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Protestos no Irã se intensificam e número de mortos supera 500, aponta ONG

As manifestações, iniciadas em dezembro, representam a maior mobilização popular registrada no Irã em quase uma década


Crédito: Reprodução/ Youtube

Do GGN, 11 de janeiro 2026
Por Camila Bezerra

Resumo da notícia ​

A onda de protestos que se espalha pelo Irã já deixou ao menos 538 mortos, segundo balanço divulgado neste domingo (11) pela organização Human Rights Activists News Agency (HRANA). Do total de vítimas, 490 são manifestantes e 48, integrantes das forças de segurança. O número de pessoas detidas ultrapassa 10 mil, de acordo com a entidade, que monitora violações de direitos humanos no país.

As manifestações representam a maior mobilização popular registrada no Irã em quase uma década. A HRANA afirma que os dados foram confirmados por meio de fontes diretas no território iraniano e checados com veículos de comunicação independentes.

Especialistas alertam, no entanto, que o número real de mortos pode ser ainda mais elevado. A ONG de cibersegurança Netblocks informa que permanece em vigor um apagão quase total da internet imposto pelo regime, o que dificulta a verificação das informações e o fluxo de notícias para fora do país.

As mortes mais recentes ocorrem em meio a denúncias de repressão violenta por parte das forças policiais. Neste domingo, o chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, reconheceu que o “nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”, sinalizando o endurecimento da resposta estatal aos atos.
Entenda a crise

Os protestos tiveram início em 28 de dezembro, impulsionados por uma grave crise econômica. Entre os principais fatores estão a forte desvalorização do rial, a inflação elevada e o agravamento das condições de vida da população.

Inicialmente centradas em reivindicações econômicas, as manifestações passaram a incorporar críticas diretas ao regime dos aiatolás e ao líder supremo, Ali Khamenei. Atualmente, os manifestantes exigem reformas políticas, mudanças no sistema judiciário e ampliação das liberdades civis.

O governo iraniano atribui os protestos à suposta interferência de Estados Unidos e Israel. Já opositores sustentam que o movimento é resultado do descontentamento interno com a condução política e econômica do país.

Autoridades ameaçam retaliação


Em meio à escalada da crise, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país responderá com força a qualquer intervenção militar norte-americana. Segundo ele, eventuais ataques dos Estados Unidos tornariam alvos legítimos “os territórios ocupados, bem como bases militares e portuárias americanas”.

A declaração ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar no sábado (10) que o país está “pronto para ajudar” os manifestantes iranianos. Em publicação na rede Truth Social, Trump escreveu que o Irã estaria “olhando para a liberdade, talvez como nunca antes”, sem detalhar que tipo de apoio poderia ser oferecido.

Apesar do aumento da repressão policial, os protestos continuavam a ser registrados em diversas regiões do Irã até este sábado, mantendo o país em clima de forte instabilidade política e social.

*Com informações do Metrópoles.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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