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Medos, ansiedades e outros afetos

Do A Terra É Redonda, 21 de abril 2026
Por CARLOS PIOVEZANI*



Imagem: Mati Mango

A engenharia semântica do capital converte a exaustão em autonomia e a humilhação em resiliência, capturando os afetos para sustentar uma nova forma de servidão voluntária

“Dar o máximo é o mínimo”. “O impossível é só o começo…”

1.
Eis aí dois slogans publicitários de uma predadora instituição financeira. Seu cinismo supera a hipérbole, a antítese e o paroxismo das pregnantes fórmulas de sua publicidade. Seus descarados oxímoros pretendem passar por atraente e estimulante paradoxo. Em outra de suas campanhas, a empresa se anunciava como “patrocinadora oficial do Brasil” nas Olímpiadas de Paris, em 2024, enquanto afirmava que um de seus mais vantajosos serviços era a “dolarização do patrimônio” de seus clientes.

No cínico discurso neoliberal, não há problema algum em dizer uma coisa e fazer outra, assim como não há nenhum inconveniente em dizer uma coisa e seu contrário logo em seguida. Alguns de seus mais danosos êxitos consistem em criar servos que comunguem dos desejos de seus senhores e em fazê-los defender os interesses de quem os explora, como se fossem os seus próprios. Em suma, esses servos são criados não só para serem explorados e oprimidos por poderosos, mas também para atenuar ou escamotear seu sofrimento com paixões positivas, tais como o entusiasmo, a confiança, a emulação, a superação e o orgulho.

Nem só de paixões tristes vivem os empobrecidos e os mais ou menos remediados. Sem dúvida, entre eles e entre outros de melhores condições sociais e econômicas, grassam medos, ódios e ressentimentos em relação a classes, grupos e sujeitos subalternizados, que conquistaram alguns importantes e ainda insuficientes direitos sociais e civis, que conseguiram algumas importantes e ainda insuficientes participações na política e na vida pública.

Mas os afetos de uma imunitas se conjugam com os de uma comunitas. Não há formação e consolidação de comunidades somente com base no ódio e em outros afetos do malquerer imunitário. O amor e outros sentimentos do bem-querer comunitário também desempenham papeis fundamentais em sua criação e em seu fortalecimento.[i] Em nossos tempos de hegemonia neoliberal, um dos modos de promover esse terrível bem-querer é preencher práticas e ideias dessa forma de vida, que gera e gere sofrimentos, com uma carga semântica de “modernidade”, “progresso”, “liberdade”, “iniciativa” e “autonomia”.

Assim, se formou e se incrementou uma confusão entre neoliberalismo e estilo de vida up to date. Defender medidas políticas de redução das abissais desigualdades e aderir a grupos e ações coletivas como sindicatos, cooperativas e afins soa como algo ultrapassado, cheira a bolor ou naftalina e contrasta com a vontade, o ímpeto e o orgulho de empreender e de vencer por si mesmo.

2.
De certo modo, o inconformismo, a indignação e a revolta mudaram de lado. Frente a miséria de milhões, se diz: “Cada um que se vire!”. Diante das fortunas de alguns poucos, se afirma: “Quanto talento!”. Culpas e méritos se distribuem individualmente. “É assim que deve ser”… Explorados, expropriados, oprimidos e alienados se alinham a seus algozes e concebem a forjada hegemonia da esquerda e seus programas e valores progressistas, inclusivos e afirmativos como inimigos de sua suposta liberdade igualmente distribuída de sonhar e realizar seus sonhos.

A escravidão contemporânea alcançou o êxito de fazer o escravizado defender sua escravização como se ela fosse liberdade. Por essa razão, a exaustão e a redução da vida ao trabalho sem criação são chamadas de “autonomia”. Na superfície, não há paixão triste alguma nesta reportagem: “Motorista ganha R$ 300 mil com Uber adotando ‘rotina radical’ em SP”. Muito ao contrário. A seguinte passagem do texto é uma cínica e sedutora promessa diretamente dirigida a seu interlocutor.

