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Ativista defende nacionalização da mineração frente a crimes continuados da Vale

Liderança do MAM avalia que mineradoras gozam de impunidade e que modelo favorece lucro a qualquer custo


Do Brasil de Fato, 9 de fevereiro 2026 - São Paulo (SP)
Por José Bernardes e Tabitha Ramalho



Vistoria encontra material de enxurrada na CSN Mineração
| Crédito: Prefeitura de Congonhas/Divulgação

Em janeiro, três acidentes envolvendo minas da Vale em Minas Gerais foram mais um capítulo dos crimes continuados do atual modelo de mineração que o setor produz, segundo a avaliação de Luiz Paulo Siqueira, membro da Coordenação Nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), que propõe retomar o debate para o controle público sobre os bens minerais.

“É necessário um debate de nacionalização. Nossos minérios não dão duas safras. Setores dizem que ficaremos mais ricos com a mineração, mas estamos ficando mais pobres, com a lógica do Brasil colônia: a riqueza vai embora e a pobreza fica, com um rastro de destruição”, disse o integrante do MAM , ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

A solução, na visão do especialista, está em um projeto de desenvolvimento soberano. “É fundamental que o governo acelere e escute os movimentos populares. Nossos bens minerais devem estar a serviço de um projeto de industrialização e soberania nacional, e não dessa lógica colonial. O presidente Lula tem feito o debate da soberania. Talvez seja o momento da campanha colocar isso em debate”, conclui.

A raiz do problema, segundo ele, está no modelo de mineração totalmente privatizado imposto durante os governos neoliberais de Fernando Collor e, principalmente, Fernando Henrique Cardoso. “FHC coroou esse processo com a entrega da Companhia Vale do Rio Doce em 1997, vendida por US$ 3,3 bilhões. Hoje, a Vale lucra mais de US$ 100 bilhões anuais”, compara.

Sobre os acidentes, o integrante do MAM vê falta de transparência da empresa. “Constantemente, a Vale mente para os órgãos públicos, mente para a sociedade e mente para as instituições de justiça”, denuncia.

O especialista ressalta que a Vale só notificou o núcleo de emergência ambiental mais de dez horas após o vazamento, “demonstrando que, mesmo com os crimes de Mariana e Brumadinho, ela não muda sua postura. “A lógica do saque e do lucro a qualquer custo se mantém”, destaca.

A Justiça de Minas Gerais determinou, na última sexta-feira (6), a paralisação imediata de todas as operações da Vale no complexo minerário de Fábrica, em Ouro Preto. Paralelamente à ação do MPE, o Ministério Público Federal (MPF) move outras duas ações: uma pede o bloqueio de R$ 1 bilhão da Vale para reparação dos danos na mina de Fábrica, e outra solicita R$ 200 milhões referentes a um incidente ocorrido no mesmo dia na mina de Viga.

O incidente em Ouro Preto não deixou feridos, mas isolou cerca de 150 trabalhadores de outra mineradora (CSN) nas estruturas da empresa e atingiu com dejetos afluentes do Rio Paraopeba, mesmo curso d’água severamente impactado pelo rompimento em Brumadinho. A prefeitura de Congonhas, outro município impactado, emitiu alerta para que a população evite o contato com esses rios.

Siqueira defende a necessidade de uma análise independente, conduzida pelo Estado ou por instituições de pesquisa, para averiguar a real composição dos sedimentos e a dimensão total dos danos.

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Editado por: Luís Indriunas

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