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A linguagem como um direito

Do A Terra É Redonda, 13 de maio 2026
Por ANDRÉ R. FERNANDES & GEYCIANE DE OLIVEIRA MENDONÇA*


Imagem: neil godding

A democratização do acesso à norma padrão deve caminhar ao lado do reconhecimento da diversidade como um pilar essencial da dignidade e da inclusão social

1.
A linguagem faz parte da vida de todas as pessoas desde muito cedo. Ainda bebê, a criança já começa a se comunicar por meio do choro, dos sons, dos gestos e das expressões do rosto. Aos poucos, ela aprende a falar, ouvindo as pessoas ao seu redor e imitando palavras e sons. Mesmo antes de aprender a escrever, a criança já consegue dizer o que quer, o que sente e o que pensa usando a fala e o corpo.

Com o tempo, ela aprende novas formas de linguagem, como a leitura e a escrita. Essas habilidades são muito importantes para a escola, pois ajudam a entender os conteúdos, fazer atividades e aprender coisas novas. Além disso, a leitura e a escrita também são importantes para a vida em sociedade, pois permitem que a pessoa se comunique com outras pessoas, leia mensagens, placas, livros e use a tecnologia.

Por meio da linguagem, conseguimos expressar nossos sentimentos, ideias e desejos, além de compreender o que os outros dizem. A linguagem também nos ajuda a fazer amigos, resolver problemas e participar do mundo ao nosso redor. Por isso, a linguagem é uma das ferramentas mais importantes para o ser humano, pois está presente em quase tudo o que fazemos no dia a dia.

Além disso, a linguagem está presente em todos os lugares: na família, na escola, no trabalho e nas redes sociais. Cada pessoa aprende a falar de acordo com o ambiente em que vive, com sua cultura e com as pessoas ao seu redor. Isso faz com que existem muitas formas diferentes de falar a mesma língua. De forma indireta, autores como Marcos Bagno explicam que essa diversidade é natural e deve ser respeitada, pois faz parte da riqueza cultural de um povo.

Mesmo sendo algo tão comum, muitas pessoas ainda sofrem preconceito por causa da forma como falam. Isso acontece quando alguém acredita que existe apenas uma maneira correta de usar a língua. No entanto, como afirma Bagno (2007), “não existe erro na língua, o que existe são variedades linguísticas”. Essa ideia nos ajuda a entender que ninguém fala “errado”, mas apenas diferente.

Dessa forma, podemos dizer que existe um direito à linguística, ou seja, o direito que todas as pessoas têm de usar sua própria forma de falar e de aprender a língua de maneira justa. Esse direito está ligado ao respeito, à igualdade e à inclusão. Quando a linguagem de uma pessoa é desvalorizada, ela pode se sentir excluída e ter dificuldades de participar da sociedade.

2.
Por isso, é muito importante discutir esse tema. Neste ensaio, vamos refletir sobre a linguagem como um direito, o preconceito linguístico, o papel da escola e a relação entre linguagem e cidadania. Assim, podemos entender melhor por que respeitar a forma de falar de cada pessoa é essencial para uma sociedade mais justa.

A linguagem é um direito de todas as pessoas, pois é por meio dela que conseguimos nos comunicar, expressar sentimentos, ideias e opiniões. Desde crianças, aprendemos a falar com a família e com as pessoas ao nosso redor. Esse aprendizado acontece de forma natural, sem que ninguém precise ensinar regras no início. Por isso, a linguagem não pode ser vista apenas como um conjunto de normas, mas sim como uma prática viva que faz parte do cotidiano. Quando alguém fala, está mostrando sua identidade, sua cultura e sua história de vida.

Muitas pessoas acreditam que existe apenas uma forma correta de falar, mas isso não é verdade. Segundo Marcos Bagno, “não existe erro na língua, o que existe são variedades linguísticas” (BAGNO, 2007). Isso quer dizer que cada grupo social, cada região e cada comunidade tem sua própria maneira de usar a língua. Por exemplo, uma pessoa do Norte pode falar diferente de uma pessoa do Sul, e isso é completamente normal. Essas diferenças não são erros, mas sim formas diferentes de comunicação que devem ser respeitadas.