Repleta de esperança aparente, ela dissimula o sofrimento, a exploração e renúncia da vida, ao considerá-los como “esforço” seguido de “merecida” compensação financeira: “Você já pensou em ganhar R$ 320 mil por ano trabalhando como motorista de aplicativo? O valor que parece irreal foi faturado pelo motorista Munir Orra, de 40 anos, de São Paulo. O motorista conta que em 2022, quando faturou R$ 321 mil ele ficava ‘disponível’ 18 horas por dia na plataforma, de segunda a segunda. E no ano seguinte, o faturamento bruto foi de quase R$ 293 mil.[ii]

A servidão não é voluntária. O “autônomo”, o “freela” ou o “colaborador” não se entregam deliberadamente a essa escravidão de nossos dias. Com seus próprios carros, motos ou bicicletas, com seus próprios computadores ou celulares, com seus próprios corpos e almas, muitos deles foram persuadidos de que trabalham para si mesmos e experimentam ilusórios, mas eficientes contentamentos.

Suas alegrias têm diferentes formas: estar ou se imaginar em melhores condições morais, sociais ou econômicas do que outros, compartilhar orgulhosamente valores e ideias dominantes de seus iguais ou superiores, gozar da “liberdade” e do “privilégio” de ser seu próprio chefe e dispor de seu tempo como bem entender, entre outras.

Quem foi jogado e mantido na espiral do silêncio ou pôde apenas rara e precariamente se manifestar e ter sua voz ouvida com alguma atenção e respeito, quem não teve sua condição humana reconhecida ou a teve só muito parcialmente, fica bastante propenso a se agarrar às boias de salvação que são os diversos modos de identificação com a ideologia de quem lhes parece superior e/ou de quem supostamente poderia lhes servir de porta-voz, lhes prestar alguma escuta e lhes reconhecer certa ou suplementar humanidade. Desfrutar dessas experiências reais ou imaginárias de partilhas, pertenças e premiações oferece maiores ou menos euforias de um “Sim!”: “Sim, eu quero, eu posso, eu tenho, eu sou…”.

3.
Há uma precariedade nessas partilhas, pertenças e premiações da comunidade neoliberal. As satisfações relativas que elas proporcionam convivem com um mal-estar praticamente generalizado. Além dos inimigos externos, no próprio cerne da comunidade e mesmo no interior de cada uma e de cada um de nós, críticos de suas raízes, de seu funcionamento e de seus efeitos, mora um concorrente implacável. O neoliberalismo ultrapassou a condição de modelo econômico e se tornou uma “nova razão do mundo” ou uma forma de vida que se resume à “gestão do sofrimento psíquico”.[iii]

A concorrência e a produção são elementos fundamentais de sua lógica. Em condições sociais e econômicas diversas, produzimos mais do que o necessário e nos esgotamos, nos julgamos e nos condenamos, convencidos de não termos feito o suficiente: “Ainda tenho tanta coisa pra fazer”, “Devo me atualizar”, “Preciso me esforçar mais…”, “Fulano está se empenhando mais do que eu…” etc. etc. Com essa constante cobrança e com uma dívida eterna, as dores, as angústias e mesmo as humilhações devem ser encaradas como “desafios” a serem enfrentados com “resiliência” e encarados como “oportunidades de superação”.

Não sem razão, o caso de rebaixamento de uma garçonete dos EUA se tornou notícia e exemplo de sucesso. Segundo o relato da própria Savanah Pierce, uma das clientes de uma mesa que ela atendia lhe teria dito: “Você está fazendo um trabalho horrível!”. E desdobrado, logo em seguida, uma série de falhas em seu atendimento.

A sequência do episódio ainda se agravaria, porque a submissão de quem servia a quem estava sendo servida se impôs, mesmo diante de uma prestação de serviço que não parecia deixar tanto a desejar: “Honestamente, eu não achava que estava fazendo um trabalho tão ruim, mas aceitei e tentei agradá-la”. Mais do que isso. Quando Pierce levou a conta à mesa da cliente insatisfeita, lhe agradeceu pela “a oportunidade de aprender e crescer como garçonete” e acrescentou: “Foi um prazer atendê-los”.

Hegemonia neoliberal e desigualdades obrigaram a “colaboradora” a bem atender àquela freguesa, a lhe agradecer cordialmente pelo destrato e, enfim, a lhe ser subserviente, mesmo diante de uma injustificada hostilidade. A garçonete ainda sofreria dois gestos antipáticos: a cliente não lhe dirigiu o olhar nem tampouco a palavra e não lhe deixou gorjeta.

