz. O estudo das ideias econômicas produzidas em determinada localidade, por meio da assimilação, adaptação ou da própria reformulação, pode explicitar como a análise teórica é antes uma compreensão e um posicionamento do autor frente a sua realidade.

5.

Portanto, apesar dos possíveis limites que tais debates nacionais possuem na construção de uma “ciência econômica universal”, sua análise não deixa de mostrar como a teoria é instrumento poderoso na formulação da política econômica, e também para elaborações efetivamente originais.[xviii] Nesse sentido, Malta et al. afirmam: “…o Brasil se insere no debate econômico internacional com um pensamento eivado de cor local, trazendo ideias originais para a discussão sobre a dinâmica capitalista”.[xix]

Se acreditamos na relevância do pensamento econômico realizado a partir de referências dos espaços nacionais, como apreendê-lo? Possivelmente o caminho deve percorrer duas dimensões: uma primeira que enfrenta o difícil equilíbrio entre cosmopolitismo e localismo, quando os princípios da ciência econômica são levados para interpretar a experiência periférica.

Uma segunda dimensão, que não pode ser dissociada do ofício de qualquer economista, refere-se ao projeto político presente na construção de um debate econômico. Tal questão não deve ser compreendida apenas como parte das especificidades da periferia, mas sim ligada à ideia de que a formulação da ciência, da teoria e da política econômica é sempre imersa tanto num ambiente social, como numa dada compreensão da realidade.

Para o movimento entre o cosmopolitismo e o localismo, Antonio Candido, em estudo sobre a literatura brasileira, considera: “se fosse possível estabelecer uma lei de evolução de nossa vida espiritual, poderíamos talvez dizer que toda ela se rege pela dialética do localismo e do cosmopolitismo”. Um processo em que a tensão entre o local e o universal permite que o particular possa ser integrado progressivamente na engrenagem teórica importada.

Para o autor, essa seria a marca da produção latino-americana, formada a partir do gênero dos contrastes, que explicitam as ausências, incompletudes de suas formações nacionais. O intelectual brasileiro, olhando para além de suas fronteiras, procurava se identificar com “a civilização”, sem deixar de iluminar as “particularidades de meio, raça e história”. A tomada de consciência de nossa diversidade, diz Antonio Candido, como um ato de rebeldia, produz as fases de particularismo literário, culminando com a dialética do local e do cosmopolita.[xx]

José Luís Cardoso, ao tratar do tema do cosmopolitismo entre os economistas, ainda que numa perspectiva distinta, não deixa de encontrar ilações próximas às de Antonio Cândido. O economista afirma que é tentador aos intérpretes da história do pensamento econômico considerar a trajetória da teoria entre os países que não fazem parte da vanguarda do desenvolvimento teórico como uma mera sucessão de influências externas. Contudo, como reitera o autor, o cosmopolitismo não significa o aceite das doutrinas concebidas em outros ambientes, mas sim a utilização e a adaptação das teorias para a realidade nacional.

Ainda que dentro de um mercado de ideias,[xxi] a posição de intelectuais colocados na periferia institucional da produção do conhecimento, “a introdução de uma dimensão nacional não pretende negar o caráter universal da ciência econômica, mas sim demonstrar a relevância de processos de assimilação e adaptação inerentes à circulação de teorias e ideias econômicas”.[xxii]

6.

A questão do cosmopolitismo e da adaptação das teorias econômicas ao contexto nacional podem ser observadas no percurso intelectual de Celso Furtado, cuja obra autobiográfica reflete não apenas sua trajetória profissional, mas também sua construção teórica sobre o Brasil, marcada por um constante diálogo entre influências externas e a necessidade de uma interpretação própria da realidade nacional.

Publicada em três volumes – A fantasia organizada, A fantasia desfeita e Os ares do mundo –, a trilogia está organizada a partir de uma divisão cronológica, por fases da vida de Celso Furtado definidas por sua atuação profissional, entre economista da Cepal, personagem público no governo brasileiro e professor no exílio, e pela tentativa de construção de uma fantasia.

Para este livro, as três fases (tratadas como cada uma das três partes da obra) representam também o processo de concepção de uma interpretação sobre o Brasil, dos impasses políticos que geraram sua revisão e, finalmente, de reelaboração do quadro conceitual e interpretativo para formar um novo projeto. Teria sido esse um movimento dialético entre tese-antítese-síntese?

*Alexandre Macchione Saes é professor do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP).

Referência


Alexandre Macchione Saes. Celso Furtado: a busca de um novo horizonte utópico. Cotia, Ateliê Editorial, 2026, 392 págs. [https://link.amazon/B010aZ1zf]

Notas

[i] Discurso do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sessão de abertura da XI UNCTAD, Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, realizada em São Paulo, em 14 de julho de 2004.

