De Outras Palavras, 13 de maio 2026
Em novembro do ano passado, completaram-se 10 anos desde o trágico rompimento da barragem de Mariana. Quando cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério foram liberados, contaminando a bacia do Rio Doce e percorrendo mais de 600 km até atingir o Oceano Atlântico, no Espírito Santo.
A lama que se espalhou afetou o abastecimento de água, a pesca e a agricultura em mais de 40 municípios, impactando a vida de aproximadamente 3 milhões de pessoas. A tragédia não é mero acaso: é um sintoma do atual modelo econômico que rege nossas vidas – e mortes.
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Para o pesquisador Reginaldo Luiz Cardoso, o conceito de Antropoceno nos ajuda a entender as consequências desse desastre ambiental. Em sua obra Mariana e o Antropoceno: entre o terrível e o fatal, o autor maneja o conceito e vai além dos problemas prementes com relação ao caso, analisando as consequências a longo prazo.
Outras Palavras sorteará exemplares de Mariana e o Antropoceno: entre o terrível e o fatal, de Reginaldo Luiz Cardoso, entre quem apoia nosso jornalismo de profundidade e de perspectiva pós-capitalista. O sorteio estará aberto para inscrições até a segunda-feira do dia 25/5, às 14h. Os membros da rede Outros Quinhentos receberão o formulário de participação via e-mail no boletim enviado para quem contribui. Cadastre-se em nosso Apoia.se para ter acesso!
Na pesquisa publicada pela Letra Capital Editora, Cardoso classifica o episódio como um desastre-crime, o que quer dizer que, longe de ser apenas um acidente, o ocorrido é a mais pútrida face dos resultados dos processos de espoliação da natureza perpetrados pelo ser humano em posição de dominação.
O livro também resgata a história secular do município de Mariana e ressalta a como destruição física apaga referências afetivas e ancestrais que não podem ser quantificadas em dinheiro. Distritos, subdistritos e povoados que fazem parte de Mariana foram importantes centros de mineração no século XVIII, além de terem sido atravessados pela histórica Estrada Real em seu centro urbano. Mas fora a História oficial, quais outras histórias foram mais uma vez silenciadas?
O autor lembra que na lógica de exploração capitalista, há lugares que “valem menos que outros”, são as Zonas de Sacrifício, áreas já muito degradadas por mineração e que abrigam comunidades que são tratadas como “sobras” do excesso produtivo, ou seja, invisíveis politicamente. Cardoso enquadra o caso de Mariana e outros, como o da Vale, em Brumadinho (2019), Braskem, em Maceió (2023), nessas “Zonas de Sacrifício” e analisa a omissão do Estado e das empresas.
Em contraposição à essa imagem, Cardoso usa a metáfora dos “Jardins”. Em um jardim, diferentes espécies convivem. As comunidades soterradas abrigavam uma miríade de modos de vida.
Quando a lama (ou o capital extrativista) chega, impõe-se a monocultura do rejeito. Nesse (des)cultivo a terra fértil torna-se estéril, a policromia da vida dissolve-se em ocre onipresente e a profusão de sons que embala um cotidiano vivido, passa a tocar em uma súbita nota única: a do silêncio.
SOBRE REGINALDO LUIZ CARDOSO
É pesquisador e fotógrafo autoral, com mestrado em Ciência Política pela UFMG e doutorado pelo IPPUR-UFRJ. Atualmente faz o pós-doutorado junto ao INCT-LabEspaço/IPPUR/UFRJ/FAPERJ.
Outras Palavras irá sortear exemplares de Mariana e o Antropoceno: entre o terrível e o fatal, de Reginaldo Luiz Cardoso, entre quem apoia nosso jornalismo de profundidade e de perspectiva pós-capitalista. O sorteio estará aberto para inscrições até a segunda-feira do dia 25/5, às 14h. Os membros da rede Outros Quinhentos receberão o formulário de participação via e-mail no boletim enviado para quem contribui. Cadastre-se em nosso Apoia.se para ter acesso!
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