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Os três vírus que podem desencadear novas crises e que alertam especialistas em todo o planeta

O mundo ainda vive os reflexos da pandemia de covid-19 quando novos riscos sanitários voltam a mobilizar cientistas e autoridades de saúde


Do Brasil 247, 19 de fevereiro de 2026, 



Vírus Nipah (Foto: Reprodução/Instituto Nacional de
Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA)

247 - O mundo ainda vive os reflexos da pandemia de covid-19 quando novos riscos sanitários voltam a mobilizar cientistas e autoridades de saúde. Em 2026, especialistas apontam que a combinação entre mudanças climáticas, crescimento populacional e intensa circulação internacional de pessoas tem favorecido a evolução e a disseminação de vírus com potencial de provocar novas crises globais.

Reportagem publicada pelo portal g1, com base em análises científicas e artigo divulgado na revista The Conversation, destaca três patógenos que concentram atenção especial neste ano: a gripe aviária H5N1, o mpox e o vírus Oropouche. Embora distintos em origem e forma de transmissão, todos apresentam sinais recentes de expansão territorial.

Segundo o infectologista Patrick Jackson, da Universidade da Virgínia, os vírus não representam motivo para pânico imediato, mas exigem vigilância contínua e preparação dos sistemas de saúde diante de cenários cada vez mais dinâmicos.

O cenário atual evidencia que a chamada “era pandêmica” ainda não terminou. Eventos climáticos extremos, urbanização acelerada e maior contato humano com ambientes naturais aumentam a probabilidade de saltos entre espécies — fenômeno que historicamente antecede emergências sanitárias globais.

Vírus Oropouche preocupa avanço no Brasil

Entre as ameaças monitoradas, o vírus Oropouche tem despertado atenção crescente, especialmente na América Latina. Transmitido por mosquitos de pequeno porte, o patógeno provoca sintomas semelhantes aos de uma gripe, como febre, dores musculares e mal-estar intenso.

Identificado inicialmente na década de 1950 em Trinidad e Tobago, o vírus permaneceu por décadas restrito à região amazônica. Contudo, nas últimas duas décadas, passou a se expandir para outras áreas da América do Sul, América Central e Caribe.

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde indicam que, até agosto de 2025, o Brasil concentrava cerca de 90% dos casos registrados nas Américas, distribuídos em 20 estados. Pela primeira vez, mortes associadas ao vírus foram confirmadas no país, incluindo registros no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

Casos importados também começaram a surgir na Europa, relacionados a viajantes infectados. Especialistas investigam ainda possíveis episódios de transmissão vertical — de mãe para filho — e uma eventual associação com microcefalia e óbitos fetais.

Outro fator de preocupação é a ausência de vacina ou tratamento específico. Diante disso, a Organização Mundial da Saúde apresentou, em janeiro de 2026, uma proposta internacional para acelerar pesquisas voltadas à prevenção e controle da doença.

A gripe aviária H5N1 permanece entre as maiores ameaças potenciais devido à elevada capacidade de mutação dos vírus influenza. O alerta aumentou após o patógeno ser identificado, em 2024, em vacas leiteiras nos Estados Unidos — um salto entre espécies considerado incomum.

O vírus, antes restrito às aves, passou a circular em rebanhos bovinos de diferentes estados norte-americanos. Estudos sugerem que já ocorreram transmissões de animais para humanos, muitas delas sem sintomas evidentes.


Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA registraram 71 infecções humanas e duas mortes desde 2024, sem indícios de transmissão sustentada entre pessoas. Ainda assim, especialistas temem que o vírus adquira essa capacidade — etapa considerada crucial para o surgimento de uma nova pandemia.

No Brasil, a presença do vírus foi confirmada em uma granja comercial em 2025. Instituições científicas, como o Instituto Butantan, já conduzem estudos pré-clínicos para o desenvolvimento de vacinas específicas.

Mpox mantém circulação global e preocupa nova variante

O mpox, anteriormente conhecido como varíola dos macacos, deixou de ser uma doença rara após o surto internacional iniciado em 2022, quando a variante clado IIb se espalhou por mais de cem países.A transmissão ocorre principalmente por contato físico próximo, o que contribuiu para sua rápida disseminação em centros urbanos. Atualmente, o vírus circula de forma recorrente em diversas regiões do mundo.

Paralelamente, países da África Central vêm registrando aumento de casos ligados ao clado I, considerado mais grave. Autoridades sanitárias dos Estados Unidos notificaram infecções recentes em pessoas sem histórico de viagem internacional, indicando possível circulação local.Embora exista vacina disponível, especialistas alertam que a evolução genética do vírus pode exigir novas estratégias de controle ao longo de 2026.

Outras doenças voltam ao radar sanitário

Além dos três vírus principais, outros patógenos também reacendem preocupações globais. O chikungunya registrou mais de 445 mil casos suspeitos e confirmados em 2025, incluindo centenas de mortes. No Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou mais de 129 mil casos e 121 óbitos no período.

O vírus Nipah voltou ao noticiário após um surto recente na Índia, embora especialistas avaliem que ainda não apresenta potencial pandêmico. Já o sarampo reaparece em diversos países devido à queda nas taxas de vacinação, ameaçando conquistas históricas de erradicação.

Especialistas ressaltam que o maior desafio atual não é apenas reagir a novos vírus, mas fortalecer sistemas de vigilância epidemiológica e ampliar programas globais de imunização. O aprendizado deixado pela covid-19, afirmam pesquisadores, mostra que antecipação e cooperação internacional continuam sendo as principais ferramentas para evitar novas crises sanitárias.
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