Além disso, a linguagem está sempre mudando com o tempo. Novas palavras surgem, outras deixam de ser usadas, e as formas de falar vão se transformando. Luiz Antônio Marcuschi afirma que “a língua é uma atividade social e interativa” (MARCUSCHI, 2008). Isso significa que a linguagem depende das pessoas e das relações sociais. Ou seja, ela não é algo parado ou fixo, mas algo que se constrói todos os dias nas conversas, nos textos e nas interações.

De forma indireta, podemos entender que a linguagem acompanha a sociedade. Quando a sociedade muda, a língua também muda. Por isso, não faz sentido dizer que só uma forma de falar está correta. Todas as formas têm valor, pois cumprem a função principal da linguagem, que é comunicar. Uma pessoa pode não usar a norma padrão, mas ainda assim consegue se expressar perfeitamente e ser compreendida.

Outro ponto importante é que negar o valor da linguagem de alguém é negar sua identidade. Quando uma pessoa é criticada por sua forma de falar, ela pode se sentir inferior ou excluída. Isso mostra que o direito à linguagem não é apenas o direito de falar, mas também o direito de ser respeitado ao falar. Cada maneira de usar a língua representa uma cultura, um grupo e uma história, e tudo isso deve ser valorizado.

3.
Portanto, a linguagem como direito de todos quer dizer que todas as pessoas têm o direito de falar e se expressar do seu jeito, sem serem julgadas ou discriminadas. Cada pessoa aprende a falar de acordo com o lugar onde vive, com sua família e com sua cultura. Por isso, existem diferentes formas de falar, e todas elas são importantes.

Não existe uma forma “melhor” ou “pior”, mas sim maneiras diferentes de usar a língua no dia a dia. Quando respeitamos o jeito de falar do outro, estamos sendo mais justos e compreensivos. Garantir esse direito é muito importante, pois ajuda a construir uma sociedade com mais respeito, inclusão e igualdade, onde todos podem se sentir valorizados e ouvidos.

O preconceito linguístico acontece quando uma pessoa é julgada, criticada ou até humilhada por causa da forma como fala. Isso pode acontecer na escola, no trabalho e até nas redes sociais. Muitas pessoas acreditam que só existe uma forma correta de falar, que é a norma padrão da língua portuguesa. Porém, essa ideia está errada, porque a língua é diversa e muda de acordo com o lugar, a cultura e o grupo social.

Segundo Marcos Bagno (2007), o preconceito linguístico é muito comum no Brasil e acontece porque existe a crença de que apenas a norma padrão é válida. Ele afirma que “o preconceito linguístico se baseia na crença de que existe apenas uma forma correta de falar” (BAGNO, 2007). Isso mostra que muitas pessoas não conhecem a diversidade da língua e acabam desvalorizando outras formas de falar.

Além disso, esse tipo de preconceito pode causar problemas sérios na vida das pessoas. Quem sofre preconceito linguístico pode sentir vergonha de falar, ficar inseguro e até evitar participar de atividades na escola ou no trabalho. Isso prejudica a aprendizagem e a autoestima. De forma indireta, podemos entender que Bagno critica essa atitude, pois ela cria desigualdade entre as pessoas.

Outro autor importante, Sírio Possenti (1996), explica que toda língua apresenta variações. Ele mostra que é normal que existem diferenças na forma de falar, pois cada região e cada grupo social tem suas próprias características. Quando alguém diz que uma forma de falar está “errada”, muitas vezes está apenas comparando com a norma padrão, e não levando em conta a realidade da língua.

Também é importante entender que o preconceito linguístico está ligado ao preconceito social. Muitas vezes, as pessoas julgam a forma de falar de alguém por causa da sua origem, classe social ou nível de escolaridade. De forma indireta, podemos dizer que isso reforça desigualdades, pois pessoas com menos acesso à educação são mais criticadas, mesmo tendo uma forma de comunicação válida.

