Da Revista Piaui, Abril 2026
Por Christian Cravo
Por Christian Cravo
Em Tijuana, cidade do México vizinha à Califórnia
A fronteira dos Estados Unidos com o México tem pouco mais de 3 mil km. Cerca de 30% dela não exibe nenhuma barreira física. No restante, há vários tipos de anteparos, como um extenso muro de aço. Erguida pelo governo americano, a estrutura vazada e não contínua oscila de tamanho. Pode medir 5 metros de altura em certos pontos ou 9 metros em outros. Frequentemente, no topo do obstáculo, arames farpados reforçam a tarefa de afugentar os forasteiros indesejados. Guardas, câmeras, sensores de movimento e drones vigiam a fortaleza, que hoje simboliza a política anti-imigratória do presidente Donald Trump.
Em setembro de 2025, o artista Christian Cravo fotografou diversos trechos do muro. O ensaio integra a série Paisagens antrópicas, criada para retratar ambientes naturais ou urbanos alterados por ações deletérias dos seres humanos. As fotos iniciais do projeto nasceram em 2015, quando uma barragem controlada pelas mineradoras Vale e BHP se rompeu e devastou povoados rurais de Mariana (MG). Depois, Cravo registrou mais nove cenários degradados. A piauí publicou imagens de três: um lixão clandestino de roupas e acessórios no deserto chileno do Atacama (edição de março de 2023), um depósito de sucatas eletrônicas às margens da Lagoa Korle, em Acra, capital de Gana (dezembro de 2023), e um cemitério de navios cargueiros na cidade bengalesa de Chittagong (novembro de 2024).
“Enquanto desenvolvia a série, concluí que não deveria mostrar apenas as paisagens destruídas por diferentes formas de poluição, mas também alguns fenômenos sociais relacionados à crise ambiental”, diz o artista. Surgiu, assim, a ideia do 11º ensaio: documentar o muro que cruza quatro estados americanos (Califórnia, Novo México, Arizona e Texas). “Muitos pesquisadores consideram que o aumento do fluxo migratório e da xenofobia deriva, em parte, dos problemas gerados pelo descaso com a natureza.” As fotos divulgadas nesta e nas páginas seguintes são inéditas.
Baiano de Salvador, Cravo busca captar a beleza em tudo que registra, mesmo quando está retratando “o pior da humanidade”. “Imagens mal resolvidas esteticamente não atraem o olhar de ninguém e, por isso, não provocam reflexões.” Para fazer os ensaios, o artista lança mão de um drone e uma Canon com 50 megapixels. Um mecenas, que prefere o anonimato, financia o projeto. “Se as coisas andarem bem, Paisagens antrópicas vai virar livro em 2028”, antecipa Cravo.
A fronteira dos Estados Unidos com o México tem pouco mais de 3 mil km. Cerca de 30% dela não exibe nenhuma barreira física. No restante, há vários tipos de anteparos, como um extenso muro de aço. Erguida pelo governo americano, a estrutura vazada e não contínua oscila de tamanho. Pode medir 5 metros de altura em certos pontos ou 9 metros em outros. Frequentemente, no topo do obstáculo, arames farpados reforçam a tarefa de afugentar os forasteiros indesejados. Guardas, câmeras, sensores de movimento e drones vigiam a fortaleza, que hoje simboliza a política anti-imigratória do presidente Donald Trump.
Em setembro de 2025, o artista Christian Cravo fotografou diversos trechos do muro. O ensaio integra a série Paisagens antrópicas, criada para retratar ambientes naturais ou urbanos alterados por ações deletérias dos seres humanos. As fotos iniciais do projeto nasceram em 2015, quando uma barragem controlada pelas mineradoras Vale e BHP se rompeu e devastou povoados rurais de Mariana (MG). Depois, Cravo registrou mais nove cenários degradados. A piauí publicou imagens de três: um lixão clandestino de roupas e acessórios no deserto chileno do Atacama (edição de março de 2023), um depósito de sucatas eletrônicas às margens da Lagoa Korle, em Acra, capital de Gana (dezembro de 2023), e um cemitério de navios cargueiros na cidade bengalesa de Chittagong (novembro de 2024).
“Enquanto desenvolvia a série, concluí que não deveria mostrar apenas as paisagens destruídas por diferentes formas de poluição, mas também alguns fenômenos sociais relacionados à crise ambiental”, diz o artista. Surgiu, assim, a ideia do 11º ensaio: documentar o muro que cruza quatro estados americanos (Califórnia, Novo México, Arizona e Texas). “Muitos pesquisadores consideram que o aumento do fluxo migratório e da xenofobia deriva, em parte, dos problemas gerados pelo descaso com a natureza.” As fotos divulgadas nesta e nas páginas seguintes são inéditas.
Baiano de Salvador, Cravo busca captar a beleza em tudo que registra, mesmo quando está retratando “o pior da humanidade”. “Imagens mal resolvidas esteticamente não atraem o olhar de ninguém e, por isso, não provocam reflexões.” Para fazer os ensaios, o artista lança mão de um drone e uma Canon com 50 megapixels. Um mecenas, que prefere o anonimato, financia o projeto. “Se as coisas andarem bem, Paisagens antrópicas vai virar livro em 2028”, antecipa Cravo.

Em Calexico, município californiano

Vista aérea da Imperial Sand Dunes, área pública de uso recreativo na Califórnia

Em Tecate, cidade mexicana

Praia de Tijuana, no México, onde o muro invade o mar
Em El Centro, cidade da Califórnia
Detalhe do muro de El CentroAssine nossa newsletter
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Christian Cravo
Fotógrafo, publicou, entre outros livros, Mariana e Reino desse Mundo (ambos pelo Estúdio Apuena)
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