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Tribunal de Israel prorroga detenção de Thiago Ávila e Saif Abukeshek sob denúncias de tortura

Detidos em águas internacionais, ativistas denunciam espancamentos e isolamento; defesa aponta falta de jurisdição israelense


Foto: Global Sumud Flotilla/Diulgação


Da Redação do GGN, 3 de maio 2026


O Tribunal de Primeira Instância de Ascalom, em Israel, determinou a prorrogação da detenção preventiva do ativista brasileiro Thiago Ávila e do palestino Saif Abukeshek até o próximo dia 5 de maio. Ambos foram sequestrados ilegalmente pelas forças navais israelenses em águas internacionais, ao largo da Grécia, enquanto integravam a Global Sumud Flotilla, missão humanitária que busca romper o cerco a Gaza.

De acordo com a organização da flotilha, os promotores israelenses não apresentaram acusações formais, baseando-se em alegações genéricas e de motivação política para criminalizar a ação civil. As advogadas do centro jurídico Adalah, Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma, contestam a jurisdição de Israel para processar civis estrangeiros capturados em águas internacionais. Confira, abaixo, a íntegra do comunicado ao qual o GGN teve acesso:
Tribunal de ocupação israelense prorroga a detenção de Saif Abukeshek e Thiago Ávila à medida que surgem provas da tortura que sofreram

A Global Sumud Flotilha apela a uma ação internacional urgente

Ascalom, Palestina Ocupada – A Global Sumud Flotilha condena a decisão do “Tribunal de Primeira Instância de Ascalom” de manter Saif Abukeshek e Thiago Ávila em prisão preventiva. Eles foram ilegalmente sequestrados pelas forças navais israelenses em águas internacionais ao largo da Grécia e levados para a Palestina Ocupada no início desta semana.

O tribunal determinou a prorrogação da detenção por mais 2 dias, até 5 de maio. Apesar de não terem sido apresentadas acusações formais contra eles, os promotores israelenses formularam alegações generalizadas e motivadas por questões políticas, numa tentativa de retaliação para criminalizar a ação humanitária.

As advogadas da Adalah, Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma, contestaram a legalidade do processo, ressaltando que o regime israelense não tem jurisdição sobre civis estrangeiros detidos em águas internacionais. Além disso, apresentaram depoimentos alarmantes de ambos os civis, detalhando graves abusos, incluindo espancamentos, imobilização física prolongada, vendagem dos olhos e isolamento no mar — tratamentos que constituem tortura segundo o Direito Internacional.


A decisão de hoje reflete um padrão mais amplo em que os tribunais de ocupação israelenses atuam para legitimar detenções ilegais e a violência estatal em casos envolvendo palestinos e seus aliados. Processos que se baseiam em provas secretas e em alegações forjadas de segurança há muito tempo suscitam sérias preocupações entre especialistas jurídicos internacionais quanto à ausência do devido processo legal e ao uso sistêmico do sistema jurídico para sustentar políticas que violam o Direito Internacional.

Tanto Ávila quanto Abukeshek foram levados de volta ao centro de detenção de Shikma, em Ascalom, e continuam em greve de fome em protesto contra sua detenção ilegal e os maus-tratos sofridos.

Este caso não é um incidente isolado. Faz parte de um ataque contínuo contra a vida dos palestinos e contra aqueles que agem em solidariedade a eles.


A Global Sumud Flotilha é uma missão humanitária civil, que opera inteiramente dentro do Direito Internacional, com o objetivo de romper o cerco ilegal imposto por Israel a Gaza, um cerco que provocou condições humanitárias catastróficas e fome generalizada entre os palestinos.

Em 29 de abril, as forças israelenses lançaram uma operação militar coordenada contra a flotilha em águas internacionais, a aproximadamente 500 milhas náuticas de Gaza. As comunicações foram interrompidas, drones foram mobilizados e embarcações civis foram cercadas e apreendidas. Mais de 180 participantes desarmados de dezenas de países foram sequestrados. A ajuda destinada a uma população sitiada foi impedida à força.

Essas ações constituem graves violações do Direito Internacional, incluindo:


● A Convenção sobre o Genocídio, que obriga todos os Estados a prevenir o genocídio.

● A Quarta Convenção de Genebra, que protege os civis e determina a facilitação da ajuda humanitária.

● A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), que garante a liberdade de navegação em águas internacionais.


● O Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP), que proíbe a detenção arbitrária e protege o direito à vida.

● Interferir na ajuda humanitária no contexto de Gaza, onde a fome está sendo usada como arma, não é um ato neutro. Trata-se de parte de um padrão mais amplo de conduta que, segundo especialistas, é considerado crime de guerra e crime contra a humanidade.

● A Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, que protege as pessoas contra qualquer ato intencional destinado a causar dor ou sofrimento grave, seja físico ou mental.

CHAMADA À AÇÃO

A Global Sumud Flotilha apela aos governos de todo o mundo e, especificamente, aos governos espanhol, sueco e brasileiro para que ajam de forma imediata e decisiva e:

● Exijam a libertação imediata e incondicional de Saif Abukeshek, Thiago Ávila, Marwan Barghouti, Dr. Hussam Abu Safiya e de todos os reféns palestinos.

● Prestem proteção diplomática urgente aos seus cidadãos detidos.


● Iniciem investigações públicas independentes sobre o ataque a embarcações civis em águas internacionais.

● Imponham sanções econômicas significativas para pôr fim às violações contínuas do Direito Internacional.

● Exijam a responsabilização pelos crimes cometidos, incluindo o genocídio em curso em Gaza e a limpeza étnica na Cisjordânia.


Apelamos ainda aos parlamentares e às autoridades públicas de todo o mundo para que assinem uma declaração conjunta exigindo responsabilização e ação.

À medida que a inércia global persiste, a resistência civil intensifica-se. Acampamentos terão início amanhã, com grandes mobilizações previstas por toda a Europa, incluindo acampamentos coordenados em Bruxelas a partir de segunda-feira.

Os participantes da Global Sumud Flotilha agiram porque o mundo não conseguiu impedir a destruição da vida palestina. Os governos enfrentam agora uma escolha clara: defender o Direito Internacional ou continuar sendo cúmplices de sua destruição. Nesse espírito, nos dirigimos também aos nossos amigos do governo tunisiano, historicamente um farol inabalável de apoio à luta palestina, para solicitar a libertação imediata dos nossos organizadores locais. Pedimos que a Tunísia se mantenha fiel ao seu legado de solidariedade, garantindo que aqueles que defendem Gaza sejam protegidos, e não processados, à medida que caminhamos juntos em direção à justiça.

Entrevista da Global Sumud Flotilla à TV GGN

Em recente entrevista à TV GGN, a coordenadora da Global Sumud Flotilla detalhou as dificuldades enfrentadas pela missão e as sistemáticas violações de Israel ao Direito Internacional. Na ocasião, ela destacou que “parece que as leis internacionais não se aplicam a Israel”, reforçando a necessidade de uma postura mais firme da comunidade internacional diante do cerco humanitário em Gaza. Leia mais aqui>> “Parece que as leis internacionais não se aplicam a Israel” diz coordenadora da Flotilha – Jornal GGN.

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