Da Redação do Brasil de Fato, 04 de março 2026
Enquanto o Brasil reafirma compromissos climáticos no discurso, um dos maiores complexos termelétricos a gás natural do país avança em Macaé (RJ), no Norte Fluminense, aprofundando riscos ambientais, sociais e territoriais em uma região já marcada pela sobrecarga de grandes empreendimentos fósseis.
O Complexo Termelétrico Vale Azul reúne ao menos 11 usinas movidas a gás natural – entre elas Vale Azul I, II e III, Marlim Azul II e Litos Energia – além de gasodutos, linhas de transmissão e o Terminal Portuário de Macaé (TEPOR). Juntas, as usinas ultrapassam 3 GW de capacidade instalada, energia suficiente para abastecer milhões de residências, mas com custos ambientais concentrados em um único território.
O problema não é apenas o tamanho do empreendimento, mas o modelo adotado. Em Macaé, estão previstos ao menos 17 projetos energéticos e logísticos, formando um verdadeiro “cluster fóssil” em áreas próximas ao Rio Macaé e à zona costeira. Especialistas alertam que a concentração de termelétricas ameaça a segurança hídrica da bacia, compromete a qualidade do ar e intensifica desigualdades socioambientais já existentes.
Estudos técnicos citados por organizações da sociedade civil indicam que o consumo de água das usinas pode pressionar a bacia hidrográfica que abastece municípios como Macaé, Carapebus e Quissamã. Ao mesmo tempo, as emissões de CO₂, óxidos de nitrogênio e enxofre agravam tanto a crise climática quanto problemas respiratórios na população local.
Mesmo diante desse cenário, o licenciamento ambiental segue fragmentado entre o INEA e o IBAMA, impedindo uma avaliação conjunta dos impactos cumulativos. Em parecer técnico, o próprio IBAMA reconheceu a necessidade de avaliar a capacidade de suporte da bacia aérea e hídrica de Macaé, mas, na prática, as licenças continuam sendo analisadas como se os empreendimentos fossem projetos isolados.
A história recente do Norte Fluminense mostra que essa lógica cobra um preço alto. Grandes obras portuárias e industriais na região já foram associadas a processos de erosão costeira, degradação ambiental e à desterritorialização de comunidades tradicionais, especialmente pescadores artesanais. Em vez de aprendizado institucional, o que se vê é a repetição de um modelo que concentra benefícios econômicos e distribui danos sociais e ambientais.
É nesse contexto que ganha importância o Observatório Socioambiental Terrapuri. A plataforma reúne estudos de impacto ambiental, pareceres técnicos, licenças, ações civis públicas e registros de audiências públicas relacionados ao Complexo Termoelétrico Vale Azul e a outros empreendimentos estratégicos do território fluminense.
Mais do que um repositório de documentos, o Terrapuri funciona como instrumento de controle social, memória coletiva e produção de conhecimento crítico, permitindo que jornalistas independentes, pesquisadores, movimentos sociais e comunidades impactadas acompanhem de forma transparente processos que costumam avançar longe do debate público.
Em um território pressionado por interesses econômicos poderosos, tornar visíveis os impactos cumulativos e as vozes locais não é apenas uma escolha editorial – é uma necessidade democrática.
Mais informações, documentos e análises estão disponíveis no Observatório Socioambiental Terrapuri.
O Complexo Termelétrico Vale Azul reúne ao menos 11 usinas movidas a gás natural – entre elas Vale Azul I, II e III, Marlim Azul II e Litos Energia – além de gasodutos, linhas de transmissão e o Terminal Portuário de Macaé (TEPOR). Juntas, as usinas ultrapassam 3 GW de capacidade instalada, energia suficiente para abastecer milhões de residências, mas com custos ambientais concentrados em um único território.
O problema não é apenas o tamanho do empreendimento, mas o modelo adotado. Em Macaé, estão previstos ao menos 17 projetos energéticos e logísticos, formando um verdadeiro “cluster fóssil” em áreas próximas ao Rio Macaé e à zona costeira. Especialistas alertam que a concentração de termelétricas ameaça a segurança hídrica da bacia, compromete a qualidade do ar e intensifica desigualdades socioambientais já existentes.
Estudos técnicos citados por organizações da sociedade civil indicam que o consumo de água das usinas pode pressionar a bacia hidrográfica que abastece municípios como Macaé, Carapebus e Quissamã. Ao mesmo tempo, as emissões de CO₂, óxidos de nitrogênio e enxofre agravam tanto a crise climática quanto problemas respiratórios na população local.
Mesmo diante desse cenário, o licenciamento ambiental segue fragmentado entre o INEA e o IBAMA, impedindo uma avaliação conjunta dos impactos cumulativos. Em parecer técnico, o próprio IBAMA reconheceu a necessidade de avaliar a capacidade de suporte da bacia aérea e hídrica de Macaé, mas, na prática, as licenças continuam sendo analisadas como se os empreendimentos fossem projetos isolados.
A história recente do Norte Fluminense mostra que essa lógica cobra um preço alto. Grandes obras portuárias e industriais na região já foram associadas a processos de erosão costeira, degradação ambiental e à desterritorialização de comunidades tradicionais, especialmente pescadores artesanais. Em vez de aprendizado institucional, o que se vê é a repetição de um modelo que concentra benefícios econômicos e distribui danos sociais e ambientais.
É nesse contexto que ganha importância o Observatório Socioambiental Terrapuri. A plataforma reúne estudos de impacto ambiental, pareceres técnicos, licenças, ações civis públicas e registros de audiências públicas relacionados ao Complexo Termoelétrico Vale Azul e a outros empreendimentos estratégicos do território fluminense.
Mais do que um repositório de documentos, o Terrapuri funciona como instrumento de controle social, memória coletiva e produção de conhecimento crítico, permitindo que jornalistas independentes, pesquisadores, movimentos sociais e comunidades impactadas acompanhem de forma transparente processos que costumam avançar longe do debate público.
Em um território pressionado por interesses econômicos poderosos, tornar visíveis os impactos cumulativos e as vozes locais não é apenas uma escolha editorial – é uma necessidade democrática.
Mais informações, documentos e análises estão disponíveis no Observatório Socioambiental Terrapuri.

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