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Conflitos pela água ganham força no Brasil, segundo CPT

Ao todo, 266 ocorrências foram registradas no ano de 2024, o terceiro maior número de casos nos últimos cinco anos


Por Tatiane Correia
Do GGN, 24 de abril de 2025



Foto de Miguel Alcântara na Unsplash

As ocorrências envolvendo conflitos por água avançam no Brasil: apenas no ano de 2024, foram registradas 266 ocorrências, representando o 3° maior número de casos nos últimos 5 anos, segundo levantamento divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Em relação a 2023, o número de conflitos pela água voltou a subir, indicando um aumento de 16% nos casos registrados. Os estados que mais sofreram com violências pela água foram o Pará, com 65 ocorrências (24% do total), seguido por Maranhão, com 45, Minas Gerais, com 30, e Bahia, com 22.

Os registros mostram dois principais tipos de violência pela água: “Uso e preservação” (71%) e “Barragens e açudes” (23%). Os conflitos por “Uso e preservação” da água lideram com 70% dos registros, seguidos de “Barragens” (23%) e “Apropriação da água” (7%).

Houve aumento nas situações de “Não cumprimento de procedimentos legais” (de 79 para 84), “Destruição e poluição” (de 59 para 69) e “Contaminação por agrotóxico”, sendo o maior aumento (de 26 para 40 registros).

Segundo a CPT, a situação de conflito por “Não cumprimento de procedimentos legais” indica que, na maioria dos casos, o Estado (esfera federal, estadual ou municipal) já está envolvido no conflito, geralmente atuando como mediador de um acordo entre agente causador e vítima, que acaba sendo descumprido ao longo do processo de compensação de danos.

As principais vítimas dos conflitos pela água foram os povos indígenas (71 registros), quilombolas (58), ribeirinhos (28) e posseiros (27). Pescadores e pequenos proprietários aparecem em 24 registros cada.

Em relação aos principais agentes causadores dos conflitos, os empresários lideram com 64 ocorrências, seguidos por fazendeiros (58), o Governo Federal (36), mineradoras (34), hidrelétricas (31) e garimpeiros (14).

No entendimento histórico da CPT, conflito pela água é toda ação que representa a resistência dos povos do campo frente à destruição e/ou poluição de cursos de água e lençóis freáticos, e também a mobilização frente à apropriação particular da água e o combate à construção de hidrelétricas e barragens, e a luta para amenizar as suas consequências.

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