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Israel tem direito bíblico ao Oriente Médio, diz embaixador dos EUA

Em entrevista que correu o mundo

Da Revista Fórum, 21 de fevereiro 2026



- A Grande Israel da extrema-direita.

Numa entrevista que correu o mundo pelo seu conteúdo polêmico, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, disse que Israel tem direito bíblico a ocupar todo o Oriente Médio, se tiver capacidade militar de fazer isso.

Huckabee se identifica com o sionismo cristão. Ele é a voz de Donald Trump junto a Tel Aviv.

A entrevista foi dada a Tucker Carlson, o jornalista que se tornou crítico da política externa de Donald Trump por considerá-la submissa a Israel.

Carlson fala em nome da direita nacionalista dos EUA. Ele e Huckabee são antigos conhecidos.

O jornalista foi acusado de “antissemitismo” pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Por isso, a entrevista aconteceu no setor diplomático do aeroporto de Ben Gurion, em Tel Aviv, permitindo que Carlson e equipe entrassem e saíssem rapidamente do país.

Depois da entrevista, dois produtores funcionários de Carlson foram detidos e interrogados por agentes de segurança de Israel.

Na fala mais polêmica, Huckabee concordou com a tese da extrema-direita religiosa israelense segundo a qual o povo de Israel tem direito bíblico ao território que fica entre os rios Nilo e Eufrates.

É a “Grande Israel” defendida por ministros-colonos do governo Netanyahu, como Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir.

Atualmente, Israel assumiu o controle de Gaza e está expandindo a colonização da Cisjordânia. Muitos dos colonos são religiosos que se referem à região palestina como “Judeia e Samaria”.
Gênesis

A Grande Israel implicaria em posse de Tel Aviv sobre parte do Egito, todo o território de Líbano e Jordânia e partes da Síria, Arábia Saudita e Iraque.

Huckabee baseou sua opinião em Gênesis, que menciona que os herdeiros de Abraão teriam direito ao território que vai do rio Nilo, no Egito, ao Eufrates, no Iraque.

Pressionado por Carlson, o enviado de Donald Trump disse que Israel teria direito ao território “se conseguir conquistá-lo”.

Hoje, Trump “governa” Gaza através de um Conselho da Paz que ele próprio criou. Seu genro, Jared Kushner, apresentou um projeto de uma futura Gaza que teria 180 torres na costa do Mediterrâneo.

A população palestina seria mantida longe do mar, recolocada em cidades separadas por áreas verdes que permitiriam a Israel intervir militarmente no território a qualquer momento.

O “sonho” de Trump se choca com a realidade. Desde que um cessar-fogo foi fechado entre Israel e o Hamas, Tel Aviv já matou mais de 600 palestinos em ataques a Gaza, onde a população segue morrendo de doenças evitáveis e de frio e fome.

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