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Desdolarização avança no Brasil sob riscos da hegemonia dos EUA

Sob risco de sanções, país acelera diversificação cambial e debate impactos da taxa de juros na soberania monetária nacional


Do GGN, 6 de fevereiro 2026


Resumo da notícia ​

Na última quinta-feira (5), o programa “Projeto Brasil”, transmitido pelo canal TV GGN no YouTube, promoveu um debate aprofundado sobre o processo de desdolarização das reservas brasileiras e os novos rumos da economia global. Sob a mediação de Luis Nassif, o encontro contou com a participação da economista Carla Beni, do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecom-SP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e do jornalista Sérgio Léo, que analisaram as mudanças na postura estratégica dos Estados Unidos e os riscos associados à hegemonia do dólar como moeda de reserva referencial.

Durante a discussão, Carla Beni apresentou dados do Banco Central para demonstrar que o Brasil vem reduzindo gradualmente a presença da moeda norte-americana em suas reservas internacionais. A economista destacou que, enquanto em 2018 o dólar representava 89,93% das reservas, os dados de fechamento de 2024 indicam uma queda para 78,45%. Em contrapartida, houve um crescimento notável na participação do Yuan (moeda chinesa), que saiu de zero em 2018 para 5,3% em 2024, e do ouro, que saltou de 0,75% para 3,55% no mesmo período. Beni explicou que esse movimento de diversificação foi acelerado por eventos globais, como a pandemia e as sanções econômicas impostas à Rússia após o conflito com a Ucrânia, o que levou diversos países a buscarem sistemas de pagamentos alternativos ao Swift para proteger seus ativos de possíveis bloqueios.

Sérgio Léo e Luis Nassif questionaram como essa transição afeta a economia real e a cotação de produtos brasileiros. A economista esclareceu que o aumento das trocas diretas entre Real e Yuan, sem a necessidade de triangulação pelo dólar, é viabilizado por acordos bilaterais entre os bancos centrais, o que permite definir paridades cambiais específicas e reduzir a dependência da volatilidade do mercado norte-americano. No entanto, ela ressalvou que o processo de desdolarização é gradual e limitado, uma vez que os Estados Unidos detêm um poderio econômico e bélico consolidado há 80 anos, além do fato de grandes credores, como a China, possuírem trilhões em títulos da dívida americana, o que desestimula uma ruptura abrupta que desvalorizaria seus próprios estoques.

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O debate também abordou os entraves internos ao desenvolvimento brasileiro, com críticas severas à financeirização da economia e às altas taxas de juros. Nassif pontuou que o mercado financeiro exerce uma influência política desproporcional, muitas vezes ignorando as necessidades da indústria nacional. Carla Beni complementou essa análise ao afirmar que a atual meta de inflação de 3% é excessivamente baixa para o Brasil, servindo como pretexto para a manutenção de taxas de juros reais elevadas, o que inviabiliza projetos de longo prazo e a neoindustrialização do país. Segundo a economista, enquanto o capital especulativo correr livremente através do carry trade, a soberania monetária e o planejamento industrial continuarão enfrentando obstáculos significativos.


Ao final, os interlocutores discutiram as perspectivas futuras, mencionando o potencial das moedas digitais estatais, como o Drex e o Yuan digital, para agilizar o comércio internacional e contornar sistemas obsoletos. Beni também observou que a política externa dos Estados Unidos sob Donald Trump tem contribuído para o desgaste da confiança global no dólar, embora acredite que o fortalecimento de novos parceiros comerciais, como a Índia, e a abertura de novos mercados sejam caminhos mais viáveis para o Brasil do que a imposição de controles cambiais rígidos, que enfrentariam forte resistência do setor financeiro.

Assista ao programa abaixo:

Nota da redação: O GGN utiliza I.A. para transcrever ou resumir o conteúdo original produzido pela equipe de jornalismo do canal TV GGN, no Youtube. O uso dessas ferramentas não dispensa a revisão, apuração, edição por parte de um jornalista para garantir a lisura e correção das informações.

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