4.
De acordo com Luiz Antônio Marcuschi (2008), a língua é uma prática social, ou seja, ela acontece no uso do dia a dia, nas conversas, nas mensagens, nas aulas e em todas as formas de comunicação. Isso quer dizer que a língua não é algo parado ou igual para todo mundo. Ela muda conforme o lugar, a cultura e as pessoas que a utilizam.

Por isso, não faz sentido tratar a língua como algo fixo e único, com apenas uma forma “certa” de falar. Cada pessoa usa a linguagem de acordo com sua realidade, sua vivência e seu grupo social. Assim, é importante respeitar as diferentes maneiras de falar e escrever, pois todas fazem parte da comunicação e têm valor.

Por isso, é muito importante combater o preconceito linguístico. Devemos aprender a respeitar todas as formas de falar e entender que nenhuma pessoa é melhor ou pior por causa da sua linguagem. A língua é parte da identidade de cada indivíduo e também da cultura de um povo.

A escola tem um papel muito importante no ensino da linguagem. É nela que os alunos aprendem a ler, escrever e se comunicar melhor. Mas a escola não deve ensinar apenas regras de gramática. Ela também precisa respeitar a forma de falar de cada aluno. Cada estudante chega à escola com um jeito próprio de falar, que vem da sua família, da sua comunidade e da sua cultura. Esse jeito de falar não está errado, ele apenas é diferente.

Segundo Magda Soares, “ensinar língua não é apenas ensinar regras, mas ensinar o uso da língua em diferentes situações” (SOARES, 2003). Isso quer dizer que o aluno precisa aprender a usar a linguagem no dia a dia, como em conversas, textos, apresentações e outras atividades. Não adianta apenas decorar regras; é importante saber usar a língua em situações reais. Além disso, o professor deve tomar cuidado para não corrigir o aluno de forma que ele se sinta envergonhado.

Quando o aluno é corrigido de forma negativa, ele pode ficar com medo de falar ou participar da aula. Isso prejudica o aprendizado. De forma indireta, podemos entender que o ensino da língua deve ser feito com respeito e incentivo, para que o aluno se sinta seguro.

Outro ponto importante é que a escola deve ensinar a norma padrão da língua portuguesa. Isso é necessário, pois essa forma de linguagem é usada em provas, concursos, textos formais e no mercado de trabalho. Porém, ensinar a norma padrão não significa dizer que as outras formas de falar são erradas. O aluno pode aprender a norma padrão e, ao mesmo tempo, valorizar sua própria forma de falar.

Segundo os estudos de Luiz Antônio Marcuschi (2008), a língua é usada em diferentes contextos sociais. De forma indireta, isso mostra que o aluno precisa aprender a adaptar sua linguagem dependendo da situação. Por exemplo, ele pode falar de um jeito em casa e de outro na escola ou no trabalho. Isso é algo normal e importante.

5.
Além disso, a escola deve incentivar a leitura e a escrita desde cedo, pois essas práticas são fundamentais para o desenvolvimento integral do aluno. Quanto mais o estudante lê, porém ele amplia seu vocabulário, aprende novas formas de expressão e melhora significativamente sua escrita. A leitura também estimula a imaginação, a criatividade e o senso crítico, permitindo que o aluno interprete diferentes realidades e compreenda melhor o mundo ao seu redor. Por meio do contato com diversos gêneros textuais, ele passa a reconhecer diferentes estilos de linguagem e constrói conhecimentos que serão úteis ao longo de sua vida acadêmica e pessoal.

Da mesma forma, a escrita desempenha um papel essencial nesse processo, pois possibilita que o aluno organize seus pensamentos, registre suas aprendizagens e expresse suas ideias, sentimentos e opiniões de maneira clara e coerente. Ao escrever com frequência, o estudante desenvolve autonomia, confiança e capacidade argumentativa, habilidades indispensáveis para sua participação ativa na sociedade. Portanto, o incentivo contínuo à leitura e à escrita no ambiente escolar contribui não apenas para o desempenho acadêmico, mas também para a formação de cidadãos críticos, reflexivos e conscientes.

