Conteúdo postado por:Aquiles Lins
247 - O historiador e jornalista indiano Vijay Prashad afirmou que os bombardeios lançados por Estados Unidos e Israel contra o Irã representam a continuidade de uma guerra de décadas contra a República Islâmica. Em artigo publicado no Peoples Dispatch neste sábado (28/02), Prashad diz que o ataque conjunto realizado na madrugada de 28 de fevereiro já provocou devastação e elevado número de vítimas civis.
De acordo com o texto, ao menos 60 meninas de uma escola primária em Minab, na província iraniana de Hormozgan, morreram durante os bombardeios, além de dezenas de outras pessoas em diferentes regiões do país. As estimativas mais recentes apontam para 201 mortos.
Prashad sustenta que a ofensiva de fevereiro de 2026 não foi um episódio isolado. Ele relembra que EUA e Israel mantêm, há décadas, uma política de confrontação contra Teerã, seja por meio de ações militares diretas — incluindo um ataque em junho de 2025 — seja por meio de uma “guerra híbrida”, marcada por sanções impostas por Washington desde 1996.
No artigo, o autor afirma que ambos os países violam de forma recorrente o Artigo 2 da Carta das Nações Unidas e argumenta que não enfrentam condenações no Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, ao longo dos anos, governos do Norte Global passaram a caracterizar a política iraniana como terrorismo e seu sistema político como ditatorial, legitimando tentativas de derrubada do governo de Teerã.
O texto também analisa a postura do presidente dos EUA, Donald Trump. Para Prashad, Trump não demonstra disposição para um conflito prolongado e busca resultados rápidos que lhe garantam repercussão política. O autor menciona como exemplos o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026, e a ordem executiva de 30 de janeiro para impedir a venda de petróleo a Cuba.
Segundo relatos citados no artigo, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, teria sido morto no ataque israelense-americano. Ainda assim, até o momento, não houve alteração na estrutura de poder do país. Prashad afirma que, assim como ocorreu após o bombardeio de junho de 2025 — que não destruiu o programa nuclear iraniano —, a nova ofensiva também não desmantelou o sistema político da República Islâmica.
247 - O historiador e jornalista indiano Vijay Prashad afirmou que os bombardeios lançados por Estados Unidos e Israel contra o Irã representam a continuidade de uma guerra de décadas contra a República Islâmica. Em artigo publicado no Peoples Dispatch neste sábado (28/02), Prashad diz que o ataque conjunto realizado na madrugada de 28 de fevereiro já provocou devastação e elevado número de vítimas civis.
De acordo com o texto, ao menos 60 meninas de uma escola primária em Minab, na província iraniana de Hormozgan, morreram durante os bombardeios, além de dezenas de outras pessoas em diferentes regiões do país. As estimativas mais recentes apontam para 201 mortos.
Prashad sustenta que a ofensiva de fevereiro de 2026 não foi um episódio isolado. Ele relembra que EUA e Israel mantêm, há décadas, uma política de confrontação contra Teerã, seja por meio de ações militares diretas — incluindo um ataque em junho de 2025 — seja por meio de uma “guerra híbrida”, marcada por sanções impostas por Washington desde 1996.
No artigo, o autor afirma que ambos os países violam de forma recorrente o Artigo 2 da Carta das Nações Unidas e argumenta que não enfrentam condenações no Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, ao longo dos anos, governos do Norte Global passaram a caracterizar a política iraniana como terrorismo e seu sistema político como ditatorial, legitimando tentativas de derrubada do governo de Teerã.
O texto também analisa a postura do presidente dos EUA, Donald Trump. Para Prashad, Trump não demonstra disposição para um conflito prolongado e busca resultados rápidos que lhe garantam repercussão política. O autor menciona como exemplos o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026, e a ordem executiva de 30 de janeiro para impedir a venda de petróleo a Cuba.
Segundo relatos citados no artigo, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, teria sido morto no ataque israelense-americano. Ainda assim, até o momento, não houve alteração na estrutura de poder do país. Prashad afirma que, assim como ocorreu após o bombardeio de junho de 2025 — que não destruiu o programa nuclear iraniano —, a nova ofensiva também não desmantelou o sistema político da República Islâmica.
A escalada desde 2020
O autor situa o início da atual fase do confronto em janeiro de 2020, quando os EUA assassinaram o general Qasem Soleimani, então comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, em Bagdá. Soleimani era apontado como o arquiteto do chamado “eixo da resistência”, rede de alianças regionais que incluía o Hezbollah, no Líbano, e o Ansar Allah, no Iêmen, concebida como linha de defesa diante de eventuais ataques contra o Irã.
Prashad argumenta que, nos anos seguintes, uma série de eventos enfraqueceu esse eixo. Ele cita a ofensiva israelense contra a Palestina, o impacto da guerra no Líbano sobre o Hezbollah — incluindo o assassinato de Sayyed Hassan Nasrallah, em setembro de 2024 — e a ascensão de Ahmed al-Sharaa à presidência da Síria, em janeiro de 2025, com a posterior expulsão de grupos pró-Palestina do território sírio.
Após o ataque de junho de 2025 às instalações nucleares iranianas, EUA e Israel declararam ter neutralizado a capacidade do país de desenvolver armas atômicas. O artigo questiona essa versão e observa que, se tal objetivo tivesse sido alcançado, não haveria razão para manter as sanções. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian, eleito em 2024 com uma agenda de “reformas”, formou um gabinete que incluía o ministro das Finanças Ali Madanizadeh e buscou diálogo com instituições como o FMI e a Agência Internacional de Energia Atômica.
Ainda assim, após os bombardeios de 2025, Teerã encerrou acordos de inspeção com a AIEA. O Fundo Monetário Internacional avaliou perspectivas desfavoráveis para a economia iraniana, atribuindo-as em grande parte às sanções dos EUA e, sob sua ótica, ao regime de subsídios interno.
Programa nuclear ou mudança de regime
No centro da disputa está o programa nuclear iraniano. O artigo afirma que Teerã nega há décadas qualquer intenção de produzir armas atômicas. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou reiteradamente que o país não desenvolverá esse tipo de armamento. Poucas horas antes do ataque de fevereiro de 2026, as negociações entre Irã e EUA estariam próximas de um entendimento.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr bin Hamad al-Busaidi, afirmou que um “acordo de paz está ao nosso alcance” e que o Irã concordou em zerar seu estoque de armas nucleares. Para Prashad, o fato de o ataque ter ocorrido nesse contexto reforça a tese de que o objetivo central de Washington e Tel Aviv não seria o programa nuclear em si, mas a mudança de regime.
O autor conclui que, se o conflito tem como meta derrubar a República Islâmica, trata-se de uma guerra sem perspectiva de vitória rápida. Ele sustenta que, com quase 100 milhões de habitantes, o Irã possui ampla base social disposta a defender o sistema político instaurado após a Revolução de 1979. Na avaliação apresentada, ataques externos podem causar grande número de mortes, mas não seriam capazes de romper o que define como “patriotismo iraniano”

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