4.
Casos como esse não são raros. No Brasil, onde o lema “O cliente tem sempre razão” é dogma e subterfúgio para a humilhação de pessoas subalternizadas e empregadas de forma precária, eles são absolutamente corriqueiros. Porque ela é estadunidense, branca, jovem e de olhos claros, exceto pela dominação masculina, é pouco provável que Savanah Pierce tenha passado por muitas situações semelhantes. Sua relativa notoriedade derivou de sua capacidade de fazer “limonada” do “limão”.

Trata-se da típica história de “superação” tão ao gosto do neoliberalismo. Sua dor se transformou em “oportunidade de crescimento” e em “capitalização” de um dos mais precisos bens de nossos dias: o acúmulo de capital de visibilidade. A garçonete publicou seu relato numa conhecida rede “social” e seu vídeo alcançou a marca de “2,3 milhões de visualizações”.[iv]

Dado o viés predominante das notícias sobre o episódio, de suas reproduções e comentários em redes sociais e do próprio vídeo de Pierce, mesmo as raras críticas reproduzem a abordagem moralizante e personalista do caso e de suas personagens. O comportamento ácido e soberbo da cliente e a postura considerada subserviente da garçonete são aí reduzidas às personalidades de ambas, à “falta de educação” da primeira e à ausência de “coragem” da segunda. Não há elogios à freguesa “mal-educada”, mas existe muito entusiasmo com o procedimento e com a performance de Pierce.

Independentemente de censuras ou de elogios, o que é narrado e as formas da narrativa apagam processos históricos, relações sociais e dimensão política, em benefício do foco exclusivo nas posturas e nos sentimentos individuais. No limite, o destempero da cliente não precisa ser reprovado, porque se tornou oportunidade oferecida, enquanto a humilhação da garçonete deve ser exaltada, porque se tornou ensejo e prova de sua “resiliência”.

Por que seria preciso tratar de história, sociedade e política, onde o rebaixamento é sucedido de superação e gratidão, onde quem é humilhado agradece e aplaude quem o humilhou? Tudo ali é muito edificante, basta atitude pessoal para mudar o mindset. Além disso, a única circunstância em que as referências às pessoas físicas são substituídas por uma menção a uma jurídica ocorre quando Pierce fala do restaurante. Trocam-se as pessoas, trocam-se os pronomes, mas a ladainha neoliberal não se modifica: muito mais do que um salário (Justo? Ou talvez somente pagamento eventual, em razão de sua condição de freelancer…), o estabelecimento lhe ofereceu uma inestimável oportunidade de crescimento profissional e pessoal.

Todo dolo e todas as dores da era neoliberal têm na linguagem uma força fundamental. Com o objetivo de eliminar desde os pequenos sonhos até as grandes utopias, os poderosos incrementam o poder opressor de suas próprias palavras e esvaziam o potencial transformador das palavras alheias. No plano dos usos da língua, entre outros, seus recursos e suas estratégias se desdobram da hipocrisia ao cinismo e deste último ao sarcasmo.[v] Seus empregos muito eficazes não têm nada de casual.

5.
Eis aqui apenas um exemplo recente para ilustrar seus planos e ações e para encerrar esta nossa apresentação. Em 1990, o deputado Newt Gingrich do Partido Republicano dos EUA enviou uma circular intitulada Language: a Key Mechanism of Control (Linguagem: um instrumento chave de controle) a seus colegas de sua bancada no Congresso. O documento continha dezenas de substantivos, verbos e prefixos divididos nesta singela oposição: “palavras positivas” e “palavras negativas”.

De fato, o primeiro grupo tem por título a seguinte formulação: Optimistic positive governing words (Governar com palavras otimistas). Seria por meio dessas palavras que os republicanos deveriam se referir a si mesmos. Já o grupo das “palavras negativas”, intitulado Contrasting words (Palavras contrastantes), era a fonte onde se buscava os termos adequados para atacar seus adversários políticos.[vi]

As palavras que constam entre as “positivas” na circular “republicana” se tornaram onipresentes na linguagem política de nossos tempos e poderiam ser livremente traduzidas nestes termos da Língua portuguesa: “liberdade”, “escolha”, “superação”, “liderança”, “competição”, “controle”, “segurança”, “empoderamento”, “orgulho”, “visão”, “direitos” e “verdade”, entre outros. Por sua vez, as negativas também não nos soam estranhas: “corrupção”, “crise”, “hipocrisia”, “incompetência”, “mentira”, “ultrapassado”, “doença”, “radical” e “vergonha”.