Outro autor importante, Mikhail Bakhtin, afirma que “a linguagem é um fenômeno social” (BAKHTIN, 1992). Isso significa que aprendemos a linguagem convivendo com outras pessoas. Por isso, a escola deve promover atividades em grupo, debates e conversas, para que os alunos possam praticar a linguagem de forma real. De forma indireta, podemos dizer que a escola não deve apenas ensinar a língua, mas também formar cidadãos críticos. Quando o aluno aprende a se comunicar bem, ele consegue participar melhor da sociedade, defender suas ideias e entender seus direitos.

Portanto, o papel da escola é ensinar, respeitar e valorizar a linguagem. Ela deve ajudar o aluno a aprender a norma padrão, sem desvalorizar sua forma de falar. Assim, o ensino da língua se torna mais justo, inclusivo e eficiente.

A linguagem é muito importante para a cidadania. É por meio dela que as pessoas conseguem se expressar, dar opiniões e participar da sociedade. Quando alguém sabe falar, ler e escrever, consegue se comunicar melhor e entender o que acontece ao seu redor. Por isso, a linguagem é um direito de todos.

6.
Segundo Paulo Freire, “a leitura do mundo precede a leitura da palavra” (FREIRE, 1989). Isso significa que, antes de aprender a ler e escrever, a pessoa já entende o mundo em que vive. De forma indireta, podemos dizer que a linguagem ajuda o indivíduo a interpretar a realidade e a construir seu conhecimento ao longo da vida.

Outro autor importante, Mikhail Bakhtin, afirma que “a linguagem é um fenômeno social” (BAKHTIN, 1992). Isso quer dizer que a linguagem acontece nas relações entre as pessoas. De forma indireta, entendemos que ninguém aprende a linguagem sozinho, pois ela se desenvolve no convívio com os outros.

Além disso, quando a pessoa domina a linguagem, ela consegue defender seus direitos e participar das decisões da sociedade. De forma indireta, podemos afirmar que a linguagem é uma ferramenta de cidadania, pois permite que o indivíduo tenha voz. Por isso, garantir o direito à linguagem é também garantir uma sociedade mais justa e igual para todos.

O direito à linguística é essencial para todos, pois a linguagem faz parte da vida de cada pessoa. É por meio dela que nos comunicamos, expressamos sentimentos e compartilhamos ideias. Por isso, todas as pessoas devem ser respeitadas pela forma como falam, independentemente de sua origem, região ou nível de escolaridade. Cada maneira de falar carrega a cultura e a história de um grupo, e isso deve ser valorizado, não criticado.

A língua não é única nem fixa, ou seja, ela não é sempre igual para todos. Ela muda com o tempo e varia de acordo com o lugar e com as pessoas. Existem diferentes formas de falar o português, e todas são importantes. Por isso, não devemos julgar ninguém pela sua forma de falar, pois isso pode gerar preconceito e exclusão. Respeitar a diversidade linguística é respeitar as diferenças entre as pessoas.

A escola tem um papel muito importante nesse processo. Ela deve ensinar a norma padrão da língua, mas sem desvalorizar a forma de falar dos alunos. O ensino deve ser feito com respeito, ajudando o estudante a aprender novas formas de se comunicar sem perder sua identidade. Além disso, a linguagem é fundamental para a cidadania, pois quem sabe se comunicar melhor consegue participar mais da sociedade e defender seus direitos.

Respeitar a linguagem é respeitar a pessoa. Quando valorizamos a forma de falar de alguém, estamos reconhecendo sua história, sua cultura e sua identidade. Assim, promover o direito à linguística é contribuir para uma sociedade mais justa, igualitária e sem preconceitos, onde todos possam se expressar livremente.

Respeitar a linguagem é respeitar a pessoa.

*André Ribeiro Fernandes é pós-graduado em docência da língua portuguesa pela Escola Superior Batista do Amazonas (ESBAM).

*Geyciane de Oliveira Mendonça é pós-graduada em Formação pedagógica para a docência na educação profissional e tecnológica pelo Instituto Federal do Amazonas (IFAM).

Referências

BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. São Paulo: Loyola, 2007.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1989.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008.

POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado de Letras, 1996.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

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