Do GGN, 28 de maio 2026
Por Ana Gabriela Sales
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| Imagem: Pixabay |
Uma nova escalada militar na madrugada desta quinta-feira (28) colocou em xeque o frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã. As forças norte-americanas realizaram novos bombardeios contra o território iraniano, atingindo a estratégica cidade portuária de Bandar Abbas. A ação provocou uma resposta armada imediata do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que afirma ter bombardeado uma base aérea dos EUA na região, marcando a primeira retaliação direta de Teerã desde o início da trégua.
De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), a incursão em Bandar Abbas ocorreu no momento em que uma instalação militar local se preparava para lançar um veículo aéreo não tripulado. O Centcom descreveu a atividade militar como “equilibradas, puramente defensivas e com intenção de manter o cessar-fogo”. Washington informou ainda ter abatido quatro drones iranianos que representavam uma ameaça no Estreito de Ormuz. Esta é a segunda violação do perímetro pelos norte-americanos em um intervalo de 72 horas.
A retaliação de Teerã
O governo iraniano condenou duramente a operação, classificando-a como “uma grave violação do cessar-fogo” e garantiu que o governo iraniano “não deixará nenhum ato de hostilidade sem resposta“. Pouco depois, o IRGC emitiu um comunicado oficial confirmando o ataque retaliatório contra a base aérea que teria servido de origem para a ofensiva dos EUA.
“Esta resposta constitui um aviso sério ao inimigo: nenhum ato de agressão ficará impune, e se for repetido, nossa resposta será ainda mais contundente”, alertou o comando militar iraniano em nota oficial.
O exército do Kuwait, que abriga instalações militares dos EUA, confirmou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram mísseis e drones hostis por volta das 6h locais. Paralelamente, o IRGC já havia reportado na terça-feira (26) o abate de um drone norte-americano e disparos contra um caça que teriam violado o espaço aéreo do país.
Bloqueio econômico e tarifas em Ormuz
O conflito, que já se estende por três meses, asfixiou o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde circula um quinto do gás natural liquefeito e do petróleo mundial. No início da semana, a Marinha dos EUA atacou embarcações e locais de mísseis iranianos sob a alegação de interromper o posicionamento de minas aquáticas. Em complemento às ações bélicas, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções financeiras à Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, órgão de Teerã que taxa os navios comerciais na região.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, justificou a medida classificando a cobrança como a “mais recente tentativa das forças militares iranianas de extorquir o comércio marítimo global” e “prova” de que o Irã está “desesperado por dinheiro“.
Em contrapartida, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, defendeu que Teerã está cobrando por “serviços de navegação” e assegurou que o país manterá a gestão do tráfego na via marítima.
Impasse nas negociações de paz
A nova rodada de hostilidades coincide com o momento crítico das negociações indiretas para encerrar a guerra, iniciada em 28 de fevereiro quando Israel e os EUA abriram frentes contra o Irã. Em reunião de gabinete na quarta-feira (27), o presidente dos EUA, Donald Trump, subiu o tom contra o governo iraniano e sinalizalizou que sua estratégia não será flexibilizada pelas eleições legislativas americanas de novembro.
Trump demonstrou descontentamento com os termos atuais e adotou um tom de ultimato. “Até agora, não chegaram lá e não estamos satisfeitos com isso, mas estaremos. Ou isso, ou teremos que simplesmente terminar o trabalho“, alertou, sinalizando com a retomada de bombardeios em larga escala caso as exigências de Washington não sejam acatadas.
A Casa Branca também rechaçou um suposto rascunho de acordo divulgado pela TV estatal iraniana, que previa a retirada das tropas americanas da região e a reabertura irrestrita do Estreito, chamando o documento de “invenção completa“.
Por sua vez, autoridades de Teerã ratificaram que a soberania sobre o Estreito de Ormuz e o programa nuclear do país constituem linhas vermelhas inegociáveis.
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