Há algo elementar nesse trabalho sobre a linguagem: o poder não se exerce sem a língua e as palavras produzem pensamentos e paixões favoráveis a grupos conservadores e contrários a seus oponentes. A circular do deputado republicano estadunidense era uma das etapas desse processo, porque sua seleção lexical e o contraste psicológico estavam baseados em amplos e custosos experimentos de psicologia comportamental com grupos focais. Assim eram produzidos os chamados think tanks neoliberais. A psicologia servia mais do que nunca à política e concorria para consolidar a redução de interesses coletivos à publicidade.

Quase três décadas mais tarde, quando as palavras positivas da psicologia da felicidade neoliberal já tinham se tornado consenso e automatismo, o Frank Luntz publica a obra Words that work (Palavras que funcionam), que tem por subtítulo It’s not what you say, it’s what people hear (Não é o que você diz, é o que as pessoas ouvem).[vii]

Em 2007, esse reconhecido especialista divulgava pressupostos, métodos e resultados de seus experimentos comportamentais. Além do funcionamento de uma verdadeira engenharia semântica desenvolvida pelos pensadores neoliberais, ecoa uma antiga lição da retórica clássica: a linguagem tem efeitos mágicos. Ela nos permite não somente falar de determinadas realidades, mas também apresentá-las sob uma determinada perspectiva e provocar respostas e atitudes consistentes em nossos interlocutores.

6.
Entre outros tantos, os usos desses slogans publicitários podem nos incitar ou inibir, nos gerar confiança ou medo e nos inspirar simpatia ou repulsa. Factualmente, o mundo é o mesmo, assim como as enormes desigualdades e as injustiças mais vis são evidências empíricas, mas o cinismo e o sarcasmo da fórmula “Dar o máximo é o mínimo” produzem indignação em alguns de nós. Já a pregnância de sua forma e o consenso de seu conteúdo promovem um entusiasmo, ainda que fadado à frustração, em muitos outros.

Graças à hegemonia neoliberal, só a inércia já teria força suficiente para continuar a repetir o movimento desse vicioso círculo emocional. Porém, as engrenagens dessa máquina continuam a ser azeitadas pelos donos do tempo e do dinheiro, por seus ideólogos e psicólogos. Pior do que isso: junto com sua supremacia ideológica, eles agora têm a seu serviço as Big Data, a inteligência artificial e um amplo e poderoso arsenal de tecnologias de linguagem que transformam essa grande máquina num monstro colossal.

Sua força e sua eficácia derivam de sua atuação tanto a montante quanto a jusante da linguagem e de suas intrínsecas relações entre as palavras, os poderes e as paixões. No outro polo da saturação dos termos, expressões e outros recursos linguísticos e simbólicos da hegemônica ideologia neoliberal, tem sido produzido um intenso e extenso esvaziamento dos poderes transformadores da linguagem da crítica e da denúncia, dos sonhos e das utopias.

Alguns dos passos da demonização e dos prenúncios da morte da política são sua redução à publicidade e ao consumo, a conjunção entre psicologia da felicidade e ódio a subalternizados como paixão política legítima, as dissonâncias cognitivas coletivas e a teologia da prosperidade. Um fator decisivo da agonia da política reside nestas frustrantes disjunções em práticas e palavras do poder: (i) falar algo em público e fazer coisa diversa ou inversa no privado; (ii) dizer uma coisa agora e outra logo em seguida; (iii) se desonerar de qualquer responsabilidade pelo que se disse; (iv) falar qualquer coisa, inclusive as mais cínicas e sarcásticas, graças à concentração de poder; e v) empregar palavras consensuais e frases feitas, deixando seu preenchimento semântico a cargo do interlocutor.

7.
As palavras, os poderes e as paixões conseguem impor dores e dominações, expurgos e opressões, humilhações e subordinações, assim como conseguem minar resistências, revoltas e revoluções. Em larga medida, é com palavras, poderes e paixões que os sofrimentos passam a aparentar alegrias ou a praticamente só suscitar resignação. Como dissemos, aspirações ao bem-estar coletivo, esperanças rejuvenescedoras e rebeldias de vanguarda foram reduzidas a ideias e ações ultrapassadas.