[ii] Destaque para obras organizadas em homenagem ao economista, como A grande esperança em Celso Furtado (Luiz Carlos Bresser-Pereira e José Márcio Rego, 2001); as celebrações aos cinquenta e sessenta anos da publicação de Formação econômica do Brasil (Tarcísio Araújo et al. (org.), 50 anos de Formação econômica do Brasil, 2009; Francisco Coelho e Rui Granziera (orgs). Celso Furtado e a Formação econômica do Brasil, 2009; Alexandre Saes e Alexandre Barbosa, Celso Furtado e os 60 anos de Formação econômica do Brasil, 2021).

[iii] Sobre a Sudene e o desenvolvimento regional: José Sydião Alencar Júnior et al. (org.), Celso Furtado e o desenvolvimento regional, 2005; Marcos Formiga; Ignacy Sachs (orgs.), Celso Furtado, a Sudene e o Futuro do Nordeste, 2000. Sobre cultura: Cesar Bolaño (org). Cultura e desenvolvimento: reflexões à luz de Celso Furtado, 2015. Sobre a trajetória e temáticas contemporâneas: Maria da Conceição Tavares (org.), Celso Furtado e o Brasil, 2000; João Saboia e Fernando Cardim (orgs.), Celso Furtado e o século XXI, 2007; Marcos Costa Lima; M. D. David (orgs.), A atualidade do pensamento de Celso Furtado, 2008.

[iv] Francisco Oliveira, A navegação venturosa. Ensaios sobre Celso Furtado, 2003, p. 35.

[v] Fernando Henrique Cardoso, “A originalidade da cópia: a Cepal e a ideia de desenvolvimento”, As ideias e seu lugar. Ensaios sobre as teorias do desenvolvimento, 1980, p. 54.

[vi] Mark Blaug, História do pensamento econômico, 1989 [1962].

[vii] Joseph Schumpeter, História da análise econômica, 1964 [1954], pp. 64-67.

[viii] Mark Blaug, História do pensamento econômico, 1989 [1962], p. 38.

[ix] Mauro Boianovsky, “Contributions to economics from the ‘periphery’ in historical perspective: the case of Brazil after mid-20th century”, em Ricardo Bielschowsky, Mauro Boianovsky e Mauricio Coutinho, A history of brazilian economic thought, 2023, p. 11; Daniel Cosentino, Roberto Pereira Silva e Thiago Gambi, “Existe um pensamento econômico brasileiro?”, em Daniel Cosentino e Thiago Gambi, História do pensamento econômico. Pensamento econômico brasileiro, 2019, pp. 66-69.

[x] Antonio Candido, Formação da literatura brasileira: momentos decisivos 1750-1880, 2014 [1959], p. 25.

[xi] Maria Rita Loureiro, “The professionalization and political impacts of the internationalization of economics in Brazil”, em A. W. Coats (ed.), The post-1945 internationalization of economics, supplement to vol. 28, 1996.

[xii] Mauro Boianovsky, “Contributions to economics from the ‘periphery’ in historical perspective: the case of Brazil after mid-20th century”, em Ricardo Bielschowsky, Mauro Boianovsky e Mauricio Coutinho, A history of Brazilian economic thought, 2023, p. 9.

[xiii] Ricardo Bielschowsky, Pensamento econômico brasileiro, 2000 [1988], introdução.

[xiv] Ricardo Bielschowsky, Pensamento econômico brasileiro 2000 [1988], p. 15.

[xv] Fernando Henrique Cardoso, “A originalidade da cópia: a Cepal e a ideia de desenvolvimento”, As ideias e seu lugar. Ensaios sobre as teorias do desenvolvimento, 1980, p. 19.

[xvi] José Luís Cardoso, “Reflexões periféricas sobre a difusão internacional do pensamento econômico”, Nova economia, vol. 19, n. 2, 2009.

[xvii] Ricardo Bielschowsky, Pensamento econômico brasileiro, 2000 [1988], p. 16.

[xviii] Daniel Cosentino, Roberto Pereira Silva e Thiago Gambi (“Existe um pensamento econômico brasileiro?”, em Daniel Cosentino e Thiago Gambi, História do pensamento econômico. Pensamento econômico brasileiro, 2019, pp. 69-72), dialogando com as contribuições de José Luís Cardoso, não negam a possibilidade de “adaptações originais” na periferia, mas afirmam que a história de um pensamento “nacional” é marcada pelos fluxos entre o conhecimento internacional e cópia ou adaptação à realidade concreta, reflexo de uma posição subordinada.

[xix] Maria Malta et al., Ecos do desenvolvimento: uma história do pensamento econômico brasileiro, 2011, p. 27.

[xx] Antonio Candido, Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária, 2000 [1965], pp. 109-112.

[xxi] David Colander e A. W. Bob Coats, The spread of economic ideas, 1989, pp. 11-15.

[xxii] José Luís Cardoso, “Reflexões periféricas sobre a difusão internacional do pensamento econômico”, Nova economia, vol. 19, n. 2, pp. 254 e 263, 2009.

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