Do GGN, 01 de março de 2026
Por Camila Bezerra
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| Crédito: Reprodução/ X |
Resumo da notícia
O aiatolá Alireza Arafi foi escolhido neste domingo (1º) como líder supremo interino do Irã, um dia após a morte do aiatolá Ali Khamenei. A informação foi divulgada por agências estatais iranianas.
Arafi assumirá a chefia do Conselho Interino de Liderança e ficará responsável por conduzir o processo que definirá o novo líder supremo do país. Segundo o porta-voz do Conselho de Discernimento do Interesse do Estado, Mohsen Dehnavi, a nomeação foi formalizada em publicação na rede X.
O conselho provisório também contará com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei, e um jurista do Conselho dos Guardiões. O grupo permanecerá à frente do país até que a Assembleia dos Peritos eleja um sucessor permanente “o mais rápido possível”.
Khamenei morreu na madrugada de sábado (28), no horário de Brasília, durante um bombardeio coordenado pelos Estados Unidos e por Israel contra o complexo presidencial onde ele se encontrava. A confirmação oficial da morte foi feita horas depois pelo governo iraniano.
Estrutura de poder no Irã
Desde a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia do xá Reza Pahlavi, o Irã é governado sob um regime teocrático, no qual a autoridade política máxima é exercida por um líder religioso.
O cargo mais alto é o de Líder Supremo, responsável por concentrar os principais poderes políticos e religiosos do país. Apenas dois aiatolás ocuparam a função desde então: Ruhollah Khomeini, até 1989, e, posteriormente, Ali Khamenei.
Entre as atribuições do Líder Supremo estão:
1.definir as diretrizes da política externa;
2.supervisionar o Parlamento;
3.nomear o comandante da Guarda Revolucionária;indicar os principais cargos do Judiciário.
Embora o Irã também tenha um presidente, eleito por voto direto, todos os candidatos precisam ser previamente aprovados pelo Líder Supremo. Ao presidente cabem principalmente a condução das políticas econômicas e a gestão de temas internos.
Embora o Irã também tenha um presidente, eleito por voto direto, todos os candidatos precisam ser previamente aprovados pelo Líder Supremo. Ao presidente cabem principalmente a condução das políticas econômicas e a gestão de temas internos.
Guerra aberta
O presidente Masoud Pezeshkian afirmou neste domingo (1º) que a morte de Ali Khamenei representa uma “declaração de guerra contra os muçulmanos” e defendeu o que chamou de “vingança legítima” contra Estados Unidos e Israel.
Em pronunciamento oficial, Pezeshkian declarou que o assassinato do líder supremo configura “guerra aberta contra os muçulmanos, especialmente os xiitas em todo o mundo”. Segundo ele, a República Islâmica do Irã considera dever e direito responsabilizar os autores e mandantes do ataque.
Pouco antes da declaração, a agência estatal Isna informou que o presidente está em segurança.
Khamenei, que comandou o Irã por quase quatro décadas, teve a morte inicialmente anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e posteriormente confirmada pela mídia estatal iraniana. A agência Fars informou, em seu perfil no Telegram, que o líder “foi martirizado”.
O gabinete presidencial decretou 40 dias de luto nacional e sete dias de feriado geral no país. Em nota, o governo classificou o bombardeio como um “crime” e afirmou que o episódio marcará uma nova fase na história do mundo islâmico.
De acordo com a imprensa oficial, Khamenei foi atingido em seu local de trabalho durante o ataque ocorrido na manhã de sábado.
Camila Bezerra
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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