Agora, moderno mesmo seriam a competitividade, a flexibilidade e a produtividade, a eficiência, a excelência e a transparência, a desregulação, a modernização e a privatização. Usando e abusando das palavras, dos poderes e das paixões, o discurso neoliberal coloca o mundo ao avesso, chamando o retrocesso de modernização e a servidão de liberdade. Seu avanço parece nos devolver a um feudalismo medieval: um mundo de senhores supostamente caridosos e de servos iludidamente agradecidos.

De modo análogo ao medieval, nesse nosso novo mundo, a desigualdade é um fato não apenas observado e reconhecido, mas também aceito, naturalizado e desejado como oportunidade ilusória do rebaixado de se tornar o próximo privilegiado.

Por essas e por muitas outras razões, os poderes do discurso, de suas palavras e de suas paixões não podem continuar a ser uma força tão concentrada naqueles que discriminam discriminados e perseguem perseguidos. Essa concentração é arma potentíssima para detratar, degradar e eliminar a vida dos subalternizados e dos que não servem aos senhores do mundo.

Analisar minuciosamente, criticar sem trégua e denunciar a cada instante esses atos poderosos e perversos é passo fundamental para toda luta igualitária, inclusiva e emancipatória. O que está em jogo é uma progressiva e irreparável perda ou o necessário restabelecimento da energia renovadora de nossas palavras, de nossos sonhos e de nossas existências. É preciso e urgente compreender os modos e os motivos pelos quais ofensas, exclusões e violências são aceitas, difundidas e exaltadas.

O discurso e as sensibilidades desempenham funções fundamentais nesse terrível fenômeno. Uma melhor e mais crítica compreensão de suas relações e de nossas subjetividades, dos sentidos e de nossos sentimentos é a contribuição que apresentamos aqui, com o propósito de reforçar as lutas pelo valor e dignidade de todo ser humano, pela insubordinação de marginalizados e pela própria preservação da vida na Terra.

*Carlos Piovezani é professor do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Notas

[i] Vitale, Alejandra. Phátos, memória e política. In: O discurso e as emoções: medo, ódio, vergonha e outros afetos. São Paulo: Parábola, 2024, p. 131-142.

[ii] Machado, Simone. Motorista ganha R$ 300 mil com Uber adotando ‘rotina radical’ em SP. Portal UOL, Seção Carros/Mobilidade, 12 de setembro de 2024.

[iii] Dardot, Pierre; Laval, Christian. A Nova Razão do Mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016; Safatle, Vladmir; Silva Júnior, Nelson; Dunker, Christian. (Org.). Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico. São Paulo: Autêntica, 2020.

[iv] “Garçonete diz ter sido ‘humilhada’ por cliente em primeira semana de emprego e viraliza: ‘Agradeci’”. O texto cuja autoria é indicada apenas pela expressão “Por redação” foi publicado no site Pequenas empresas & Grandes negócios, do Grupo Globo, em 12 de dezembro de 2023.

[v] Conde, Juan Luis. Armónicos do cinismo: discurso, mito y poder en la era neoliberal. Madri: Reino de Cordelia, 2020.

[vi] Conde, 2020, p. 130-138.

[vii] Luntz, Frank. Palavras que funcionam: não é o que você diz, é o que as pessoas ouvem. Rio de Janeiro: Alta Books, 2013. Luntz também é autor de Vença: os princípios fundamentais para transformar seu negócio comum em extraordinário (Alta Books, 2012). Na sinopse desta última obra, podemos ler o seguinte: “De autor best-seller da lista do The New York Times a especialista em analisar a opinião pública, Dr. Frank Luntz apresenta um trabalho sem precedentes sobre a excelência na comunicação e sobre como os mais bem-sucedidos, ao utilizar esta habilidade em suas relações, destacam-se nas diversas áreas de atuação. O autor deixa claro que é indispensável seguir as regras da comunicação eficaz em qualquer empreendimento de sucesso. Dr. Luntz apresenta mais de setenta novas palavras que funcionam para uma conversa privada com seu chefe, palestras a centenas de colegas ou aparições na televisão, que atingem milhões de pessoas. Você tem o que é necessário para vencer? Vença é uma análise inédita da arte, da ciência e da linguagem para o sucesso. Imprescindível para as pessoas que querem entender e seguir os passos dos vencedores”.

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